História de Portugal

D.Afonso I - (1139 - 1185 ) -" O Conquistador"

Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamaram-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique», tradução literal do patronímico Henriques) ou El-Bortukali («o Português»).


NOTA - Neste períodos da História de Portugal, além dos acontecimentos mais importantes relacionados com a História de Portugal, também se descrevem os factos mais importantes da História Universal, que de uma forma directa ou indirecta, também influenciaram a História de Portugal.

D. Afonso Henriques

Ainda que no principio do seu reinado, D. Afonso Henriques fosse obrigado a submeter-se a seu primo Alfonso VII, começou a usar o título de rei, depois da sua vitória sobre os Muçulmanos em Ourique ( 25 de Julho de 1139 ).

Em 1143 o seu primo aceitou a sua autonomia, mas o título de rei só foi formalmente concedido em 1179, quando Afonso Henriques colocou Portugal sob a protecção directa da Santa Sé ( no pontificado de Alexandre III ), prometendo um tributo anual.

A Batalha de Ourique
http://historia-portugal.blogspot.pt/2011/07/batalha-de-ourique.html

 
Em 1131 muda a capital de Guimarães para Coimbra. Em 1135 conquista Leiria. Em 1137 vence os Leoneses na batalha de Cerneja, mas os mouros aproveitando-se das quezílias entre D. Afonso Henriques e o seu primo Afonso VII conquistam o castelo de Leiria, e ameaçam Coimbra. D. Afonso Henriques convence o rei de Leão e Castela a fazer as pazes, em Tui, e reconquista Leiria (1145). 

A seguir lança-se sobre os mouros e vence-os na batalha de Ourique em 25 de Julho de 1139. A partir deste momento D. Afonso Henriques considera-se rei de facto. Comunica essa decisão a Afonso VII, mas este não aceita.

 
Tratado de Zamora - Acordo de paz celebrado, em 1143, entre D. Afonso Henriques e D. Afonso VII de Leão. Após cerca de três anos sem hostilidades entre os dois territórios vizinhos, o encontro de Zamora serviu para definir as cláusulas da paz e, possivelmente, os limites de cada Reino.

Ao mesmo tempo, foi reconhecido o título de rei a D. Afonso Henriques, reafirmando-se os seus laços de vassalagem em relação a Leão, porque Afonso VII considerava-se Imperador e portanto podia ter reis como vassalos.

 
O Tratado de Zamora (1143)
 
O Tratado de Zamora foi um diploma resultante da conferência de paz entre D. Afonso Henriques e seu primo, Afonso VII de Leão e Castela. Celebrado a 5 de Outubro de 1143, esta é considerada como a data da independência de Portugal e o início da dinastia afonsina. Este dia é feriado nacional suspenso em Portugal 1 .
 
Em Zamora, revogou-se o anterior Tratado de Tui datado de 1137.
 
Vitorioso na batalha de Ourique, em 1139, D. Afonso Henriques beneficiou da acção desenvolvida, em favor da constituição do novo Reino de Portugal, pelo arcebispo de Braga, Dom João Peculiar. Este procurara conciliar os dois primeiros e fez com que eles se encontrassem em Zamora nos dias 4 e 5 de Outubro de 1143 na presença do cardealGuido de Vico.
Catedral de Zamora
Pelos termos do tratado, Afonso VII concordou em que o Condado Portucalense passasse a ser Reino, tendo D. Afonso Henriques como seu "rex" (rei). Embora reconhecesse a independência, D. Afonso Henriques continuava a ser vassalo, pois D. Afonso VII para além de ser rei de Leão e Castela se considerava imperador de toda a Hispânia. Contudo nunca D. Afonso Henriques lhe prestou vassalagem, sendo caso único de entre todos os reis existentes na península Ibérica.
 
A soberania portuguesa, reconhecida por Afonso VII em Zamora, veio a ser confirmada pelo Papa Alexandre III só em 1179, mas o título de "rex", que D. Afonso Henriques usava desde 1140, foi confirmado em Zamora, comprometendo-se então o monarca português, ante o cardeal, a considerar-se vassalo da Santa Sé, obrigando-se, por si e pelos seus descendentes, ao pagamento de um censo anual.
 
A partir de 1143 D. Afonso Henriques vai enviar ao Papa remissórias declarando-se seu vassalo lígio e comprometendo-se a enviar anualmente uma determinada quantia de ouro.
 
As negociações vão durar vários anos, de 1143 a 1179.
 
Em 1179 o Papa Alexandre III envia a D. Afonso Henriques a "Bula Manifestis probatum"; neste documento o Papa aceita que D. Afonso Henriques lhe preste vassalagem directa, reconhece-se definitivamente a independência do Reino de Portugal sem vassalagem em relação a D. Afonso VII de Leão e Castela (pois nenhum vassalo podia ter dois senhores directos) e D. Afonso Henriques como primeiro rei de Portugal, ou seja, Afonso I de Portugal.
 
Mosteiro Santa Cruz em Coimbra

Fundou o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (1131), propiciando assim a reunião das dioceses portuguesas à metrópole de Braga, e mandou erigir numerosos castelos fronteiriços, datando de 1135, como já se disse, a fundação do castelo de Leiria, um dos pontos estratégicos para o desenvolvimento da Reconquista. D. Afonso Henriques convoca as primeiras cortes em Lamego em 1143 ( Lendárias)
Tomaria ainda Almada e Palmela, que se entregaram sem luta, conquistando posteriormente, em 1159, Évora e Beja, que perderia pouco depois a favor dos mouros. 

A reconquista de Beja foi de novo possível em 1162, reocupando-se também Évora, com a ajuda de Geraldo Geraldes o Sem Pavor, em 1165. Em 1168 um exército português comandado pelo futuro D. Sancho I atacou Ciudad Rodrigo, mas os portugueses foram derrotados pelo rei leonês.

 

Conquista de Lisboa - (1147)
 
 

A Conquista de Lisboa (1147)
Conquistou Santarém (Março de 1147) e Lisboa (Outubro de 1147), esta com a ajuda de cruzados Ingleses, Franceses, Alemães e Flamengos que iam para a Palestina. Um padre inglês, Gilbert of Hastings, tornou-se o primeiro bispo ( depois da reconquista ) da restaurada sé de Lisboa.


"De expugnatione Lyxbonensi"
 
Osberno é um personagem histórico associado ao cerco de Lisboa em 1147, em que a cidade foi conquistada aos mouros pelo rei Afonso Henriques. O rei português re- cebeu a ajuda decisiva de um grande contingente de cru- zados do norte da Europa que participavam da Segunda Cruzada, e depois da captura de Lisboa foi escrita uma carta, chamada atualmente De expugnatione Lyxbonensi, a qual narra com muitos detalhes a história do cerco.

A narração associada a Osberno, assim como outra carta mais curta do cruzado Arnulfo, são excepcionais como registros contemporâneos desse evento essencial da his- tória das cruzadas e da Reconquista cristã na Península Ibérica. 

 
A carta começa com uma fórmula abreviada de saudação: Osb. de Baldr. R. salutem. As ambiguidades do latim medieval fazem com que seja difícil saber quem foi o autor e quem o destinatário. Tradicionalmente a carta é atribuída a Osb. de Baldr. e é dirigida a R.; porém também é possível que tenha sido escrita por R. e dirigida a Osb..

Este Osb. é justamente Osberno (ou Osberto) de Bawdsey (Suffolk, na Inglaterra). R. é identificado por alguns como um presbítero inglês chamado Raul. A qualidade do latim da carta e as referências eruditas religiosas indicam que o autor era um religioso culto. 

 
A narração associada a Osberno, de imenso valor histórico, faz parte do Códice 470 da Biblioteca do colégio do Corpo de Cristo, da Universidade de Cambridge e está adaptada para português moderno em várias edições.
 
A Conquista de Lisboa - Descrição de Osberno
Cerco de Badajoz - (1169)

Em 1169, D. Afonso Henriques teve que socorrer Geraldo Geraldes o Sem Pavor, que cercava Badajoz, na posse dos muçulmanos mas que o rei de Leão pretendia para si. 

Geraldo já tinha conseguido ultrapassar a muralha exterior mas os mouros resistiam fechados na alcáçova, no entanto os portugueses foram surpreendidos pela chegada de reforços leoneses, que chegaram a ajudar os muçulmanos por interesse, vendo-se obrigados a fugir.

 

Na fuga, porém, D. Afonso Henriques sofreu um acidente, bateu de encontro a uma das portas da muralha, partiu uma perna e foi feito prisioneiro pelos cavaleiros leoneses que o levaram a presença do rei D. Fernando II de Leão, que o tratou com respeito que lhe merecia como pessoa e como sogro, pois tinha casado com D. Urraca filha do rei português.
 

