Artigos

Saldanha

(O texto, pela sua antiguidade, poderá apresentar ortografia deficiente)

No dia 28 de setembro de 1805 o regimento de infantaria, comandado pelo marquês de Alegrete, incorporou em suas fileiras um cadete de 14 anos, de olhar sereno e gestos firmes.

Chamava-se João Carlos de Saldanha e era neto de Pombal.

Definiam-se, naquela tarde, um destino e uma vocação, ia principiar um ciclo de glórias e sucessos deslumbrantes.

* * *

A carreira militar foi vertiginosa. Capitão aos 17· anos, major aos 19, tenente-coronel aos 22, comandante de uma divisão em operações contra a Franca aos 23 anos!

Terminada, em 1814, a campanha peninsular, o jovem Saldanha tem sobre o peito treze medalhas de aura lembrando as jornadas gloriosas do Bussaco, São Sebastião, Nive, Vitoria, Pamplona e Tolosa e, pouco depois, é feito cavaleiro da Torre e Espada e comendador da Ordem de Cristo.

Partiu para a guerra com a fama dos avós. Voltou dos campos de batalha como um símbolo do heroísmo português, Antes, era apenas o neto de Pombal, com fama de empréstimo. Agora, é o bravo Saldanha, envolvido por uma aureola de legenda, o guerreiro dos feitos impossíveis, o ídolo da tropa e do populacho entusiasmado.

Os feitos de Saldanha coriam de boca em boca . Sob o domínio francês, abandona as fileiras do exercito e inscreve-se numa associação de conspiradores, instalada clandestinamente em Lisboa, para promover a restauração da pátria. Apenas se levanta a nação, corre logo as armas e é incorporado na divisão do general Bernardim Freire de Andrade. Durante a marcha para a frente de batalha, acontece revoltar-se a companhia de granadeiros, Saldanha, com 18 anos, o mais jovem de todos os capitães, é o escolhido para restabelecer a ordem. Fala de tal maneira aos soldados rebeldes que estes, arrebatados, voltam imediatamente á disciplina. "os granadeiros ouvem aquela voz, enleiam-se naquele olhar, e nem companhia deseja mais outro capitão, nem capitão se quer mais separar daquela companhia. Casou-os uma eletricidade de génio" .

Durante a batalha do Bussaco, enquanto os franceses atacavam violentamente em direção ao quartel general de Wellington, o major Saldanha, num prodígio de bravura, reúne as duas companhias de granadeiros dos regimentos 1 e 16, debaixo de um fogo infernal, e, á frente do improvisado batalhão, repele denodadamente o inimigo.

No assalto e assedio de Ciudad-Rodrigo, o futuro vencedor de Waterloo declarou-se assombrado com " furor combativo do regimento de Saldanha. Em Arapiles, a 22 de julho de 1812, fez verdadeiras loucuras.

No Carrião, a 25 de outubro, na defesa da passagem de Tormes, de 8 a 14 de novembro, no combate de Sao Munhoz, a 27, continua a serie de prodígios de valor. "Em setembro desse ano, continua um de seus biógrafos, fora promovido a tenente-coronel, preteridos vinte e três majores, e entre eles majores ingleses, como também por distinção havia sido promovido a major, preterida a maior parte dos capitães".

Na batalha da Vit6ria, a 21 de junho de 1813, o regimento de Saldanha teve a seu comportamento denominado "admirável" pelo general Graham. Três dias depois, tomava a aldeia de Veasayn e forçava o inimigo a evacuar Vila Franca. A 25, estavam ás portas de Tolosa, que  caiu .no dia seguinte. A brigada de Saldanha foi logo designada para a vanguarda do ataque. ele mesmo descreve, em carta, a ação: "Tolosa e murada, e os franceses tinham fechado as portas e barrado as ruas, porem a nosso segundo Wellington, que não acha dificuldades, mandou avançar a artilharia, e com ela arrombou as portas. Entramos em Tolosa á noite.

