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(O texto pode conter incorreções oprtográficas)

Já no Império, veio o problema da Cisplatina. As tropas imperiais haviam sido aniquiladas na batalha de Sarandi, em 12 de Outubro - aniversario do Imperador! - de 1825. Em virtude desse evento, logo em seguida o governo de Buenos Aires aceitara formalmente a petição de readmissão da "Banda Oriental" nas "Províncias Unidas do Prata", sob a égide argentina; tropas de Buenos Aires e de outras províncias argentinas foram enviadas ao Uruguai.

Os planos estratégicos de Dom Pedro haviam previsto a utilização da Marinha para interditar as linhas inimigas de suprimentos através do rio Uruguai, e interromper o comércio argentino com o mundo exterior, mediante o bloqueio do porto de Buenos Aires. Enquanto isso, o exercito nacional se concentraria em Livramento, na fronteira entre São Pedro das Missões (Rio Grande do SuI) e o Uruguai .

Milhares de soldados, inclusive um batalhão alemão de oitocentos homens, para impedir qualquer avanço dos sublevados em direção ao Norte, e preparar uma rápida invasão da Cisplatina.

Entretanto, faltava dinheiro - que o Imperador contava que lhe concedesse a Assembléia, por razoes patrióticas óbvias - para manter os pelo menos sessenta navios necessários ao bloqueio de Buenos Aires; a Assembleia Geral, instalada em Maio de 1826, porém, pareceu impossível de arcar com tais despesas. Além disso, se a presença do Imperador em Porto Alegre aumentara - e, em muito - o alistamento de voluntários rio-grandenses para a guerra, as tropas imperiais eram, ainda assim, arrasadoramente superadas, em numero, pelas inimigas que contavam - com 0 explícito apoio de forcas enviadas pela republica argentina; ao chegar a Porto Alegre,Dom Pedro tomou conhecimento de que as condições em que se encontravam o Exercito Imperial e a milícia da província eram muito piores do que lhe haviam dito.E, se o general Lecor dominava Montevideu e as cidades litorâneas, o interior da província estava todo dominado pelos insurgentes de Lavalleja.

As tropas brasileiras, para maior mal, eram na sua maioria integradas por conscritos, sem qualquer experiência militar. Para mais atrapalhar, o governo argentino emitiu "cartas de marca" a corsários estrangeiros, que saqueavam navios brasileiros desde o Maranhão ate ao Rio Grande do SuI. Navios tripulados por aventureiros das mais diversas nacionalidades, que causaram grandes prejuízos: na verdade, a guerra prenunciava tantos prejuízos ao comercio do Brasil, como ao da Argentina.

Para tal campanha, o Imperador precisava ter certeza da solidariedade da nação. Fora a Baía, onde ficara de 27 de Fevereiro a 19 de Marco, e conseguira a incorporação de baianos ao esforço de guerra.

Entretanto, eram sempre difíceis as coisas na "Banda Oriental": as forcas de Lecor, reitere-se, se mal eram majoritárias em Montevideu, o eram -e, devastadoramente - inferiores no interior. Dom Pedro partira para o SuI a 29 de Novembro de 1826, a bordo do navio "Pedro I", acompanhado de mais nove navios de guerra; levava consigo oitocentos oficiais, e mais inúmeras tropas mercenárias do 27º Batalhão de Infantaria Ligeira. Desembarcou em Santa Catarina, e de ia seguiu a cavalo ate Porto Alegre. Nesta cidade, tomou conhecimento de inúmeros casos de corrupção no Exercito e na Milícia, reagiu com energia, e editou uma enxurrada de ordens demitindo os corruptos e "incompetentes" (incapazes).

A chegada do Imperador, produziu desde logo o resultado de os rio-grandenses se apresentarem em maior numero como voluntários para o Exercito; mas, tal visita foi interrompida pela notícia abrupta da morte da Imperatriz Leopoldina: 0 viúvo voltou ao Rio, a guerra continuou se arrastando, com poucos avanços e muitos recuos.

Uruguai

A esquadra argentina, sob o comando de um mercenário irlandês, almirante William Brown - que falta fazia Lord Cochrane! - saiu de Buenos Aires, e a 10 de Fevereiro de 1827 destruiu literalmente o destacamento naval brasileiro no Baixo Uruguai. Logo em seguida, no dia 20, 0 Marques de Barbacena, com seu exercito de 6.000 homens, caiu na emboscada armada pelos argentinos em Ituzaingo, na província de São Pedro: embora sua infantaria composta de mercenários alemães tivesse podido se reagrupar e retirar para Porto Alegre, a cavalaria "se desintegrou sob o ataque dos gaúchos hispano-americanos.