 

 
A libertação do rei foi conseguida em troca de um resgate em dinheiro (cerca de duas toneladas e meia de ouro). e da entrega das praças de Trujillo, Cáceres, Santa Cruz, Monfrague e Montanchez. Os dois soberanos assinaram um tratado de paz em Pontevedra, estabelecendo as fronteiras dos dois reinos. Mais tarde quando os sarracenos atacaram Santarém, Fernando II acudiu em socorro do sogro.
 
 
Este incidente pôs fim à carreira militar do 1º rei de Portugal, na altura com cerca de 61 anos, visto que naquele tempo era impossível recuperar de uma fractura profunda e nunca mais pode montar a cavalo, passando a deslocar-se numa carreta de madeira. 

Seu filho, o futuro D. Sancho I passou a comandar os exércitos portugueses. Em 1158 conquista Alcácer do Sal, de 1165 a 1169 conquista Évora, Beja e Serpa, que voltam a ser perdidas para os muçulmanos que recuperaram grande parte do Alentejo. (Veja-se Cronologia)

 
A Sé do Porto
 

A Catedral (Sé) da cidade do Porto, situada no coração do centro histórico da cidade do Porto, é um dos principais e mais antigos monumentos de Portugal.
 
O início da sua construção data da primeira metade do século XII, e prolongou-se até ao princípio do século XIII. Esse primeiro edifício, em estilo românico, sofreu muitas alterações ao longo dos séculos. Da época românicadatam o carácter geral da fachada com as torres e a bela rosácea, além do corpo da igreja de três naves coberto por abóbada de canhão. A abóbada da nave central é sustentada por arcobotantes, sendo a Sé do Porto um dos primeiros edifícios portugueses em que se utilizou esse elemento arquitectónico.
 
Na época gótica, cerca do ano de 1333, construiu-se a capela funerária de João Gordo, cavaleiro da Ordem dos Hospitalários e colaborador de D. Dinis, sepultado em um túmulo com jacente. Também da época gótica data o claustro (séc XIV-XV), construído no reinado de D. João I. Este rei casou-se com D. Filipa de Lencastre na Sé do Porto em 1387.
 
O exterior da Sé foi muito modificado na época barroca. Cerca de 1736, o arquitecto italiano Nicolau Nasoni adicionou uma bela galilé barroca à fachada lateral da Sé. Cerca de 1772 construiu-se um novo portal em substituição ao românico original. As balaustradas ecúpulas das torres também são barrocas.
 
Claustros góticos da Sé do Porto
 
 
À esquerda da capela-mor, encontra-se um magnífico altar de prata, construído na segunda metade do século XVII por vários artistas portugueses. Este foi salvo das tropas francesas em 1809 por meio de uma parede de gesso construída apressadamente.
 
Ainda nesta área esquerda é especialmente notável a imagem medieval de Nossa Senhora de Vandoma, (padroeira da cidade).
 
No século XVII a capela-mor original românica (que era dotada de um deambulatório) foi substituída por uma maior em estilo barroco. O altar-mor, construído entre 1727-1729, é uma importante obra do barroco joanino, projectado por Santos Pacheco e esculpido por Miguel Francisco da Silva. As pinturas murais da capela-mor são de Nasoni. O transepto sul dá acesso aos claustros do século XIV e à Capela de São Vicente. Uma graciosa escadaria do século XVIII de Nasoni conduz aos pisos superiores, onde os painéis de azulejos exibem a vida da Virgem e as Metamorfoses de Ovídio.
 
A Sé integra três belos órgãos. Um deles, no coro-alto, marca em Portugal um período que dá início ao desenvolvimento organístico. Trata-se de um instrumento do construtor Jann, o mesmo do órgão da igreja da Lapa (Porto), ambos promovidos pelo esforço e iniciativa do Cónego Ferreira dos Santos.
 
A bula "Manifestis Probatus"
 
Portugal Reino Independente ( 1179 ) - Ainda que realmente Afonso VII de Leão, primo de D. Afonso Henriques, aceitasse em 1143 pelo tratado de Zamora, que D. Afonso Henriques usasse o título de Rei de Portugal, só em 1179 a autonomia ou independência de Portugal foi reconhecida pela Santa Sé com a bula "Manifestis Probatus".
 
 
 
Ainda que a dinastia Marroquina dos Almohads voltaram a atacar ( 1179-84 ), quando Afonso I morreu, a fronteira Portuguesa estava firmemente estabelecida no Tejo.

As novas ordens militares, Templários , Calatrava (desde 1156), e Santiago ( desde 1170), etc., governaram castelos e territórios na fronteira, e os Cistercienses foram responsáveis pela introdução da agricultura e arquitectura no centro de Portugal (Alcobaça).

 
 
D. Afonso Henriques , filho do conde D. Henrique e de D. Teresa, nasceu provavelmente na alcáçova de Coimbra nos fins de 1108 ou princípios de 1109. Há no entanto historiadores, que fixam o seu nascimento em Viseu ou Guimarães. 

Casou em 1146 com Mafalda de Sabóia, filha de Amadeu III de Sabóia, e do matrimónio tiveram pelo menos sete filhos, um dos quais o futuro rei Sancho I. Morreu em 6 de Dezembro de 1185 e está sepultado na igreja de Santa Cruz em Coimbra. D. Afonso Henriques arma-se cavaleiro na antiga Igreja de São Salvador em Zamora.

O Mosteiro de Alcobaça

A Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça, fundada por D. Afonso Henriques no coração do imenso território da Estremadura cerca de 1152, constituiu uma das mais importantes casas cistercienses da Península Ibérica e, sem dúvida, a mais plena de significado – político, económico e artístico – no território do emergente Reino de Portugal.
Mosteiro de Alcobaça
Importa, antes de mais, analisar o papel relevante de Bernardo de Claraval na Europa medieval do século XII, cuja acção terá sido essencial para a legitimação do novo Reino. Bernardo de Claraval foi o mentor de Inocêncio II, dos Templários, e o pregador da II Cruzada, tendo sido com o seu apoio que Inocêncio II triunfou sobre o seu rival, o anti-papa Anacleto II, prolongando depois a sua influência sobre a Cúria Romana com a eleição, em 1145, de Eugénio III, antigo monge cisterciense e seu discípulo.
Património Mundial da Unesco
( The Monastery of Santa Maria d'Alcobaça, north of Lisbon, was founded in the 12th century by King Alfonso I. Its size, the purity of its architectural style, the beauty of the materials and the care with which it was built make this a masterpiece of Cistercian Gothic art. )
Certidão de Nascimento de Portugal
 
A Figura de D. Afonso Henriques
 
D. Afonso Henriques foi pedra fundamental na fundação da nacionalidade portuguesa. Embora Oliveira Martins o tenha considerado "um Pelágio" lusitano, corajoso e valente, mas actuando mais como um guerrilheiro do que como general experimentado, é mais merecedor do elogio de Alexandre Herculano, que pede aos portugueses que quando passarem por Coimbra, visitem o seu túmulo na Igreja de Santa Cruz, e lhes prestem homenagem, porque se não fosse ele, não só não existiria a Nação como não existiria o próprio nome de Portugal.
Realmente D. Afonso Henriques foi um brilhante guerreiro e comandante militar e conquistou mais território aos muçulmanos que qualquer outro rei da Península

Serviços de Informações - Espionagem

A actividade de produção de informações foi, ao longo de séculos, desenvolvida num quadro de relações informais estabelecidas entre os monarcas e alguns dos seus oficiais de confiança. Nos primórdios da nacionalidade, a produção de informações esteve ligada às áreas mais sensíveis da governação, designadamente aos processos de reconquista territorial e de unificação política do Reino.

A reconquista foi apoiada, em diversas ocasiões, pela acção de emissários e informadores encobertos. A conquista de Santarém (1147), por exemplo, foi preparada num grande secretismo. D. Afonso Henriques enviou agentes de confiança para se inteirarem do estado das defesas muçulmanas e para o informarem sobre os locais mais vulneráveis a um ataque nocturno.

Durante esse período, as ordens religiosas militares desempenharam um importante papel de vigilância e de recolha de informações.

A Sé de Lisboa
 
A Sé de Lisboa, inicialmente designada de Igreja de Santa Maria Maior, foi mandada construir em 1150 por D. Afonso Henriques, três anos depois de ter conquistado Lisboa aos Mouros.
 
Sé de Lisboa foi construída no local de uma antiga mesquita, para o primeiro bispo de Lisboa, o cruzado inglês Gilbert de Hastings.
Fachada da Sé
Os três terramotos que a devastaram no século XV, bem como o de 1755, foram bastante inclementes para com a Matriz de Lisboa, dedicada a Santa Maria Maior, que sofreu danos e foi sendo renovada ao longo dos séculos.
 
Construída, ao que tudo indica, sobre a antiga mesquita muçulmana, o primeiro impulso edificador da Sé de Lisboa deu-se entre 1147, data da reconquista da cidade, e os primeiros anos do século XIII, projecto em que se adoptou um esquema idêntico ao da Sé de Coimbra, com três naves, trifório sobre as naves laterais, transepto saliente e cabeceira tripartida.
 