No mês seguinte, assiste a capitulação de Pamplona e conduz a sua famosa brigada no primeiro assalto contra São Sebastião. O fogo do inimigo, solidamente fortificado na praça, consegue repelir a primeira investida. Apesar das pesadas baixas sofridas, a brigada anseia par entrar novamente em ação. Pede, respeitosamente, ao general Graham a graça de ser designada para guiar a segundo ataque á brecha. O general recusa. Tinha-a escolhido para a reserva "exatamente pelo conceito que dela fazia". E teria de que se arrepender, o general. Quando, no mais aceso do combate, os assaltantes começavam a recuar, mandou avançar a esplendida reserva. Esta, carregando com ímpeto admirável e bravura inexcedível, pode evitar um terrível desastre para as tropas ,peninsulares

Em setembro, por ocasião de um dos combates que tiveram lugar durante a marcha sobre Baiona, Saldanha, com dois sargentos e dois soldados, investiu sobre um grupo de vinte e tantos inimigos, conseguindo agarrar dezoito prisioneiros.

Depois da batalha de Nive, o principe-regente da Inglaterra condecorou, com a medalha de comando, varies chefes de corpos que se tinham distinguido na ação, Saldanha, porem, batera-se de tal forma, á frente do.seu regimento, que o principe-regente quis fazer-lhe uma distinção especial. Mandou cunhar em Londres, expressamente para ele, uma belíssima placa da referida medalha, que lhe foi entregue com toda a solenidade.

Finda a guerra peninsular, o serviço da pátria chamou o jovem guerreiro para as plagas longínquas da America. A campanha de Montevideu exigia bravos soldados e valentes patriotas.

Bem árdua seria a luta contra a gauchada selvagem e bravia que cruzava as campinas verdes no galope desenfreado dos seus potros infernais. Para Saldanha, seria algo de completamente novo. Surgiam os bandos, de repente, sem que ninguém soubesse de onde vinham. Baixavam, rápidos, pelo dorso das coxilhas, soltas as rédeas dos pingos ferozes, e desabavão sobre o inimigo como centauros extraordinários.

As suas cargas eram para os portugueses como visões fantásticas, A cada momento, esperavam ver brotar dos capões sombrios as silhuetas velozes dos homens dos pampas, que misturavam seus gritos de guerra com os relinchos furiosos da cavalhada.

Contra essa gente é que o herói da campanha peninsular teria que se bater. Por esse tempo, não era nada firme a situação dos portugueses, Lecor ocupava Montevideu e a divisão do general Curado fazia esforços inauditos para aniquilar os bandos de orientais capitaneados pelo genial Artigas, valente e arrojado como poucos.

saldanha 2

Nas províncias de Entre Rios e Corrientes, separadas da capitania de Montevideu pelo rio Uruguai, Artigas organizava as suas legiões de gaúchos, atravessava o rio lindeiro e desencadeava as suas fulminantes "razias" contra as forças portuguesas de , ocupação.

Era preciso enviar as margens do Uruguai uma coluna volante, integrada por elementos de elite, afim de conter ' as repetidas incursões dos guerrilheiros orientais. Saldanha foi logo escolhido para seu comandante.

Conta um de seus biógrafos que mais tarde; já ancião e recolhido a tranquilidade do lar, quando alguém lhe falava nos seus feitos da guerra liberal de 1833, Saldanha escutava, modesto, o relembrar das antigas façanhas, sorria, esfregava as mãos, e murmurava, baixinho, com um brilho novo nos olhos mansos: "Mas aquela Montevideu! O que ali se fez!"

E o biógrafo prossegue na descrição da cena: "E, calava-se, tornava-se-lhe serio o rosto, e logo despertando do seu entre-sonho, como que tendo saído das planícies montevideanas onde o pensamento o transportara por momentos aos verdes anos, aos seus companheiros de armas, jovens como ele e naquele instante mortos já todos, levava as mãos aos cabelos e dizia então a valer, para os que o rodeavam, como se involuntariamente o não houvera já dito: . "Aquela Montevideul "

Boas recordações, de fato, deveria guardar o intrépido neto de Pombal.

Assim que chegou as onduladas : planícies do Uruguai, onde o aguardava a fogosa cavalaria de

Lavaliega, dirigiu a palavra á tropa, animou-a, excitou-a, relembrou feitos notáveis do heroísmo lusitano ,e provocou naqueles peitos veteranos verdadeiras explosões de entusiasmo patriótico.

