Centro de Estudos de Cultura e História Brasileira

Artigo pelo Coronel Av. Luis Mauro Ferreira Gomes; ver Curriculum Vitae

- Excelentíssimo Senhor Subchefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa,

Major-General Piloto Aviador António Afonso dos Santos Allen Revez;

- Ilustríssimo Senhor Chefe da Divisão de Operações do EMFA,

Coronel Piloto Aviador Alberto Manuel Alves Francisco;

- Meus companheiros do Grupo de Estudo do Pensamento Brasileiro.

Para mim, é uma grande honra ter o privilégio de apresentar à Força Aérea Portuguesa, como Vice-Presidente do Clube de Aeronáutica, os agradecimentos do Grupo de Estudo do Pensamento Brasileiro, em nome do Presidente do Clube, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Ivan Moacyr da Frota, que lamenta não ter podido participar desta viagem a Portugal, mas convidou o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Paulo Roberto Cardoso Vilarinho, Diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica para prestigiar nossa comitiva.

Minha emoção é ainda maior por serem todos os ramos de minha família oriundos de Portugal.

Antes de cumprir esta agradável missão, permitam-me explicar, muito resumidamente, o que fazemos e o que nos trouxe aqui.

Há oito anos, foi criado, no Clube de Aeronáutica, o Grupo de Estudo do Pensamento Brasileiro. Com isso, pretendia-se preencher uma lacuna, porquanto, embora já tivessem sido criados vários cursos universitários para esse estudo, muitos em nível de doutorado, por razões inexplicáveis, todos haviam sido extintos.

Com o encerramento do último de que tínhamos conhecimento, organizado na cidade de Juiz de Fora, pelo Professor Doutor Ricardo Velez Rodriguez, tornou-se maior o estímulo para que continuássemos com nossa pesquisa.

Para o preparo dos membros do Grupo, foram ministrados Cursos de Introdução à Filosofia, de História da Filosofia, de Filosofia Política e de Humanidades. Mercê dos conhecimentos adquiridos nesses cursos e nos estudos feitos pelos integrantes do Grupo, foi possível criar o Curso do Pensamento Brasileiro, que já está em sua terceira edição, do qual participam Oficiais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além de civis de diversas origens.

Para tanto, contamos, sempre, com a colaboração do Presidente da Academia Brasileira de Filosofia, o Professor Doutor João Ricardo Moderno, com a organização de seu Vice-Presidente, o Professor Doutor Francisco Martins de Souza, e com a participação de seu corpo de Acadêmicos. Por feliz coincidência, os dois têm, também de ascendência portuguesa, e o Professor Francisco é Doutor em Filosofia, com tese sobre o Pensamento Luso-Brasileiro, orientada pelo Professor Doutor Marcello José das Neves Alves Caetano, um renomado jurista, professor e político português.

Muitas de nossas cidades e vilas tiveram seus nomes inspirados em outras portuguesas, assim, também temos Santarém, Óbidos, Fátima, Alenquer, Bragança, Moura, Santa cruz, Trancoso, e tantas outras homônimas.

Igualmente, a maiorias dos nomes de batismo e dos apelidos de família dos brasileiros são os mesmos dos portugueses.

Logo no início de nossas atividades, percebemos que é impossível compreender o pensamento brasileiro sem conhecer o pensamento português, por isso, dedicamos boa parte do nosso tempo ao estudo do pensamento de que derivamos e de sua participação na formação de nossa identidade nacional.

Estou entre os que não aceitam que o Brasil tenha sido colônia de Portugal. Pelo menos, não no sentido clássico da palavra. Ao contrário do que costuma acontecer com as colônias, Portugal nos criou à sua imagem e semelhança.

Portugal nos deu sua língua. Portugal nos deu sua religião. Portugal nos deu sua organização política e seu ordenamento jurídico.

Portugal nos forneceu sua arquitetura e inspirou nossas artes. Portugal trouxe, para o Brasil, seus melhores cidadãos, que, aqui, construíram toda a infraestrutura de um Estado moderno. Enfim, Portugal nos transmitiu sua cultura.

Quem lançou as bases de tudo isso foi um Português, D. João VI, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, depois, Rei de Portugal. Foi outro Português, filho de D. João, quem proclamou nossa independência e se tornou nosso primeiro Imperador, D. Pedro I. Foi o filho de D. Pedro I, nosso Imperador D. Pedro II, o grande patriota que, no curso de sua longa vida, consolidou nossa independência e transformou o recém-criado Estado brasileiro no grande Império de língua portuguesa na América do Sul, de cujo legado ainda hoje muito nos beneficiamos, apesar da proclamação da república em 1889.

Em mais uma evidência de como nossas Histórias estão entrelaçadas, foi D. João VI, Rei de Portugal, quem reconheceu nossa independência, ao assinar o Tratado do Rio de Janeiro, em 29 de agosto de 1825, e D. Pedro I, depois de abdicar em favor de seu filho, viria a ser o Rei D. Pedro IV, de Portugal.

Os heróis de nossa formação também são venerados em Portugal.

Como justo reconhecimento por tudo isso, D. João VI, D. Pedro I, D. Pedro II e sua filha, a Princesa Isabel, são patronos de cadeiras na Academia Brasileira de Defesa, entidade que tem por finalidade preservar os princípios, os valores, as tradições, as instituições, a soberania e a integridade nacionais, que, hoje, é presidida pelo Tenente-Brigadeiro-do-Ar Ivan Frota, na qual sou, também, seu Vice-Presidente.

Desse modo, não nos sentimos colônia, mas nos vemos como herdeiros de Portugal, seus sucessores no Novo Mundo.

Com a finalidade de conhecer nossas origens e estudar nossa formação é que o Grupo de Estudo do Pensamento Brasileiro veio a Portugal, e, como a maioria de seus integrantes é constituída de Oficias da Força Aérea Brasileira, seria impensável deixar de visitar a Força Aérea Portuguesa.

Como prova do acerto de nossa escolha, os conhecimentos transmitidos por Vossa Excelência e pelo Coronel Francisco foram de inestimável valor para os estudos que faremos quando voltarmos ao Brasil e nos aproximaram, portanto, de nossos objetivos. Agradeço, muito sensibilizado, o apoio que nos deu a Força Aérea Portuguesa, que tornou muito mais agradável e produtiva nossa estada.

Peço ao Coronel-Aviador Araken, Chefe do Departamento Cultural do Clube de Aeronáutica, que lhe faça a entrega de uma coletânea dos ensaios produzidos pelo Grupo de Estudo do Pensamento Brasileiro e da miniatura de uma escultura feita por ele, Coronel Araken – uma cabeça construída com fios entrelaçados nas cores do Brasil – que se tornou o símbolo de nosso Grupo.

Para materializar o reconhecimento do Clube de Aeronáutica e de seu Grupo de Estudo do Pensamento Brasileiro, passo, agora, às mãos de Vossa Excelência esta placa que, esperamos, possa, em sua simplicidade, simbolizar todo o patrimônio cultural que nos une.

Por último, peço-lhe a gentileza de fazer chegar ao Excelentíssimo Senhor Comandante da Força Aérea Portuguesa, General Piloto Aviador José António de Magalhães Araújo Pinheiro, idêntica placa com a qual agradecemos a generosa acolhida que aqui tivemos.

Esperamos, brevemente, recebê-los no Brasil.

Muito obrigado!

Publicado na Revista Aeronáutica nº 283 (abril, maio e junho de 2013) e no Jornal Inconfidência nº 199 (fevereiro de 2014).

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