Capela de S. Bartolomeu
Nos séculos seguintes deram-se as transformações mais marcantes, com a construção da Capela de Bartolomeu Joanes, do lado Norte da entrada principal, o claustro dionisino, que apesar da sua planta irregular se inclui na tipologia de claustros góticos portugueses e, especialmente, a nova cabeceira com deambulatório, mandada construir por D. Afonso IV para seu panteão familiar.
 
A Sé de hoje é uma mistura de estilos. O interior é de três naves com seis tramos, sendo a central coberta por abóbada de canhão e as laterais por abóbadas de aresta, com um falso trifórioem grande parte do seu perímetro superior. 
 
O transepto é igualmente abobadado, coroado por rosáceas em ambos os topos. A cabeceira, substituída nos reinados de D. Afonso IV e D. João I, seria provavelmente formada por ousia e dois absidíolos semicirculares abobadados. 
 
No coração do templo, o cruzeiro era iluminado por uma torre-lanterna de vários andares, caída em 1755. A fachada, com as duas torres sineiras ameadas, bem como a esplêndida rosácea, mantém um sólido aspecto românico.
 
O escuro interior é na sua maior parte simples e austero e já quase nada resta dos embelezamentos feitos por D. João V na primeira metade do século XVIII. Para lá da nave românica renovada, a charola tem nove capelas góticas.
 
Pia Batismal
Na Capela de Santo Ildefonso pode-se ver o sarcófago do século XIV de Lopo Fernandes Pacheco, companheiro de armas de D. Afonso IV, e da sua esposa Maria Vilalobos. O túmulo está esculpido com a figura barbuda do nobre, de espada na mão, e da esposa, com um livro de orações e os cães sentados a seus pés. Na capela adjacente estão os túmulos de D. Afonso IV e da esposa D. Beatriz.
 
O claustro gótico a que se chega pela terceira capela da charola, tem duplos arcos elegantes com belos capitéis esculpidos. Uma das capelas ainda exibe um portão de ferro forjado do século XIII. 
 
Nos Claustros, as escavações arqueológicas revelaram vestígios árabes, romanos e fenícios.
 
À esquerda da entrada a capela franciscana contém a pia onde o santo foi baptizado em 1195, e está decorada com azulejos que representam Santo António a pregar aos peixes. Na capela adjacente existe um Presépio barroco feito de cortiça, madeira e terracota de Machado de Castro.
Capela Mor
 
O tesouro encontra-se no topo da escadaria, à direita. Abriga uma variada colecção de pratas, trajes eclesiásticos, estatuaria, manuscritos iluminados e relíquias associadas a São Vicente.
 
A peça mais preciosa da catedral é a arca que contém os restos mortais do santo, transferidos do Cabo de São Vicente para Lisboa em 1173. A lenda diz que dois corvos sagrados mantiveram uma vigília permanente sobre o barco que transportava as relíquias. Os corvos e o barco tornaram-se no símbolo da cidade de Lisboa. Diz-se também que os descendentes dos dois corvos originais viviam nos claustros da catedral.
 
Órgãos
 
A Sé de Lisboa alberga três órgãos de períodos diferentes. O instrumento mais antigo encontra-se do lado do Evangelho e foi construído por Joaquim António Peres Fontanes entre 1785 e 1786, conjuntamente com um órgão semelhante do lado da Epístola, que foi transferido para o Panteão Nacional (Igreja de Santa Engrácia) nos anos 60 para permitir a instalação do novo órgão Flentrop.  O órgão Peres Fontanes tem um manual e pedaleira e neste momento já não se encontra operacional. 
 
O órgão da Epístola foi construído por D. A. Flentrop em 1964 e restaurado em 2012, também pelo mesmo atelier de organaria.  O órgão tem 51 registos, quatro manuais e pedaleira.
O reino e a reconquista.

D.Sancho I (1185-1211) - "O Povoador"

Nos últimos anos do seu reinado, Sancho envolveu-se numa disputa com o Papa Inocêncio III sobre o pagamento do tributo devido à Santa Sé e com o Bispo do Porto, que recebia apoio de Inocêncio III. Mas a paz foi feita depois da sua morte, e deixou ao seu filho Afonso II, o Gordo (1211-1223), o esforço de aumentar o poder do trono à custa da Igreja.
 
Sancho I
 
Sancho I casou em 1174 com Dulce de Aragão, irmã do seu soberano reinante Afonso II. Morreu talvez com lepra com 57 anos e encontra-se sepultado na Igreja de Sta. Cruz em Coimbra.

Conquista a importante cidade de Silves, a 3 de Setembro de 1189. No entanto a conquista dura pouco, e Silves que já tinha sido anteriormente conquistada por Fernando Magno de Leão em 1060 e depois perdida, volta a cair nas mãos dos árabes em Abril de 1191, conquistada por Ibne Juçufe.
 
Durou pouco o título que D. Sancho I tinha adoptado de : "Sancius, Dei Gratia, Portugallis Rex, Silvis et Algarbii Rex". Concedeu diversos forais, em especial a localidades da região da Beira e de Trás-os-Montes, entre as quais Gouveia, Covilhã, Viseu, Avô, Bragança, Pontével e a futura cidade da Guarda. 

Doou terras e castelos às ordens militares (Hospitalários, Templários, Calatrava, Santiago) reconhecendo e reforçando o papel militar e económico que estas últimas desempenharam.

 
Sé da Guarda
O Foral da Guarda foi concedido em 27 de Novembro de 1199. D. Sancho I nasceu a 11 de Novembro de 1154, em Coimbra, filho de D. Afonso Henriques e de D. Mafalda. Casou em 1174 com D. Dulce de Aragão e morreu também em Coimbra em 26 de Março de 1211.
 
Forais ou Cartas Forais
 
Forais ou cartas forais eram diplomas concedidos pelo rei ou por um senhor laico ou eclesiástico, a um determinado local, dotando-o de autoridade legítima na regulação da vida colectiva da população.
 
Foral da Guarda

Embora a extensão e o conteúdo das cartas forais fossem variáveis, estas caracterizavam-se, em termos gerais, por serem uma lei escrita (carta firmada, testemunhada e confirmada), orgânica (organizadora de um determinado aglomerado social), local (actuante dentro de fronteiras territoriais definidas), ou relativa (aplicável às relações económico-sociais internas, recíprocas entre habitantes e a autoridade outorgante). 
 
Eram, portanto, consignadas liberdades e garantias às pessoas e aos seus bens, estipulados impostos e tributos, multas e composições, o serviço militar, imunidades colectivas, aproveitamentos dos terrenos comuns, etc.
 
A Coroa tinha particular interesse nos forais porque estes funcionavam como fontes de receitas, sendo dinamizadores da economia nacional, ao mesmo tempo que fortaleciam o poder central.
Os forais entraram em decadência no século XV, tendo sido exigida pelos procuradores dos concelhos a sua reforma, o que viria a acontecer no reinado de D. Manuel. Foram extintos por Mouzinho da Silveira em 1832. 
 

A Conquista de Silves

Resumo A 15 de Julho de 1189, era rei de Portugal D. Sancho I, a hoste do alferes-mor D. Mendo de Sousa, chega diante de Silves, levanta acampamento e começa no dia seguinte os trabalhos preliminares do cerco. E logo que a larga fila de navios (galés portuguesas e frota de Cruzados), subindo o rio, ancora diante da praça de Silves, D. Mendo de Sousa propõe aos chefes Cruzados um assalto de surpresa às muralhas.

A proposta de D. Mendo foi aceite. Este ataque foi tão forte, que os Mouros, tomados pelo pânico, abandonaram as muralhas refugiando-se na almedina, seu último refúgio. Na madrugada seguinte, os cristãos fazem uma nova investida contra os Mouros, tentando conquistar a almedina. O ataque fracassou e os Cristãos retrocederam, aproveitando a pausa para se reorganizar e reconstruir as máquinas de guerra.

Com a chegada da hoste real com D. Sancho, a 29, começou o assédio em força. Um novo ataque foi realizado, e mais uma vez os Mouros refugiaram-se na almedina e não se deixaram vencer.


Durante dias, o desalento, a impaciência, a fadiga desmoralizaram os Cruzados. Pensou-se em levantar o cerco. D. Sancho, obstinado, impôs a sua autoridade real. Os Cruzados, por fim, submeteram-se e resolveram prolongar o cerco. Por fim, a 3 de Setembro de 1189, morta toda a esperança, os Mouros, exaustos, capitularam.

Castelo de Silves
Comentário - Apesar de todo esta luta e sofrimento para cristãos e muçulmanos, Silves que já tinha sido anteriormente conquistada por Fernando Magno de Leão em 1060 e depois perdida, volta a caír nas mãos dos árabes em Abril de 1191, conquistada por Ibne Juçufe. Tinha durado pouco o título que D. Sancho I tinha adoptado de :" Sancius, Dei Gratia, Portugallis Rex, Silvis et Algarbii Rex"
 
Parece que cruzados alemães a voltaram a tomar em 1198, voltou a ser perdida e só foi definitivamente reconquistada para Portugal em 1240, já no reinado de D. Sancho II, por D. Paio Peres Correia mestre da Ordem de San´Tiago que num golpe de sorte, aproveitando a saída das tropas de Almansor, que tinha abandonado a cidade, deixando-a indefesa, para atacar Estombar. 
 