Não esperou ser atacado. Irrompeu furioso, á frente de seus portugueses, contra .os esquadrões orientais. O choque foi tremendo. E os gaúchos :foram dispersados. Estava desfeita, aos olhos dos soldados de Saldanha, a invencibilidade dos cavalarianos dos pampas. Dai por diante, a combatividade da coluna foi qualquer coisa de incrível. Só na manhã de 5 de maio de ,1817, comandou Saldanha cinco arrojadas cargas de cavalaria sobre; o inimigo, Quando a general Curado obteve exoneração do comando supremo da divisão que operava em todo a ocidente da capitania de Montevideu, a primeiro nome que ocorreu a el-rei D. João VI para substituí-lo foi o de Saldanha.

Escolha feliz. A habilidade e a bravura do jovem brigadeiro fizera escurecer, de vez, a estrela do grande caudilho americano.

Terminada a campanha, D. João incorporou a Banda Oriental aos domínios da Casa de Bragança.

Era um passo decisivo da sua política de fronteiras naturais. As lindes do Brasil iam até á vista da poderosa Buenos Aires.

Feita a paz, Saldanha é nomeado, par carta regia de 6 de marco de 1821, capitão-general da província do Rio Grande. Pouco tempo depois, porem, chegou de Portugal o decreto das cortes, de 10 de outubro de 1821, instituindo em cada província do Brasil uma junta governativa eleita pelo povo. A junta retirava os poderes civis e administrativos aos antigos capitães- generais, que ficariam apenas com a comando das tropas.

A província recebeu mal o decreto e quis recusar se a cumpri-lo. Embora sentindo-se prejudicado, Saldanha empregou toda a sua influencia para que fossem executadas as ordens de Lisboa chegando ao ponto de declarar que pediria imediatamente a sua demissão se não tivessem lugar as eleições determinadas pela nova lei. Realizada, par fim, a votação, Saldanha teve uma das maiores surpresas de sua vida: acabava de ser eleito presidente da junta ...

Comentando o fato, escreveu um distinto historiador português: "mandavam-se distinguir os dois poderes; O povo, pelo ato inabalável da sua soberania, tornava a reuni-los no homem que ele amava".

 Saldanha 1

Sentindo Saldanha, claramente, que a independência era sancionada pelo principe-regente, renunciou a todos os seus empregos e pediu que lhe fosse concedido passaporte a fim de regressar a Europa.

No seu oficio de '16 de julho de 1822, dirigido a junta governativa, declarou: " ... parece-me que em tão criticas circunstancias não me resta outro partido senão o de ser fiel á minha palavra, aos meus juramentos, a minha nação, ao meu rei e as cortes, abandonar o Brasil e voltar para Portugal".

Chegando preso ao Rio de Janeiro, D. Pedro mandou logo soltá-lo e tratou-o com a máxima consideração. Conta João Carlos Feo que o imperador lhe ofereceu o titulo de marques, as sesmarias que quisesse, o cargo de major-general do exercito e outras dignidades, ofertas que foram reiteradas por Jose Bonifacio.

Saldanha tudo recusou. Já mandara dizer ao seu soberano, a 5 de agosto de 1822: "jamais faltarei aos deveres que a honra e a fidelidade me prescrevem".

Partiu para Portugal levando de seu 25$600 reis.

* * *

Quando a Carta outorgada por D. Pedro chegou a Portugal, em 1826, a maioria do ministério opinou contra a sua publicação, o embaixador da Espanha, também Indecisa, a regente temia a execução das ordens que sir Charles Stuart trouxera do Brasil.

Os dias se foram passando sem que o governo se animasse a tornar efetiva a constituição. Percebendo 0 perigo que isso oferecia .para as instituições nascentes, Saldanha não vacilou: como nem a regente, nem 0 ministro Barbacena, respondiam ás suas instancias e· ponderações, enviou o coronel Pinto Pizarro com um "ultimatum" ao governo: ou a ·Carta seria jurada ate ao dia 31 ou ele a faria jurar pelo exercito.

Foi tiro e queda. No dia 31, a Carta deixou de ser letra morta. E tornou-se Saldanha. desde então, o mais solido baluarte do novo regime. Chamado ao governo, compreendeu logo que para firmar as instituições e dominar os repetidos pronunciamentos absolutistas eram necessárias medidas enérgicas e decisivas.

Quando a regente, influenciada pela camarilha que a cercava, recusou-se a sancionar as providencias indicadas por ele, pediu imediatamente a sua demissão.

E com ele caiu a causa sustentada pelos liberais.

A fermentação miguelista recrudesceu em todo o pais. Saldanha, em 1827, inicia a emigração. No ano seguinte, depois de semanas tumultuosas, verificou-se que os constitucionalistas chamaram de "usurpação de D. Miguel".