Apesar de tudo, em Ituzaingo os argentinos haviam tido tantas perdas quanta os brasileiros, motivo pelo qual não puderam perseguir a infantaria que se retirava para Porto Alegre: voltaram para o Uruguai. Tal circunstancia, permitiu ao general Brant, o Marques de Barbacena, afirmar que se não houvera ganho a batalha, também não havia sido derrotado.

Ainda no mar, quatro semanas depois da batalha de Ituzaingo, uma expedição da Marinha Imperial foi totalmente destruída por corsários, próximo a foz do rio Negro, na Patagônia. Em contrapartida, quando o mercenário Brown tentou conduzir a esquadra argentina para alto-mar, foi decisivamente derrotado (8 de Abril) pela esquadra brasileira, e obrigado a voltar para Buenos Aires.

De qualquer modo, a estratégia militar do Imperador fora esvaziada pelas circunstancias concretas da política, e pelas carências financeiras do Império. Ainda assim, havia uma grande diferença entre o Brasil e a Cisplatina; ou, mesmo, entre Brasil e Argentina. Diante da intensificação da guerra e das perdas sofridas por suas forças, 0 presidente Rivadavia - a braços com uma revolta federalista em diversas províncias argentinas resolveu negociar um tratado de paz: a 19 de Abril despachou para o Rio de Janeiro seu ministro plenipotenciário, Manuel Garcia, propondo a criação de uma republica independente na "Banda Oriental", a "Cisplatina".

cisplatina1

Dom Pedro, que como estrategista - o estrategista, relembre-se, este sempre vinculado ao general, e ao político estava em condições de rejeitar a proposta, efetivamente rejeitou-a: O enviado argentino não teve outro recurso senao o de reconhecer o Uruguai como parte integrante do império brasileiro, anuindo na retirada de todas as tropas de seu pais da Província Cisplatina, e no pagamento de uma indenização ao Brasil, pelos prejuízos causados pela guerra.

O tratado, entretanto, contribuiu decisivamente para a imediata derrocada do regime centralista argentino, que se transformou numa confederação das mais tenues e fracas, enquanto tal; como consequência, uma guerra de guerrilha, sob o comando de Lavalleja e Frutuoso Rivera - que discordavam quanta a criação de uma republica independente ou a anexação pura e simples do Uruguai á Argentina - substituiu as tropas portenhas regulares.

Do lado brasileiro, após o fracasso de Ituzaingo, o general Lecor, Visconde de Laguna, havia sido reconduzido ao comando. Mas, o Imperador encontrou fraquíssimo apoio na Assembléia Geral, para debelar a guerrilha: os escravocratas que dominavam a Câmara dos Deputados não tinham qualquer interesse no Uruguai, pais cujo solo era inadequado para o cultivo do café e da cana-de-açúcar, e no qual havia poucos escravos.

Por isso, receavam que a Cisplatina se tomasse em um foco contrario aos seus interesses, um pólo de poder económico hostil aos seus interesses. Dom Pedro nada conseguiu da Assembléia, para manter a Cisplatina.

Pouco depois, ocorreu no Rio de Janeiro o problema dos estrangeiros. Em Janeiro de 1828 chegaram á capital cerca de 2.800 irlandeses - recrutados como colonos para substituir o trabalho escravo - e, desses uns 400, desejando seguir a carreira militar, foram incorporados ao Terceiro Batalhão Alemão de Granadeiros. Alem dos problemas de relacionamento entre irlandeses e alemães, a incorporação daqueles também suscitou atritos com os brasileiros, nas ruas de parte a parte, havia troca de insultos. Tudo isso dificultando as tarefas do Imperador em relação ao Exercito e á questão do Prata.

Entretanto, foi entre os mercenários alemães que surgiu o estopim para a revolta de 1828. Tal sublevação, que teve trágicas consequências, mas foi finalmente dominada, colocou ponto final nas intenções do Imperador em povoar o Pais - tanto quanto possível - com agricultores europeus.

Sobretudo, liquidou com a sua esperança de ter um exercito imperial capaz de conseguir vitória militar final na guerra pela manutenção do Uruguai. Um novo tratado foi negociado no Rio de Janeiro, e a 28 de Agosto desse ano, reconhecendo a "Banda Oriental" como uma nação independente. A guerra custara ao Brasil cerca de 8.000 homens, e 30 milhões de dólares em câmbio da época.

Agiu, ainda, como estrategista e general, Dom Pedro, em todo esse contexto? Com certeza, sim.  

 

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