Nessa refrega o próprio Almansor depois de derrotado, procura fugir, morre afogado num pego dos arredores de Portimão, que durante muito tempo foi conhecido pelo «pego de Almansor». Esta segunda conquista de Silves e de todo o Algarve, entrou mais facilmente do que a primeira, nos domínios da lenda e fantasia para escritores e poetas.
Arquitectura românica em Portugal
 

A manifestação da arquitectura românica no território nacional (do Minho ao Alentejo) teve início no princípio do século XII e prolongou-se até finais do século XIII.
 
A Arquitectura românica em Portugal, tal como o românico em toda a Europa, tinha como principal função a construção de castelos, fortificações e também igrejas.
 
Durante a Reconquista, de que nasceu Portugal, a arte peninsular não muçulmana continuava, na maior parte, os velhos modelos visigóticos, quer revestindo as formas moçárabes duma arte popular, do cristão submetido, a qual fundia elementos da tradição hispano-visigótica com os de origem cordovesa, quer adquirindo características ainda mais originais no reino das Astúrias, onde a remota arte visigótica se esfumara com a influência carolíngia, lombarda e romana.
 
Os templos cristãos de então eram pesados, com paredes muito grossas, poucas aberturas e iluminação. A planta era normalmente em cruz latina, com três naves, duas laterais mais pequenas, e uma central mais larga; eram separadas por arcadas ou grossas colunas de pedra. A cobertura era feita em abóbada de berço ou de arestas.
 
Anexados à igreja estavam o campanário (torre sineira), o baptistério e por vezes claustros fortificados, que para além de terem a sua função religiosa serviam de refúgio para os populares durante ataques à povoação.
 
Um dos melhores expoentes do românico em Portugal é a Sé Velha de Coimbra, cuja construção data do século XII.
 
Arquitetura românica de peregrinação
 
 
A planta é em cruz latina com três a 5 naves abobadadas em pedra. A cabeceira ou charola é constituída por ábside, absidíolos e deambulatório. Estas igrejas eram dotadas para receber grandes multidões e procissões, pelo que havia a necessidade do deambulatório, que permitia o decorrer normal das cerimónias simultaneamente com as procissões passando atrás do altar. 
 
O trifório, galeria semi abobadada aberta para a nave central, era colocado sobre as naves laterias mais baixas, iluminado pelo clerestório.
 
O narthex precedia a entrada e era reservado aos catecúmenos. No alçado da entrada são colocadas 2 torres ou westwerk.
 
O sistema estrutural é conseguido através de contrafortes para suportar o peso, paredes compactas e poucas aberturas, cobertura em abóbada de canhão e abóbada de aresta na nave central. É feita uma divisão vertical em 2 planos, com uma galeria espaçosa sobre os arcos principais, os arcos laterais e transversais do interior são sustentados por apoios independentes.
 
Domus Municipalis em Bragança -Arquitetura Românica Civil
Quando a Reconquista chegou ao sul do país, o românico estava a terminar. A planta da Sé de Évora é de três naves com transepto muito saliente e tradicional lanterna no cruzeiro. É, no entanto, o mais nacional dos monumentos portugueses, pois assimilou as formas eruditas às tradicionais populares. A Ordem de Cister trouxe, com a sua reforma, uma arte mais austera com o emprego de arcos apontados e abóbadas de berço quebrado, como em São João de Tarouca, o primeiro mosteiro da ordem fundado em 1140.

Igrejas menores, como as de Santa Maria de Fiães, Santa Maria de Aguiar e Santa Maria do Bouro, filiam-se neste grupo, em que se impõe, pelas dimensões, o mosteiro de Alcobaça. A cabeceira, com deambulatório e capelas radiantes de abóbadas de berço, é antiga, ao lado das construções dos arcos botantes exteriores. Ao longo da sua construção medieval, o mosteiro de Alcobaça ilustra a passagem da arquitectura cisterciense do românico para o gótico.

 
D. Afonso II - "O Gordo" ou o "Gafo" (1211 - 1223)

Ainda que Afonso II não fosse um rei com ardor guerreiro, os seus homens de armas estiveram ao lado dos Castelhanos comandados por Afonso VIII de Castela, na grande victória Cristã de Navas de Tolosa em 1212, e novamente com a ajuda dos cruzados, reconquistou Alcácer do Sal em 1217.
 
 
Entretanto Afonso II não aceitou as doações de grandes terras e propriedades feitas pelo seu pai aos seus irmãos, aceitando só as dadas às suas irmãs, depois de uma guerra com Leão, e com a condição, garantida pelo papa, de que lhe reconheceriam a sua soberania.
 
No primeiro ano do seu reinado, Afonso II convocou as cortes em Coimbra, para as quais só foram citados a nobreza e o clero ( os representantes do povo não apareceram nas Cortes até 1254). Ambos os estados obtiveram grandes concessões; de facto, a posição da igreja e das ordens religiosas era agora tão forte que Afonso II e os seus sucessores viram-se envolvidos em constantes conflitos com Roma.

O próprio Afonso II instituiu ( desde 1220) AS INQUIRIÇÕES, ou comissões reais, para investigar a natureza das concessões e retomar tudo aquilo que tinha sido ilegalmente tomado à coroa. Nos seus últimos anos, Afonso II que sofria de lepra e obesidade, teve problemas com o arcebispo de Braga, que era apoiado pelo papa Honório III, desafiou o papado e foi excomungado.

D. Afonso II era filho de D. Sancho I e de D. Dulce, nasceu em Coimbra 1185 e morreu na mesma cidade ( provavelmente de lepra ) em 1223. Casou com D. Urraca filha de D. Afonso VIII de Castela.

A Batalha de Navas de Tolosa

 
História da Batalha - (16 de Julho de 1212)
 
Detendo o avanço dos Almóades na Península Ibérica, os reis de Castela, Aragão, Navarra, Leão e Portugal fizeram reunir um exército coligado contra as tropas do Califa al-Nasir, derrotadas por completo nesse dia.
 
Esta importante e sanguinolenta batalha foi das mais renhidas da Alta Idade-Média, marcando uma data decisiva para a Reconquista na Espanha. 
 
As Fronteiras meridionais de Castela nunca mais recuaram. A batalha ganhou assim foros de autêntica Cruzada Ibérica contra os Muçulmanos, constituindo, portanto, um momento marcante da chamada Reconquista.
 
Batalha de Navas de Tolosa
O contingente Português, a arraia miúda dos concelhos e a Cavalaria do Templo, sob o comando de Afonso II, tais prodígios de valor obraram, assinalados por vários cronistas, que essa batalha de Navas foi, o baptismo de sangue do novo reino cristão entre os demais da península, a sua carta de nobreza e valentia, o reconhecimento universal da sua robustez e do valor do seu esforço na defesa da grande causa da cristandade.
 
A Batalha das Navas de Tolosa (em árabe Al - Uqab, معركة العقاب), conhecida simplesmente como "A Batalha" nas crónicas da época, foi travada em , perto de Navas de Tolosa, na actual Espanha
 
D. Sancho II " O Capelo" (1223-1248)

Pouco se sabe do reinado de Sancho II (1223-talvez 1246), mas no seu reinado efectuou-se a reconquista total do Alentejo e de algumas partes do Algarve. Na sua subida ao trono, Sancho II encontrou a igreja em grande ascendência, devido às concessões feitas pelo seu pai antes de morrer

Existem alguns documentos do próprio governo de Sancho II relatando os conflitos, mas os últimos anos do seu reinado parecem ter deslizado em pura anarquia.
 
Durante estes acontecimentos, ao seu irmão mais novo Afonso, que se tornou conde de Bolonha por casamento (1238) com Matilde, filha do conde Conde Raynald I de Dammartin, foi apresentada uma comissão enviada pelo papa (1245) pedindo-lhe que tomasse o poder em Portugal, e depondo Sancho II por uma bula papal.
 
Sancho II
 
Quando Afonso chegou a Lisboa ( finais de 1245 ou princípio de 1246), recebeu o apoio da Igreja e dos habitantes de Lisboa e outras cidades. Depois de uma guerra civil que durou dois anos, Sancho II retirou-se para Toledo, morrendo ali em Janeiro de 1248.

D. Sancho II, quarto rei de Portugal, nasceu em Coimbra em 1209, e morreu em Toledo em 4 de Janeiro de 1248. Era filho de D. Afonso II e de Urraca, neto, pelo lado materno do rei de Castela, Afonso VIII, e de Leonor de Inglaterra. Subiu ao trono em Março de 1233.

