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D.Pedro noticia

(O texto, pela sua antiguidade, poderá apresentar ortografia deficiente)

Não é demasia relembrar: no Brasil da década de 1820, o Regente e depois Imperador tinha um Estado por institucionalizar, um País por organizar; em Portugal da década de 1830, tinha um país por refazer.

Em ambas as circunstancias, nem sempre lhe era dado esperar os resultados das sempre intermináveis discussões legislativas, permeadas de reticências e entrelinhas movidas por interesses políticos e pessoais; por isso, com alguma frequência usou de poderes absolutos, mas sempre a coberto de preceitos jurídicos incontestes.

Em Portugal, como chefe de exercito em época de guerra, no Brasil, como regente de poder absoluto enquanto ainda não havia uma Constituição; depois, como Imperador que se escudava nos próprios poderes que a Constituição the concedia.

Assim, nessas frequências o Bragança usava do seu poder absoluto ou especial, mas sempre para democratizar, sempre para liberalizar. A sua história, e a História dos povos que lhe coube dirigir, Dom Pedro não deixou traço de absolutismo em si, absolutismo pelo absolutismo, por convicção absolutista; ao contrario, a marca que deixou foi a de um denodado promotor das causas liberais, sempre tentando reformar ou refazer não só os procedimentos legais e formais, mas a própria essência do direito e das concepções que já não se adequavam ao futuro que escancarava suas portas aos homens daquele tempo, nem sempre capazes de adentrar mentalmente tais portas.

Não foi por outras razões que, reitere-se, passados mais de cem anos de sua morte, abalizados historiadores brasileiros, portugueses e estrangeiros, passaram a distingui-lo comoo "maior

Herói do Novo Mundo", e outros dísticos de igual quilate e significação.

Erros, cometeu-os, e muitos; mas, os acertos foram sobejamente maiores. Como homem, nada deixou que lhe empanasse o profundo senso de honra pessoal. Como amigo, só deixou saudades e lágrimas dos que ficaram. Como inimigo, nenhum registro amargo ha, de possíveis desafetos; nem mesmo do seu maior adversário, o irmão Dom Miguel.

Como filho, irmão, marido e pai, jamais descurou dos seus principais deveres.

Como fundador, no Brasil, deixou marcas positivas até hoje indeléveis. No seu reinado o País cresceu mais do que em séculos anteriores; sua abdicação teve o efeito - didático, para a sociedade e a classe política - de permitir quarenta e nove anos efetivos de paz, no Segundo Reinado.

Para Portugal, deixou o legado de uma nova mentalidade publica e privada, que se desenvolveria ao longo do reinado da filha D." Maria II, dos netos Dom Pedro V e Dom Luis I, do bisneto Dom Carlos I, do trineto Dom Manuel II, e se estendeu ate aos dias atuais.

Como adepto do constitucionalismo, liberalizando a vida de dois povos, sua vida e sua atuação política e administrativa foram de fundamental importância para a consolidação do Estado de Direito.  Como disse Jose Bonifacio na carta a Pedro Il, quando morreu o pai deste, "D. Pedro não morreu - só morrem os homens vulgares, e não os Heróis".          

Como observou Joao de Scantimburgo, da Academia Brasileira de Letras, "Príncipe romanesco, intuitivo, não raro instintivo, guiou-o a Providencia por insuspeitados caminhos, confirmando que dela dependemos, queiram ou não os materialistas históricos. Seu itinerário caprichoso se trocado palácio de Queluz ao Brasil, a Regência, á Independência, a Abdicação, á volta a Portugal, a retomada do trono português para sua filha, a morte em Queluz no mesmo quarto onde nascera, observando, na antevéspera da grande viagem, o Senhor Dom Quixote, que vira ao nascer, como que lhe predestinando aventuras bem sucedidas ou frustradas, amargas na sua maioria, embora se tivessem vinculado indelevelmente ao seu nome, a sua decisão, a sua inteligência, a sua argúcia, a qualidades que não se explicam num jovem mais ou menos estroina, de vinte e poucos anos, sem formadio regular, sem estudos sérios, sem assistência permanente dos pais, ocupados com negócios de Estado e problemas da corte.

O quixotesco Dom Pedro I do Brasil e IV de Portugal é, sem contestação, a maior figura do Novo Mundo, e uma das grandes, das estupendas figuras da plêiade de gênios, de aventureiros, de cavaleiros, de sonhadores, de ambiciosos, de heróis que já povoaram as galerias da História; "

Com certeza, os brasileiros e portugueses da atualidade, que vivem alimentados - ou, só anestesiados - pelas imagens da comunicação social, que lhes traz desde décadas noticias de escândalos em geral em todos os níveis, falcatruas e conluios, abusos de poder e engodos públicos, e além disso foram formados da base do desmonte da Historia, que lhes foi ensinado pelo patrulhamento cultural desde os primeiros bancos escolares, de modo a leva-los a aceitarem implicitamente tudo isso, ignoram que tiveram um Homem - com todos os defeitos e virtudes dos homens, mas sempre um verdadeiro Homem - á frente da própria formação do País.

Se não o ignorassem, teriam como meditar num poema que termina dizendo:

E foi este Passado perturbante,

Foi a tristeza que encontrei aqui,

E esta sombra que desce dominante,

Dos cimos negros do Itacolomy,

Que me mostraram, vivos e serenos,

Esses vultos homéricos de outrora,

Para ensinar-me como são pequenos

Os grandes homens do Brasil de agora!

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