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Artigo integrado pela SOAMAR Brasil em Portugal

A força naval brasileira não se resumia ao conjunto de pequenos navios da flotilha itaparicana. Com efeito, num país onde a maior parte das ligações se fazia por mar e era indispensável garantir a unidade territorial e o abastecimento marítimo, é natural que D. Pedro, desde logo, se empenhasse em formar uma marinha de guerra capaz de defender a independência do novo estado.

Conforme se pode ler no decreto de criação da Marinha Imperial de 13 de Setembro de 1822:

O Governo tomará todas as providências urgentes que se fazem necessárias para o nascente Império possuir uma Esquadra apta a defender-lhe quer a extensa costa quer o fértil território e também capaz de assegurar o comércio de seus contínuos portos, de vez que a Providência talhara para o Brasil os mais altos destinos de glória e prosperidade que só podem ser defendidos com uma Marinha respeitável.”

O primeiro núcleo da esquadra foi formado com os poucos navios surtos no Rio de Janeiro que estavam em condições de navegar, aos quais se somaram alguns adquiridos no estrangeiro. No início de 1823, o Imperador contava, já, com uma nau (“Martim de Freitas”, rebatizada “D. Pedro I”), três fragatas, duas corvetas e dois brigues, juntamente com outros navios menores27. Para comandar esta força requisitou os serviços do escocês Thomas Alexander Cochrane, que já se notabilizara na organização das armadas do Peru e do Chile. Com ele vieram 28 oficiais e 500 marinheiros ingleses, que se juntaram aos oficiais e marinheiros portugueses que tinham aderido à independência. Para submeter o estado da Baía, que estava, já, cercado por terra, Cochrane saiu do Rio, a 3 de Abril, com a nau, uma fragata, duas corvetas e dois brigues. O objetivo era bloquear o porto e impedir a chegada de reforços e de abastecimentos aos sitiados. Tendo chegado no dia 25, recebeu, quatro dias depois, o reforço da fragata “Niterói” (ex-“Sucesso”). Embora estivesse em inferioridade numérica e de poder de fogo, dispunha, já, de uma força capaz de se medir com a esquadra portuguesa.

Ao saber da presença da esquadra brasileira, Pereira de Campos sai para o mar (embora com um certo retardo devido ao encalhe da nau “D. João VI”). Após um primeiro desencontro, as duas esquadras embatem, por fim, a 3 de Maio. Sem nos perdermos em detalhes de ordem táctica importa mencionar que, contrariamente ao esperado, Cochrane não manobrou para se prolongar com a esquadra portuguesa, como era tradicional (o que o deixaria em inferioridade face ao maior poder de fogo dos portugueses), tendo, antes optado por, numa manobra audaciosa (da escola de Nelson), cortar a linha adversária para ganhar superioridade numérica localizada e apoderar-se de alguns navios da retaguarda. Surpreendido, Pereira de Campos, que não se mostra um comandante particularmente hábil, manda inverter o rumo, para que os navios da testa da coluna venham em auxílio dos da retaguarda.

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Surgem, entretanto, problemas nos navios brasileiros, com a marinhagem da “Liberal”, do “Real Pedro” e da “Guarani”, maioritariamente portugueses (ao contrário do que sucedera com os oficiais, não fora dada opção às guarnições dos navios), a recusar fazer fogo contra os seus compatriotas.

Também na “D. Pedro I” alguns artilheiros portugueses se revoltam, trancando o paiol de munições. Acabam por ser dominados pela força, mas Cochrane perde a confiança nas suas guarnições e decide retirar antes de poder ser alcançado pela testa da coluna portuguesa. Mantém, no entanto, o bloqueio, a partir do Morro de S. Paulo (35 milhas a sudoeste), embora evite mostrar-se ao largo da Baía, para não ter contacto direto com a força naval portuguesa. Aproveita para reforçar a artilharia da nau e substituir os marinheiros portugueses revoltosos por outros da sua confiança. 

Com a população maioritariamente a favor da causa de D. Pedro, cresce, entre os defensores, a convicção de que a independência do Brasil é inevitável. As forças portuguesas optam, assim, por abandonar o país.

De volta às costas do Brasil, Cochrane dirige-se ao Maranhão com a “D. Pedro I” e obtém a rendição da guarnição portuguesa, apresando o brigue “Infante D. Miguel”, a escuna “Emília” e oito lanchões artilheiros. Depois de guarnecer o brigue (rebatizado “Maranhão”), envia-o, então, ao Pará, onde este, simulando a presença próxima do resto da esquadra brasileira, consegue obter a rendição das forças portuguesas e apresar uma fragata em construção (batizada como “Imperatriz”), a charrua “Gentil Americana” e vários navios mercantes. Em Montevideu a guarnição da cidade mantivera-se leal a Portugal, mas as forças militares em redor, comandadas pelo general Lecor, herói da guerra contra Artigas, tinham aderido à causa brasileira e posto cerco à capital do estado. Também as forças navais, constituídas por uma fragata, sete escunas e duas barcas, se tinham declarado pelo Imperador, estabelecendo bloqueio à cidade. Mas a guarnição da escuna “Maria Teresa”, seguida pelas das corvetas “Conde dos Arcos” e “General Lecor” (mais tarde rebatizada “Restauradora”) e do brigue “Liguri” tinham-se revoltado (Janeiro de 1823) e levado os navios para dentro do porto.

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Aquando da proclamação da independência do Brasil, grande parte das guarnições dos navios de guerra ali estacionados aderiu à causa de D. Pedro, com destaque para os que se encontravam surtos no Rio de Janeiro (sobretudo) e em Montevideu. Neste processo, passaram para o lado brasileiro oito naus, quatro fragatas, seis corvetas, seis brigues, catorze escunas e três charruas. No decurso das hostilidades viriam, ainda, a ser apreendidos uma fragata (requisitada pelo futuro Imperador) dois brigues, quatro escunas e uma charrua. Não contamos aqui com a captura da fragata batizada como “Imperatriz”, no Pará (de resto, pouco significativa no panorama global), pois, por se encontrar em construção, não tinha, ainda, sido aumentada ao efetivo. No quadro que se segue discriminam-se os navios que aderiram ao Rei D. Pedro I e ficaram ao seu serviço.

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No futuro seria uma prioridade da coroa brasileira o reforço do poder naval para afirmar o Brasil como uma potência naval na América do Sul e proteger o litoral e navios mercantes dos corsários

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