 
Herdou o trono com 13 anos e embora sendo bom guerreiro, digno continuador de D. Afonso Henriques, foi fraco administrador e político, completamente incapaz de resolver os problemas do reino, deixados pelo seu pai e vítima da sua falta de habilidade política acabou por ser deposto pelo Papa, a favor de seu irmão D. Afonso III.

Casou em data incerta, mas não antes de 1240, com D. Mécia Lopes neta de Afonso IX de Leão. Não teve filhos. Morreu talvez com lepra com 45 anos e está sepultado na Catedral de Toledo.

 
D. Afonso III ( 1248- 1279 ) - O Bolonhês

Á sua chegada o conde de Bolonha ( por ser casado com D. Matilde condessa de Bolonha ) tinha-se auto-proclamado rei como Afonso III, mas a morte de Sancho II sem descendentes deu a esta usurpação um manto de legalidade.
 
D. Afonso foi regente ( visitador, procurador ou defensor do reino de 1245-1248)Uniu o reino dividido, completou a reconquista do Algarve, transferiu a capital de Coimbra para Lisboa em 1256, e, fortificou-a com a edificação de torres, convocou as Cortes em Leiria nas quais foram convocados pela primeira vez em Portugal os representantes das municipalidades ( Representantes do Povo).

A sua conquista do Algarve provocou a inveja de Castela. Travaram-se duas campanhas, nas quais seguramente Afonso III foi perdedor, porque a paz foi feita através do seu pacto de casamento com a filha do rei de Castela.

 
Ainda que marido de Matilde de Bolonha, Afonso III casou com Beatriz, filha ilegítima de Afonso X de Castela, mantendo-se o território em disputa do Algarve como um feudo de Castela até ao momento em que o filho mais velho do matrimónio atingisse a idade de sete anos, altura em que o Algarve passaria para Portugal.

Este casamento levou-o a uma disputa com a Santa Sé, na qual Afonso III foi declarado interdito. Apesar da sua ligação inicial com Roma, recusou-se a obedecer ao Papa; e em 1263 o seu casamento bígamo foi legalizado, e o seu filho mais velho, Dinis, foi legitimado. Afonso III lançou INQUIRIÇÕES, que resultaram com que a igreja fosse privada de muitas propriedades.

 
Nobreza, clero e povo
 
Os prelados protestaram contra estas acções das comissões reais, e a maioria deles abandonou seguidamente o país. Ainda que Afonso III fosse excomungado e ameaçado com a deposição, continuou a desafiar a igreja até pouco antes da sua morte em 1279.

Os logros conseguidos no reinado de Afonso III foram principalmente


Completar a reconquista
Assegurar o poder real perante a igreja
Incorporar os representantes do povo nas Cortes
indicando para a época, importantes avanços institucionais.

Em 1254, D. Afonso III convocou representantes das três ordens estatais (clero, nobreza e povo) para a realização de um conselho magno, em Leiria. A partir dessa data, a velha cúria de nobres e clero deu origem a uma nova instituição, surgindo o conceito de “pacto político” entre o monarca e os seus súbditos. Em 1255 mudou a capital de Coimbra para Lisboa.

Com o passar dos séculos, as Cortes que se realizaram na igreja de São Pedro, dentro da muralha do Castelo de Leiria, deram origem ao moderno Parlamento.


D. Afonso III era o segundo filho de D. Afonso II e de D. Urraca, e nasceu provavelmente em Coimbra em 5 de Maio de 1210. Casou inicialmente com D. Matilde, condessa de Bolonha em 1238, e o seu segundo casamento com D. Beatriz filha ilegítima de D. Afonso X - O Sábio, só foi legalizado em 1263. Morreu a 16 de Fevereiro de 1279 com reumatismo e está sepultado em Alcobaça. D. Afonso III e sucessores, passam a denominar-se "Reis de Portugal e dos Algarves".

Em 1269, Os primeiros monges do Mosteiro de Alcobaça, abrem a primeira escola pública.

A Conquista do Algarve

O rei de Niebla e emir do Algarve, para obstar às conquistas perpetradas pelos Portugueses nos seus territórios, fez-se vassalo de Afonso X de Castela (o qual passou por isso também a usar o título de Rei do Algarve entre as suas múltiplas conquistas), cedendo-lhe o domínio do Algarve português. 

 
Assim, muito provavelmente, a intitulação de Afonso III de Portugal serviria como reacção a esta tomada de posição pelo vizinho castelhano, destinando-se a fortalecer os direitos do monarca português sobre a região em causa (pois que, como já foi dito, à intitulação e ao estatuto de reino não correspondia nem foros nem privilégios nem autonomia própria).

A questão acabou por ser dirimida entre os soberanos de Castela e de Portugal, pelo tratado de Badajoz de 1267; o rei Afonso X desistia das suas pretensões sobre o antigo Gharb al-Ândalus, fazendo do seu neto D. Dinis o herdeiro do trono do Algarve, o que ditava a sua incorporação a prazo na coroa portuguesa. 

 
Reservava, porém, a utilização do título por si e pelos seus descendentes, dado ter adquirido em 1262 os restos do reino de Niebla/ Algarve, situados já além do Odiana – os demais reis de Castela, e depois da Espanha, até à subida ao trono da rainha Isabel II (1833), continuaram a usá-lo entre os seus diversos títulos.

 

Papa João XXI - Pedro Julião ou Pedro Hispano - Filósofo - Médico Ilustre  

Pedro Julião, ou Pedro Hispano, nasce em Lisboa, no então Reino de Portugal, em data não conhecida, mas seguramente antes de 1226, filho de Julião Rebelo, médico, cuja profissão segue, e de Teresa Gil (embora Luís Ribeiro Soares defenda que possa ter sido filho do chanceler de D. Sancho I, Mestre Julião Pais).
 
Começou os seus estudos na escola episcopal da catedral de Lisboa, tendo mais tarde estudado na Universidade de Paris (alguns historiadores afirmam que terá sido na Universidade de Montpellier) com mestres notáveis, como São Alberto Magno, e tendo por condiscípulos São Tomás de Aquino e São Boaventura, grandes nomes do cristianismo. Lá estuda medicina e teologia, dedicando especial atenção a palestras de dialética, lógica e sobretudo a física e metafísica de Aristóteles.
 
Entre 1246 e 1252 ensinou medicina na Universidade de Siena, onde escreveu algumas obras, de entre as quais se destaca o Tratado Summulæ Logicales que foi o manual de referência sobre lógica aristotélica durante mais de trezentos anos, nas universidades europeias, com 260 edições em toda a Europa, traduzido para grego e hebraico.
 
Brasão de Armas de João XXI
Prova da sua vastíssima cultura científica encontra-se na obra De oculo, um tratado de Oftalmologia, que conhece ampla difusão nas universidades europeias. Quando Miguel Ângelo adoece gravemente dos olhos, devido ao árduo labor consumido na decoração da Capela Sistina, encontra remédio numa receita de Pedro Julião. 
 
De sua autoria, o ‘Thesaurus Pauperum’ (Tesouro dos pobres), em que trata de várias doenças e suas curas, com cerca de uma centena de edições e traduzido para 12 línguas.
 
Já no domínio da Teologia, é autor de Comentários ao pseudo-Dionísio e Scientia libri de anima. Encontra-se por publicar a obra De tuenda valetudine, manuscrita em Paris, dedicada a Branca de Castela, esposa do rei Luís VIII de França, filha de Afonso IX de Castela.
 
Antes de 1261, ano em que é eleito decano da Sé de Lisboa, Pedro Julião ingressa no sacerdócio. O rei Afonso III de Portugal confia-lhe o priorado da Igreja de Santo André (Mafra) em 1263, posto o que é elevado a cónego e deão da Sé de Lisboa, Tesoureiro-mor na Sé do Porto e Dom Prior na Colegiada Real de Santa Maria de Guimarães.
 
A sociedade feudal
 
A sociedade feudal era composta por três "estamentos" (três grupos sociais com status fixo): o clero, a nobreza e os camponeses. Apresentava pouca ascensão social e quase não existia mobilidade social (a Igreja foi uma forma de promoção, de mobilidade).

O clero tinha como função oficial rezar. Na prática, exercia grande poder político sobre uma sociedade bastante religiosa, onde o conceito de separação entre a religião e a política era desconhecida. Mantinham a ordem da sociedade evitando, por meio de persuasão e criação de justificativas religiosas, revoltas e contratações camponesas.

A nobreza (também chamados de senhores feudais) tinha como principal função guerrear, além de exercer considerável poder político sobre as demais classes.

O Rei lhes cedia terras e estes lhe juravam proteção (relações de suserania e vassalagem).

Os servos da gleba constituíam a maior parte da população camponesa, eles eram presos à terra e sofriam intensa exploração, eram obrigados a prestarem serviços à nobreza e a pagar-lhes diversos tributos em troca da permissão de uso da terra e de protecção militar.

Embora geralmente se considere que a vida dos camponeses fosse miserável, a palavra "escravo" seria imprópria. Para receberem terras de seus senhores, assim como entre nobres e reis, juravam-lhe fidelidade e trabalho vassalagem.

