Centro de Estudos de Cultura e História Brasileira

Manuel Cambeses Júnior ver o Curriculum Vitae

A queda do Muro de Berlim representou o triunfo do capitalismo sobre o socialismo. Embora se tratasse da vitória do modelo capitalista, suas variáveis possuiam capacidade para reivindicar o direito a apresentar-se como a melhor expressão individual deste paradigma econômico. De um lado encontrava-se a vertente americano-anglo-saxônica; de outro a do capitalismo na Europa continental e, finalmente, a do modelo asiático de tanto êxito evidenciado no Japão e no Sudeste da Ásia. Em essência, a grande diferença entre o modelo americano e os outros residia no fato de que estes enfatizavam mais a continuidade, o consenso, a estabilidade laboral e a malha de sustenteção social, ao tempo em que o primeiro possuia um caráter mais agressivo, uma visão de curto prazo e um nível muito menor de proteção à estabilidade do trabalho.

Imediatamente, evidenciou-se que a vertente americana não teria rival. O modelo asiático acabou caindo ante a prolongada crise vivida pelo Japão, desde o final dos anos oitenta e o cataclisma sofrido pelas economias do sudeste daquele continente, a partir de 1997. Por outro lado, as variantes do capitalismo continental europeu se tornaram impotentes para encontrar resposta frente à mundialização da economia. Enquanto isto ocorria, o capitalismo americano se estruturava em torno de setores estratégicos. De um lado produzia-se a conjunção entre as tecnologias da informação, das telecomunicações e do software do entretenimento, cujos produtos tornavam difusas as diferenças tradicionais entre bens e serviços. Do outro, se afiançava a biotecnologia. Esta amalgamação entre ambos sustentava-se, por sua vez, em uma desmensurada aceleração dos mercados financeiros, dos quais emergiam imensa quantidade de novos produtos, intempestivamente.

O extraordinário dinamismo do capitalismo americano, conseguiu que este modelo se impusesse como formador da economia globalizada. Tanto que as economias européias do Este deveriam capitular ante esta nova realidade. Mesmo que o custo humano e social deste processo globalizador seja profundo e suas conseqüências em termos de estabilidade política estejam ainda por se ver. Uma coisa, porém, é certa: as economias do mundo desenvolvido alcançaram uma aceleração inédita, no sentido do objetivo colimado.

Alguns anos atrás, Alvin Toffler se referia à distinção entre nações lentas e nações rápidas. Este abismo que sempre existiu, faz-se agora superlativo ante a velocidade exponencial que estão adquirindo as economias desenvolvidas. Para a América Latina isto se configura em termos trágicos e dramáticos. Enquanto as economias desenvolvidas se transformam, cada vez mais, no que se denomina de "economias baseadas no conhecimento" as latino-americanas permanecem ancoradas em suas limitações de sempre. Mais ainda, a fratura generalizada dos pilares de sustentação social impostas pela globalização, por todos os lados desta região, afetaram seria e decisivamente nossa ferramenta fundamental de desenvolvimento: a educação. 

Alguns economistas brasileiros, ironicamente, batizaram o nosso País com a alcunha de "Belíndia", isto é, uma mistura entre a Bélgica e a India. Enquanto uns poucos estados do Sudeste do Brasil têm a força econômica da Bélgica, o restante do País se caracteriza pela pobreza da India. A maioria dos países latino-americanos reproduzem esta mesma dualidade, ou seja, alguns poucos nichos econômicos competitivos, levando nas costas uma grande carga de subdsenvolvimento e pobreza. A globalização não tem feito mais do que afiançar, em grau extremo, estas dicotomias, brindando a inserção internacional a uns poucos espaços dinâmicos e retirando do mapa, setores produtivos inteiros. Por este caminho, que somente ampliará as tensões sociais e a instabilidade política , a América Latina dificilmente encontrará a sua saída. Sob esta ordem de fenômenos exatos, somente os países homogêneos, com um alto nível educativo e que saibam inserir-se em uma posição altamente competitiva, parecem estar capacitados para encontrar resposta a esta inquietação.

Ao que tudo indica, o fenômeno da globalização parece tornar cada vez mais incerto o futuro do espaço geopolítico latino-americano.

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