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 Artigo por Artur Victoria -  ver Curriculum Vitae

Estabelecer pontos de comparação da evolução das Nações, das suas instituições e pessoas, é muito útil para avaliar a dinâmica do processo civilizacional e o desenvolvimento económico social das nações. Descobri este curioso texto nos confins da história que ao ler deixou-me pensativo e por entender aqueles anos com a atualidade questiono-me até que ponto houve o desejado desenvolvimento do Bem Público e da Nação. - Reproduzo: Debates Parlamentares – Página 741 15 DE MAIO DE 1937

O Sr. Querubim Guimarãis: - Sr. Presidente: breves considerações eu farei à Assemblea. Não posso ter a pretensão de intervir com utilidade numa discussão a que só os técnicos e os especializados podem ser chamados.

Mas de todas as propostas que têm vindo a esta Assemblea Nacional e que visam à restauração do país em todos os seus aspectos - e tantas têm sido elas - esta é, sem dúvida, a que mais importância tem, perante o meu espírito, a que mais sensibiliza o meu coração de patriota e a que mais faz erguer o nosso pensamento a uma idea de Pátria digna, forte, nobre e respeitada.

O exército é, sem dúvida alguma, a representação mais alta do valor dum povo. Von der Goltz disse que o exército é o espelho da nação.

O exército resume, afinal, todas as grandes aspirações do país, concentra em si todas as energias, sobretudo aquelas energias morais e espirituais que são o principal elemento de valorização dum povo e que representam, sem dúvida alguma, na sucessão dos acontecimentos históricos, o mais forte baluarte do êxito.

Sem uma verdadeira noção do amor da Pátria não se compreendia o exército. Exército sem isso não existe.

Quando muito será um «exército de parada ou então uma horda pronta para a pilhagem».

O Exército tem representado sempre, através da nossa história, o expoente máximo da nossa grandeza e do nosso valor. Por isso não pode nenhum português, não pode nenhum dos ilustres representantes da Assemblea Nacional olhar para esta proposta sem interêsse, e grande. Se todos os assuntos lhes devem merecer interêsse, êste muito mais do que nenhum outro, porque são, na verdade, altos os objectivos a que ela visa.

A defesa de Portugal de Portugal, a defesa da nossa integridade continental e, a defesa da nossa honra não podem ser indiferentes a qualquer português.

JuramentoRAMEabr17 01

Compreende-se, Sr. Presidente, que o problema assuma um aspecto muito particular num país como o nosso, de tam poucos recursos, escassa população, escassos meios económicos, sem matérias primas, sem poder mobilizar as indústrias necessárias para ter assegurada uma renovação constante de material, deficitário económicamente, dependente do estrangeiro, com uma fronteira terrestre enorme e uma relativamente pequena largura de território continental, com o Oceano a prejudicar, com toda a sua extensão, o acesso até nós de tudo aquilo de que possamos carecer num dado momento em que sejamos chamados a intervir para defesa da Pátria portuguesa.

Eu vejo como no seio do Govêrno deveria ter havido um conflito grande entre o ilustre Ministro da Guerra e o não menos ilustre Ministro das Finanças. Certamente o Sr. Ministro da Guerra deveria, em pleno Conselho de Ministros, ter-se voltado para o seu colega das Finanças e dizer-lhe: «Eu, que represento o Exército, que tenho aos ombros essa grande responsabilidade, que estou a ver pelo mundo fora o acesso febril de um rearmamento intenso, que sinto um ruidoso arrastar de espadas pelo chão, que me dá a visão da tragédia próxima, e que prevejo a possibilidade de em dado momento termos de intervir num conflito mundial, desejo um exército forte, em homens e em material, bem apetrechado e municipado, com todos os requisitos da técnica moderna, procurando assim realizar o pensamento que é a aspiração de todos aqueles de quem sou chefe, e que é ao mesmo tempo a aspiração do País».

E, nesta discussão em pleno Conselho de Ministros, o Sr. Ministro das Finanças teria retorquido, grave e solene: «Tendes razão»!

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