 
Tributos e impostos da época 
 
As principais obrigações dos vassalos consistiam em: 
 
Corvéia: trabalho gratuito nas terras do senhor em alguns dias da semana; 
 
Talha: Parte da produção do servo deveria ser entregue ao nobre 
 
Banalidade: tributo cobrado pelo uso de instrumentos ou bens do feudo, como o moinho, o forno, o celeiro, as pontes; 
 
Capitação: imposto pago por cada membro da família (por cabeça); 
 
Tostão de Pedro ou dízimo: 10% da produção do servo era pago à Igreja, utilizado para a manutenção da capela local; 
 
Censo: tributo que os vilões (pessoas livres, vila) deviam pagar, em dinheiro, para a nobreza; 
 
Taxa de Justiça: os servos e os vilões deviam pagar para serem julgados no tribunal do nobre; 
 
Formariage: quando o nobre resolvia se casar , todo servo era obrigado a pagar uma taxa para ajudar no casamento, era também válida para quando um parente do nobre iria casar. 
 
Mão Morta: Era o pagamento de uma taxa para permanecer no feudo da família servil, em caso do falecimento do pai da família. 
 

D. Dinis I (1279 - 1325) - "O Lavrador"


O rei D. Dinis I , que foi mandado educar esmeradamente pelo seu pai, foi modelar como soberano, no domínio da politica. Fomentou a agricultura; incentivou a distribuição e circulação da propriedade, favorecendo o estabelecimento de pequenos proprietários. ; mandou enxugar pântanos para distribuir a terra a colonos; semeou pinhais (Leiria etc.); concedeu várias minas e mandou explorar algumas por sua conta; desenvolveu as feiras.
 
D.Dinis
 
Reorganizou a marinha, contratando para isso o almirante genovês Emmanuele Pesagno (1317); resolveu habilmente o problema dos Templários ( perseguidos por Filipe o Belo rei de França, que conseguiu do Papa a sua extinção), criando para isso a Ordem de Cristo.
 
Finalmente fundou a Universidade de Coimbra em 1290 (primeiro em Lisboa) e foi ele próprio um protector da literatura. No entanto ficou famoso como "o rei lavrador" pelo seu interesse pela terra. O português torna-se a língua oficial do país.
 
A corte régia era um centro de cultura, distinguindo-se o próprio monarca pelos seus dotes de poeta. D. Dinis preocupou-se também com a defesa do reino, promovendo a construção de castelos e novas muralhas em redor das cidades
 
Apesar do seu apego às artes e à paz, Portugal esteve muitas vezes envolvido em lutas durante o seu reinado. Em 12 de Setembro de 1297 o Tratado de Alcañices com Castela confirmava-lhe a posse do Algarve e dava-lhe uma aliança entre Portugal e Castela.

O acordo fixava os limites fronteiriços de Portugal, e estabelecia que a Portugal pertenciam as povoações de Campo Maior, Olivença e territórios vizinhos, em troca de Aroche e Aracena.

 

D. Dinis I de Portugal (Lisboa [?], 9 de outubro 1261 — Santarém. 7 de janeiro de 1325) foi o sexto rei na Lista de reis de Portugal, com o cognome o Lavrador pelo grande impulso que deu à agricultura e ampliação do pinhal de Leiria ou o Rei-Poeta devido à sua obra literária.
Filho de D. Afonso III de Portugal e da infanta Beatriz de Castela, foi aclamado em Lisboa em 1279, tendo subido ao trono com 17 anos. Em 1282 desposou Isabel de Aragão, que ficaria conhecida como Rainha Santa. Morreu com 64 anos e está sepultado no Mosteiro de Odivelas.
 
 
Ao longo de 46 anos a governar os Reinos Portugal e dos Algarves foi um dos principais responsáveis pela criação da identidade nacional e o alvor da consciência de Portugal enquanto estado-nação: em 1297, após a conclusão da Reconquista pelo seu pai, definiu as fronteiras de Portugal no Tratado de Alcanizes, prosseguiu relevantes reformas judiciais, instituiu a língua Portuguesa como língua oficial da corte, criou a primeira Universidade portuguesa, libertou as Ordens Militares no território nacional de influências estrangeiras e prosseguiu um sistemático acréscimo do centralismo régio. 
 
Bat. Naval do Cabo Espichel
A sua política centralizadora foi articulada com importantes acções de fomento económico - como a criação de inúmeros concelhos e feiras. D. Dinis ordenou a exploração de minas de cobre, prata, estanho e ferro e organizou a exportação da produção excedente para outros países europeus.

Em 1308 assinou o primeiro acordo comercial português com a Inglaterra. Em 1312 fundou a marinha Portuguesa, nomeando 1º Almirante de Portugal, o genovês Manuel Pessanha, e ordenando a construção de várias docas.

 
Foi grande amante das artes e letras. Tendo sido um famoso trovador, cultivou as Cantigas de Amigo, de Amor e a sátira, contribuindo para o desenvolvimento da poesia trovadora península Ibérica. Pensa-se ter sido o primeiro monarca português verdadeiramente alfabetizado, tendo assinado sempre com o nome completo. 
 
Culto e curioso das letras e das ciências, terá impulsionado a tradução de muitas obras para português, entre as quais se contam os tratados de seu avô Afonso X, o Sábio. Foi o responsável pela criação da primeira Universidade portuguesa, inicialmente instalada na zona do actual Largo do Carmo, em Lisboa e por si transferida, pela primeira vez, para Coimbra, em 1308. Esta universidade, que foi transferida várias vezes entre as duas cidades, ficou definitivamente instalada em Coimbra em 1537, por ordem de D. João III.
 
Entre 1320 e 1324 houve uma guerra civil que opôs o rei ao futuro Afonso IV. Este julgava que o pai pretendia dar o trono a Afonso Sanches. Nesta guerra, o rei contou com pouco apoio popular, pois nos últimos anos de reinado deu grandes privilégios aos nobres. O infante contou com o apoio dos concelhos. Apesar dos motivos da revolta, esta guerra foi no fundo um conflito entre grandes e pequenos.
 
Após a sua morte, em 1325 foi sucedido pelo seu filho legítimo, Afonso IV de Portugal, apesar da oposição do seu favorito, o filho natural Afonso Sanches.
 
O rei de Castela abandonou ainda todas as pretensões sobre o Sabugal, Castelo Rodrigo, Almeida, Castelo Melhor, Monforte, Valência, Ferreira e Esparregal. O tratado estabelecia ainda dois casamentos reais entre portugueses e castelhanos: D. Constança (filha de D. Dinis) com D. Fernando IV, e D. Beatriz (irmã do rei castelhano) com o herdeiro do trono português, o futuro D. Afonso IV.

D. Dinis convoca as suas primeiras cortes em Évora ( 1282).

Nos últimos anos do reinado de Dinis I, o seu filho, o futuro Afonso IV, rebelou-se contra o pai mais do que uma vez, sendo persuadido a submeter-se pela influência da sua mãe D. Isabel, filha de Pedro III de Aragão.

Universidade de Coimbra (1290)
 
A Universidade de Coimbra (sigla: UC) GCSE é uma universidade localizada na cidade de Coimbra, em Portugal. É uma das universidades mais antigas ainda em operação do mundo e a mais antiga de Portugal. A sua história remonta ao século seguinte ao da própria fundação da nação portuguesa, dado que foi criada em 1290, mais especificamente a 1 de março, quando o Rei D. Dinis I assinou em Leiria o documento Scientiae thesaurus mirabilis, o qual criou a própria universidade e pediu ao Papa a confirmação.
 
A bula do Papa Nicolau IV, datada de 9 de agosto de 1290, reconheceu o Estudo Geral, com as faculdades de Artes, Direito Canónico, Direito Civil e Medicina, reservando-se a Teologia aos conventos Dominicanos e Franciscanos.
 
A universidade, inicialmente instalada na zona do actual Largo do Carmo, em Lisboa, foi transferida para Coimbra, para o Paço Real da Alcáçova, em 1308. Voltou em 1338 para Lisboa, onde permaneceu até 1354, ano em que regressou para Coimbra. Ficou nesta cidade até 1377 e voltou de novo para Lisboa neste ano. Permaneceu em Lisboa até 1537, data em que foi transferida definitivamente para Coimbra, por ordem de D. João III.
 
Universidade de Coimbra
A universidade recebeu os seus primeiros estatutos em 1309, com o nome Charta magna privilegiorum. Os segundos estatutos foram outorgados no ano de 1431, durante o reinado de D. João I, com disposições sobre a frequência, exames, graus, propinas e ainda sobre o traje académico. Já no reinado de D. Manuel I, em 1503, a Universidade recebeu os seus terceiros estatutos, desta vez com considerações sobre o reitor, disciplinas, salários dos mestres, provas académicas e cerimónia do ato solene de  doutoramento.
 