Mais tarde, em janeiro de 1832, quando D.Pedro aprestava febrilmente a expedição com que iria recuperar o trono português para sua filha, deu-se um fato extraordinário. 0 embaixador da Espanha procurou o imperador e prometeu-lhe, em nome do seu rei, neutralidade na guerra civil que se ia desencadear, sob condição, porem, de que, Saldanha não tomasse parte na mesma. Caso contrario, a Espanha poria 40.000 homens á disposição de D. Miguel. Tal era o pavor que os planos ibéricos de Saldanha inspiravam a Fernando VII .

 saldanha 3

Quatro meses depois de desembarcados nas costas de Portugal, era tão trágica a situação dos liberais, insulados no Porto, dia e noite debaixo do bombardeio vigoroso do exercito realista, que o nome de Saldanha surgiu na lembrança de todos como um recurso salvador. Chamaram-no. Acudiu logo com a sua gente: Cabreira, Stubbs, etc.

Num relance, Saldanha compreendeu a gravidade da situação, o Porto respirava pela Foz. Por ali entravam as munições de guerra e os viveres que sustentavam os defensores da cidade. Interceptado o caminho do mar, a rendição seria apenas uma questão de dias. Era preciso agir sem perda de um minuto, porque 0 inimigo, parecendo compreender, finalmente, que o resultado .da guerra dependia da posse daquele ponto vital, preparava-se para toma-lo. Tendo fortificado a posição do Castro,avançara uma forte coluna que, desalojando Solignac do montículo do Pinhal, mantinha já, ao alcance do fogo, a praiazinha por onde o Porto se comunicava com o resto do mundo.

Mostrou Saldanha a necessidade de recuperar, imediatamente, a posição perdida junto á fortaleza da Foz.

Solignac, chefe do estado-maior, proibiu-lho. Seria uma tentativa inútil.Uma loucura. Saldanha desobedeceu.

Reuniu quatro companhias e, numa arrancada furiosa, desalojou o inimigo, á baioneta, e ocupou o montículo indispensável.

Em Serralves e Ervilha, ao longo do flanco ocidental da linha do Porto, os realistas tinham instalado fortíssimas baterias. Saldanha tem um gesto atrevido. Improvisa, com a rapidez do raio, alguns pelotões de sapadores, investe com eles sobre as posições inimigas e, debaixo de violento fogo, levanta o fortíssimo reduto do Pasteleiro. De momento a momento, conta uma testemunha presencial, os trabalhadores "eram obrigados a largarem as ferramentas para, com as armas na mão, defenderem o terreno".

Os sitiantes estão pasmos. Entusiasmados pelo exemplo do chefe, os liberais avançam e, num furor suicida, cavam trincheiras e erguem baluartes a menos de meio tiro de espingarda das linhas miguelistas. Escreveu 0 "Times" que as "fortificações saíam de sob os pés de Saldanha como por encanto".

E com razão. Em três tempos, estava terminada o que se chamaria hoje de "linha Saldanha".

Foi então que um cabo de esquadra do regimento 10 de infantaria, suspeito de espionagem, passou-se para o inimigo, escapando milagrosamente aos tiros das patrulhas de vigilância, Compreendeu Saldanha, num instante, que o cabo desertor informaria aos chefes miguelistas que os novos redutos estavam ainda completamente desprovidos de artilharia. Animados pela informação, não deixariam eles de desfechar o ataque na manhã seguinte, dia 4 de março de 1833.

Não havia um minuto a perder. E não bastava artilhar os redutos. Era precise conduzir e instalar as pecas e obuzes de tal maneira e com tais precauções que o inimigo nem sequer desconfiasse da manobra.

Trabalhou-se, febrilmente, a noite toda, debaixo de uma emoção indescritível. Ao amanhecer, estava tudo pronto. Todas as peças mascaradas e 1.400 homens guarnecendo, silenciosamente, a extensa linha.

Não se enganara o astucioso estratego. Ao romper do dia 10.000 realistas, divididos em fortes colunas avançaram rapidamente sabre os três pontos fortes da linha que eram 0 Pasteleiro, o Pinhal e a Senhora-da-Luz.

Os defensores permaneceram imóveis. Tinham ordem de Saldanha para só abrir fogo quando pudessem "distinguir os botões" das fardas inimigas. Assim o fizeram.

