Centro de Estudos de Cultura e História Brasileira

Cor. Av. Manuel Cambeses Júnior - ver o Curriculum Vitae

A História nos permite recordar as inumeráveis ações de patriotas decididos e intrépidos precursores da aviação brasileira, que não se intimidaram ante a magnitude do desconhecido, da limitação de recursos, nem aos constantes perigos de uma atividade aérea ainda no nascedouro, e que encararam o desafio como a grande obra de suas vidas, que foi a ativação do Campo dos Afonsos.

No início do Século XX, um pugilo de notáveis brasileiros e bravos aviadores, movidos pelo nobre ideal de impulsionar a Aviação em nosso país, tiveram a benfazeja ideia de criar um local que viesse a alavancar a então insipiente atividade aérea no Brasil.

Em realidade, os Afonsos iniciara sua centenária trajetória aeronáutica sob o suor de seus valorosos e intrépidos homens, impulsionados pela chama viva do anseio que empolgava seus protagonistas, no sentido de participar intensamente do desenvolvimento da aeronáutica brasileira, ademais de servir à Pátria até ao ato extremo, sacrificial da própria vida.

Em 1912, o Campo dos Afonsos iniciou a sua brilhante trajetória, quando passou a acolher o Aero Club Brasileiro, com o objetivo de criar uma escola de aviação para civis e militares. Dois anos depois, ali foi criada a primeira escola nacional de aviação militar, a Escola Brasileira de Aviação (EBA), que teve duração efêmera.

Campo dos Afonsos 1

Desde então, através dos tempos, por ali desfilaram emblemáticas aeronaves da era de ouro da aviação: o Graf Zepellin, o Arc-en-Ciel, os Blériot, os Boeing, os Waco, e os famosos P-47; ademais de célebres pilotos que se notabilizaram e se transformaram em verdadeiras lendas, como Ricardo Kirk, Edu Chaves, Saint-Exupéry, Jean Mermoz e Henri Guillaumet.

Berço da Aviação Militar Brasileira, o legendário Campo dos Afonsos consolidou-se, através dos anos, como um verdadeiro santuário para pesquisadores da história da aeronáutica brasileira.

O período compreendido entre os anos de 1912 e 1931 foram de grande desenvolvimento para a aviação brasileira, a partir do Campo dos Afonsos, pois, as iniciativas pioneiras concernentes à formação de pilotos e especialistas, ademais da ativação do Correio Aéreo Militar, deram, nesse sítio histórico, os primeiros e significativos passos.

A História registra fatos marcantes envolvendo o Campo dos Afonsos, desde a sua criação. Em 1914, aviões partiram em direção à região do Contestado e engajaram-se em atividades bélicas, e, de forma direta, esteve envolvido nos movimentos revolucionários de 1922, 1924, 1930, 1932 e 1935.

Em 29 de janeiro de 1919 é criada a Escola de Aviação Militar sob a direção da Missão Militar Francesa de Aviação.

Em 21 de maio de 1931 foi criado o Grupo Misto de Aviação sendo substituído, em 1933, pelo Primeiro Regimento de Aviação. Em 1937, o Oitavo Grupo de Aviação foi ativado em substituição ao Regimento.

Em 29 de julho de 1940, a Escola de Aviação Militar passa a designar-se Escola de Aviação do Exército.

Campo dos Afonsos 2

Fato altamente significativo ocorreu em 12 de junho de 1931, quando a aeronave Curtiss Fledgling, de prefixo K-263, tripulada pelo jovens Tenentes Casimiro Montenegro Filho e Nelson Freire Lavenère-Wanderley, decolou do Campo dos Afonsos para uma viagem solitária com destino a São Paulo. O insólito voo foi o primeiro passo para a criação e consolidação do CAM no processo de integração nacional.

Nos últimos 105 anos, o Campo dos Afonsos participou ativamente nas mudanças ocorridas na Aviação Brasileira e contribuiu, decisivamente, para um novo período da História da Aviação que surgiu no Brasil, em 20 de janeiro de 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica. Em 25 de março do mesmo ano foi criada a Escola de Aeronáutica, utilizando-se das mesmas instalações da Escola de Aviação do Exército (antiga Escola de Aviação Militar). Finalmente, em 1957, foi criada a Base Aérea dos Afonsos.

Através desta breve pesquisa histórica procuramos retratar alguns fragmentos da saga do Campo dos Afonsos, local impregnado de fantásticos acontecimentos que muito nos orgulham, e que marcaram, indelevelmente, a historiografia aeronáutica brasileira.

Desejamos que os edificantes exemplos legados pelos bravos e destemidos pioneiros - que deram o melhor de si, com obstinação e comovente denodo, para a materialização de um ardente ideal -, sejam o farol a iluminar as novas gerações, no sentido de preservar a incolumidade desse notável patrimônio histórico-cultural, verdadeiro santuário da Aviação Militar Brasileira.

Campo dos Afonsos 3

Que as sábias palavras do insigne Brigadeiro do Ar Henrique Raymundo Dyott Fontenelle ecoem por muito tempo nos corações e mentes dos brasileiros responsáveis pela preservação desse valoroso sítio histórico, considerado sagrado por várias gerações de aviadores:

-"Não deixeis apagar de vossa memória a nossa Escola, o seu velho, tradicional e já lendário Campo dos Afonsos, onde tanto sacrifício e tanto heroísmo tem sido imolado em holocausto ao mais belo e empolgante de todos os ideais - A Aviação."

* O autor é Conselheiro do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER)

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