Desde o reinado de D. Manuel I, todos os Reis de Portugal passaram a ter o título de «Protectores» da Universidade, podendo nomear os professores e emitir estatutos. O poder real, bastante mais centralizado a partir de D. João II, criava uma dependência da universidade em relação ao Estado e à política, pelo que a preponderância dos estudos jurídicos se estabeleceu em Portugal.
 
Modernamente está organizada em oito faculdades diferentes, de acordo com uma variedade de campos de conhecimento, a universidade oferece todos os graus académicos em arquitetura, educação, engenharia, humanidades, direito, matemática, medicina, ciências naturais, psicologia, ciências sociais e desporto.
 
A Universidade de Coimbra possui aproximadamente 20 mil estudantes, abrigando uma das maiores comunidades de estudantes internacionais em Portugal, sendo a sua universidade mais cosmopolita Além disso, é o membro-criador do chamado Grupo Coimbra, uma rede de universidades europeias cujo objetivo é a colaboração académica entre elas.
 
Em 22 de junho de 2013 foi declarada Património Mundial pela UNESCO.

Música medieval 
 
Música medieval é o termo dado à música típica do período da Idade Média durante a História da Música ocidental europeia. Esse período iniciou com a queda do Império Romano e terminou aproximadamente no meio do Século XV. Determinar o fim da Era medieval e o início da Renascença pode ser arbitrário; aqui, para fins do estudo de Música, vamos considerar o ano de 1401, o início do Século XV.
 
Melodia gregoriana - A rápida expansão do cristianismo exige um maior rigor do Vaticano, que unifica a prática litúrgica romana noséculo VI. 
 

 
O papa Gregório I (São Gregório, o Magno) institucionalizou o canto gregoriano, através de uma reforma litúrgica, que se tornou modelo para a Europa católica. 
 
A notação musical sofre transformações, e os neumas são substituídos pelo sistema de notação com linhas a partir do trabalho de vários sacerdotes cristãos, sobretudo, Guido D'Arezzo (992-1050); que foi o responsável pelo estabelecimento desse sistema de notação musical de onde se originou a atual pauta musical. 
 
Foi ele, que no século XI designou as notas musicais como são conhecidas atualmente, usando o texto de um hino a São João Batista (originalmente em latim), onde cada estrofe inicia com uma nota musical: anteriormente, as notas eram designadas pelas sete primeiras letras do alfabeto latino. 
 
Desse modo, as notas musicais passaram a ser chamadas UT, RE, MI, FA, SOL, LA e SI. Posteriormente o nome DO substituiu o UT.
 
As Feiras Medievais
 
A partir do renascimento comercial e urbano no século XI, começou na Europauma transformação na economia, na vida social e principalmente na paisagem urbana. O artesanato se constituiu como principal meio de produção de mercadorias. As feiras, criadas pelos mercadores, destacaram-se como importantes entrepostos comerciais e como centro do desenvolvimento urbano.
 
Os mercadores, principais responsáveis pelas atividades comerciais, deslocavam-se de uma região para outra negociando suas mercadorias. Foram eles que exerceram inicialmente as atividades bancárias, transformando-se em ricos e poderosos homens. As atividades comerciaisdesenvolvidas pelos mercadores eram realizadas quase sempre nas cercanias das cidades, muitas vezes nas beiras de estradas.
 
 
As feiras eram geralmente realizadas nos burgos (núcleos populacionais que surgiram nas cercanias dos castelos). Nessa época, os núcleos urbanos se ampliaram e novos muros foram construídos para abrigar a expansão urbana e para proteger as atividades comerciais que eram realizadas nos burgos, centro da vida social europeia.
O desenvolvimento das atividades comerciais nas feiras foi fundamental para a introdução da moeda como base de troca (compra e venda) de mercadorias. Como as feiras passaram a exercer o intercâmbio entre os diferentes lugares do continente europeu e do mundo, diferentes moedas eram utilizadas nas negociações.
 
A partir de tal momento surgiu uma nova atividade proporcionada pelo comércio das feiras: os cambistas, comerciantes que se especializaram na troca de diferentes moedas. Eles exerceram importante papel para o desenvolvimento comercial, pois os bancos e banqueiros surgiram a partir dessa atividade cambista de troca de moedas. Criaram-se novos sistemas de pagamentos, como letras de feira e letras de câmbio.
 
Com a internacionalização das atividades comerciais que as feiras propiciaram, iniciou-se o desenvolvimento de um novo sistema de administração comercial, que utilizava taxas de juros e métodos matemáticos, como o sistema decimal. Essas inovações levaram a uma racionalização das atividades comerciais e foram fundamentais para o início do sistema capitalista racional: as taxas, os juros, o capital, os bancos e os lucros.
 
A Ordem de Cristo e os Templários 
 
Apesar do seu apego às artes e à paz, Portugal esteve muitas vezes envolvido em lutas durante o seu reinado. Em 12 de Setembro de 1297 o Tratado de Alcañices com Castela confirmava-lhe a posse do Algarve e dava-lhe uma aliança entre Portugal e Castela. O acordo fixava os limites fronteiriços de Portugal, e estabelecia que a Portugal pertenciam as povoações de Campo Maior, Olivença e territórios vizinhos, em troca de Aroche e Aracena.
Convento de Crisro em Tomar
O rei de Castela abandonou ainda todas as pretensões sobre o Sabugal, Castelo Rodrigo, Almeida, Castelo Melhor, Monforte, Valência, Ferreira e Esparregal. O tratado estabelecia ainda dois casamentos reais entre portugueses e castelhanos: D. Constança (filha de D. Dinis) com D. Fernando IV, e D. Beatriz (irmã do rei castelhano) com o herdeiro do trono português, o futuro D. Afonso IV. D. Dinis convoca as suas primeiras cortes em Évora ( 1282). 
 
Nos últimos anos do reinado de Dinis I, o seu filho, o futuro Afonso IV, rebelou-se contra o pai mais do que uma vez, sendo persuadido a submeter-se pela influência da sua mãe D. Isabel, filha de Pedro III de Aragão.
 
Rainha Santa Isabel de Portugal
Santa Isabel - Mafra

Esta mulher extraordinária, depois canonizada como Santa Isabel de Portugal, e popularmente conhecida como a Rainha Santa, exerceu sucessivamente a sua influência a favor da paz.

Isabel era a filha mais velha do rei Pedro III de Aragão e de Constança de Hohenstaufen, princesa da Sicília. Por via materna, era descendente de Frederico II, Sacro Imperador Romano-Germânico, pois o seu avô materno era Manfredo de Hohhenstauffen, rei da Sicília, filho de Frederico II.
 
Teve cinco irmãos, entre os quais os reis aragoneses Afonso III e Jaime II, e Frederico II da Sicília. Para além disso, foi sobrinha materna de Santa Isabel da Hungria, também considerada santa pela Igreja Católica.
 
D. Dinis I de Portugal tinha 19 anos quando subiu ao trono e, pensando em casamento, convinha-lhe Isabel de Aragão, tendo por isso enviado uma embaixada a Pedro de Aragão em 1280. Formavam-na João Velho, João Martins e Vasco Pires. Quando lá chegaram, estavam ainda à espera de resposta enviados dos reis de França e de Inglaterra, cada um desejoso de casar com Isabel um dos seus filhos. Aragão preferiu entre os pretendentes aquele que já era rei.

A 11 de Fevereiro de 1282 com 12 anos, Isabel casou-se então por procuração com o soberano português D. Dinis em Barcelona, tendo celebrado a boda ao passar a fronteira da Beira, em Trancoso, em 26 de Junho do mesmo ano. Por esse motivo, o rei acrescentou essa vila ao dote que habitualmente era entregue às rainhas (a chamada Casa das Rainhas, conjunto de senhorios a partir dos quais as consortes dos reis portugueses colhiam as prendas destinadas à manutenção da sua pessoa.
 
Por ironia do destino, e talvez um pouco pela divulgação do Milagre das Rosas atribuído à Rainha Santa Isabel. sua mulher, onde o Rei foi retratado como avarento, tornou possível que um dos melhores soberanos portugueses, fosse retratado e imortalizado por Dante na sua Divina Comédia, enfileirando-o como um dos grandes avarentos daquele tempo.

( Dante, Divina Comédia, Paradiso, XIX, 139 )

D. Dinis era filho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela nasceu a 9 de Outubro de 1261. Casou com D. Isabel de Aragão. Morreu a 7 de Janeiro de 1325. Está sepultado no Mosteiro de  Odivelas.
Disputas com Castela.

D.Afonso IV " O Bravo" ( 1325 - 1357 )

Afonso IV (125-57) esteve envolvido em várias disputas com Castela. D.Isabel, que se tinha retirado para o Convento de Santa Clara em Coimbra, continuou a intervir a favor da paz, mas com a sua morte em 1336 a guerra rebentou de novo, e o problema não foi resolvido até 1340, quando o próprio Afonso IV à frente dum exército Português se juntou a Alfonso XI de Castela na grande vitória sobre os muçulmanos no Salado na Andaluzia.