Quando os atacantes, cada vez mais confiantes e seguros do triunfo, estavam a poucos metros das posições  liberais, foram dizimados, á queima roupa, por formidáveis descargas de fuzilaria e de   metralha.. O major Shaw, colocado entre o Pasteleiro e o Lordelo fez prodígios de valor. O coronal Pacheco, no Pinhal, apesar de ferido, continuou á frente do seu regimento até ao fim da ação.O major Cabral cobriu-se de gloria na defesa do Pasteleiro. Entre esta posição e a do Pinhal, foram repelidas, á baioneta, três tentativas desesperadas do inimigo enquanto o coronel Fonseca desbaratava as colunas de reserva, completamente desorientadas e em fuga desordenada.

Estava salva a cidade. Os miguelistas principiavam a acreditar na invencibilidade do Porto.

Iniciava-se, também, para Saldanha, a serie das vitorias 'ininterruptas. A 5 de julho, já como chefe do estado-maior, pratica verdadeiros milagres de audácia e bravura pessoal repelindo as tremendas investidas do inimigo em toda a linha de defesa, sendo promovido pelo imperador, no próprio campo de batalha: No dia 25, repete a façanha contra o famoso marechal Bourmont e seus esplendidos oficiais ;

Em dado momento da peleja, o inimigo aparece fura a linha de defesa da cidade dominando completamente as cercanias do Bonfim.

Era o flanco direito que.começava a .ceder diante da formidável pressão dos miguelistas. A coluna atacante consegue chegar á entrada da praça do Bonfim senão ha mais um só batalhão de reserva para conte-la.

Saldanha tem um gesto de desespero, Desembainha a espada e, a frente dos dezenove oficiais do seu estado maior e de mais vinte lanceiros que os acompanhavam, carrega furiosamente sobre a vanguarda inimiga acutilando-a de tal maneira que ela se vê forcada a debandar em grande confusão. Em seguida, o  general em chefe, á frente daquele punhado de bravos, sustenta heroicamente a posição ate a retirada completa dos atacantes.

A 18 do mês seguinte, obriga o inimigo a levantar o cerco e a retirar-se para as alturas do Valongo, a dez quilômetros das linhas que ocupava. 0 Porto respira, enfim. Mas Saldanha não esta satisfeito. Investe  contra as novas posições e os miguelistas são forçados a bater novamente em retirada sabre as alturas de Ponte Ferreira, a 20 quilómetros do Porto, acossados pela cavalaria liberal. Não podendo, ainda, manter-se neste ultimo reduto, marcharam os realistas até Penafiel.

Liberto o Porto, embarca imediatamente para Lisboa, defende-a bravamente contra duas grandes investidas do inimigo e obriga-o, a 10 de outubro, a levantar o cerco da capital e a retirar-se para Santarém.

Avança, em seguida, sobre Leiria e toma a cidade, de assalto. Marcha, agora, em direção a Torres Novas, onde bate a famosa cavalaria de Chaves. Realiza rapidamente, um movimento articulado sobre Pernes e cai, de subito, sobre a vila, desbaratando os seus defensores.

Esta próxima a batalha decisiva.Todas as forças disponíveis dos miguelistas concentram-se em Santarém.

Saldanha, que já se aproximara da cidade, simula uma retirada e atrai o inimigo ate o Almoster para inflingir-lhe, ai , uma das maiores derrotas da guerra civil.

A 18 de maio, Santarém caia. A 21, D. Miguel entrava em Évora, com o remanescente de suas tropas. A 27, assinava-se a paz.

Quando a rainha chegou a Lisboa, desembarcando no cais do Terreiro do Paco, o imperador apresentou- lhe Saldanha, com estas palavras: "Maria, não lhe apresento 0 general Saldanha, que já conhece, mas o marechal Saldanha, a quem deve o estar hoje aqui",

D. Pedro sabia fazer justiça.

 

 Etica e Cidadania para a Consolidação da Paz e SegurançaINSCREVA-SE

Reserve a sua participação.

Um projeto de investigação e formação na CPLP e Europa

Envie-nos o seu artigo

Deseja ver o seu artigo publicado na Associação dos Amigos das Forças Armadas Portuguesas? Envie-nos o seu artigo por através de email para: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. . Após ser revisto e aprovado procederemos à publicação.