 

Batalha do Salado
O filho de Afonso IV, Pedro, tinha-se casado (1336) com Constança (morreu em 1345), filha do infante castelhano Juan Manuel; mas logo a seguir ao seu casamento enamorou-se duma das suas damas de sua mulher, Inês de Castro, de quem teve vários filhos.

Filho de D. Dinis e de D. Isabel de Aragão, D. Afonso IV nasceu em Lisboa a 8 de Fevereiro de 1291. Casou em 1309 com D. Beatriz filha de Sancho IV de Castela. Faleceu em Lisboa a 28 de Maio de 1357 e está sepultado na capela-mor da Sé de Lisboa.

D. Afonso IV convoca as suas primeiras cortes em Évora (1325).

A Peste Negra

Peste negra é a designação por que ficou conhecida, durante a Idade Média, apeste bubónica, pandemia que assolou a Europa durante o século XIV e dizimou em torno de 25 a 75 milhões de pessoas, pois alguns pesquisadores acreditam que o número mais próximo da realidade é de 75 milhões de pessoas , um terço da população da época .

A doença é causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida ao ser humano através das pulgas dos ratos pretos (Rattus rattus) ou outros roedores.

A Peste em Portugal

Em Portugal a peste entrou no Outono de 1348. Matou entre um terço e metade da população, segundo as estimativas mais credíveis, e entretanto reduziu a nação ao caos. Foram inclusivamente convocadas as Cortes em 1352 para restaurar a ordem.

Um dos efeitos indirectos da peste em Portugal seria a revolução após o reinado de D. Fernando (Crise de 1383-1385).Este interregno, mais que uma guerra civil pela escolha de novo rei, terá antes sido a luta da nova classe de pequena nobreza e burguesia que subira a escada social aproveitando as oportunidades após os desequilíbrios sociais provocados pela peste, contra o "antigo regime" desacreditado, a enfraquecida e esclerótica alta nobreza que presidira à catástrofe e cujos titulares, nascidos e criados nos anos da doença, não terão adquirido as capacidades necessárias à governação eficaz.

De facto esta elite da alta nobreza, clero e Casa Real, terá respondido à substancial perda de rendimentos e aumento de custos de mão de obra devido à peste com maior autoritarismo e tirania. 
 
Assim se explica a tendência desta frágil alta nobreza de se aliar com a sua também atacada congénere castelhana.
 
A peste, que nunca antes existira na Península Ibérica, voltou a Portugal várias vezes até ao fim do século XVII, ou seja sempre que nasciam suficientes novos hóspedes não imunes. Nenhuma foi nem remotamente tão devastadora como a primeira, mas aGrande Peste de Lisboa em 1569 terá matado 600 pessoas por dia, ao todo 60 000 habitantes da cidade terão sucumbido.
 
A última grande epidemia foi em 1650. No entanto, no seguimento da Terceira Pandemia (ver à frente), a peste foi importada para o Porto em 1899 do Oriente (provavelmente de Macau onde grassou desde 1895 até ao fim do século). A epidemia do Porto foi estudada por Ricardo Jorge, que instituiu as medidas de Saúde Pública necessárias, e que a conseguiram limitar.
 
Efeitos culturais e pogroms

As perseguições às minorias aumentaram drasticamente, e especialmente os pogroms contra os judeus. O facto de a maioria dos médicos judeus pouco poder fazer, e do fanatismo religioso que se apossou das populações aterrorizadas, terá contribuído para a acusação e perseguição a essa minoria. Além disso os judeus tornaram-se suspeitos quando, devido às suas leis talmúdicas de higiene (cumpridas rigorosamente), as suas vítimas foram em menor número que as de comunidades cristãs.

Pogroms em Portugal
Houve mais de 150 massacres e dezenas de comunidades judaicas menores foram exterminadas pelos motins dos cristãos, facilmente incitados pelos priores locais, apesar das condenações pelos altos clérigos. A perseguição dos judeus na Alemanha levou à sua emigração em massa para a Polónia e para a Rússia, onde mantiveram a língua alemã ou o seu dialecto hebraico, o Yiddish.
 
Os leprosos também foram perseguidos, culpados como os judeus de disseminar a doença (a lepra naturalmente não tem nenhuma relação com a peste).

D.Pedro I (1357-1367) - "O Cruel ou O Justiceiro"


D. Pedro I de Portugal (Coimbra, 8 de Abril de 1320 — Estremoz, 18 de Janeiro de 1367) foi o oitavo Rei de Portugal. Recebeu os cognomes de O Justiceiro (também O Cruel, O Cru), pela energia posta em vingar o assassínio de Inês de Castro. Filho do rei Afonso IV e sua mulher, a princesa Beatriz de Castela. Pedro I sucedeu a seu pai em 1357. Morreu de epilepsia e está sepultado no Mosteiro de Alcobaça.

Afonso IV foi convencido pelos seus conselheiros a autorizar o assassínio de Inês em 1355, e um dos primeiros actos de Pedro I quando subiu ao trono, foi vingar-se de forma selvagem dos seus assassinos.
Túmulo de Inês de Castro no Mosteiro de Alcobaça
A sorte dos túmulos

No dia 1 de Agosto de 1569, o rei D. Sebastião I (1554-1578), cujo tio era o cardeal D. Henrique, abade de Alcobaça, mandou abrir os túmulos. De acordo com os relatos de dois monges presentes, enquanto os túmulos eram abertos, o rei recitava textos alusivos ao amor de D. Pedro e de D. Inês.

Durante a Invasão Francesa do ano de 1810 os dois túmulos não só foram danificados de forma irreparável, como ainda foram profanados pelos soldados. O corpo embalsamado de D. Pedro foi retirado do caixão e envolvido num pano de cor púrpura, enquanto a cabeça de D. Inês, que ainda continha cabelo louro, foi atirado para a sala ao lado, para junto dos outros sarcófagos. Os monges reuniram posteriormente os elementos dos túmulos e voltaram a selá-los.

Após o ano de 1810, os túmulos foram sendo colocados em vários sítios da igreja, para voltarem à sua posição inicial no transepto, frente a frente, em 1956. Agora, os túmulos são o destino de muitos apaixonados, que muitas vezes os visitam no dia do seu casamento, para fazerem juras de amor eterno e de fidelidade defronte aos dois túmulos.

Quem era Inês de Castro
 
D. Inês Pérez de Castro era uma dama galega filha natural de D. Pedro Fernández de Castro, dito senhor da Guerra, grande senhor galego, primo direito de D. Pedro I, camareiro-mor de Afonso XI de Castela e de Aldonza Suárez de Valadares. Veio para Portugal em 1340, no séquito de D. Constança, noiva do infante D. Pedro.
 
A Formosa D. Inês, a quem chamavam o "colo de garça", impressionou D. Pedro, ao que parece desde os primeiros momentos, e assim nasceu o celebrado e desventurado romance entre os dois.
 
Diz Fernão Lopes na sua crónica do Rei D. Pedro I :
 
« que semelhante amor, qual el Rei Dom Pedro ouve a Dona Enes, raramente he achado em alguma pessoa»
 
D. Inês Pérez de Castro
 
Razões de ordem moral e política se levantaram contra o "grande desvairo". No amoroso, o parentesco entre eles ( D. Inês era prima em 2º grau de D. Pedro ), mas sobretudo ao facto de o rei ser casado. 
 
Quanto às razões políticas, a possibilidade, devida à ambição e influência da família castelhana Castro, de que os filhos da ligação poderem vir a subir ao trono de Portugal, em detrimento de D. Fernando, filho de D. Constança e de D. Pedro I.
 
Os amores de D. Pedro com D. Inês, começaram cedo logo com a chegada do séquito de D. Constança a Portugal. D. Afonso IV obrigou então Inês a retirar-se para Castela, aonde se conservou até à morte de Constança em começos de 1349. 
 
Todavia, logo que a princesa faleceu, D. Pedro fez regressar Inês de Castro, passando a viver com ela maritalmente e tendo dela quatro filhos, nascidos entre 1349 e 1354.
 
Reinado de D. Pedro

Durante o seu curto reinado, (1357-1367), Pedro que é lembrado principalmente por esse amor trágico com Inês de Castro, teve alguns actos de grande importância, como o dereduzir os abusos de poderosos, e aumentar o poder real.

Reformou a administração da Justiça, (1361), e fez muito para tornar a igreja Portuguesa, numa igreja nacional, insistindo no beneplácito régio, que era a aprovação real prévia, das bulas papais e cartas antes que elas pudessem ser publicadas em Portugal.


É interessante salientar que esse beneplácito régio se manteve em vigor até ao advento da República, sendo abolido em 1918, tendo apenas um interregno entre 1487 e 1495 no reinado de D. João II. Em assuntos externos seguiu sempre uma politica neutral. D. Pedro I convoca cortes em Elvas (1361).

Beneplácito Régio

Beneplácito Régio era o preceito de que as determinações da Igreja Católica destinadas ao clero e fiéis católicos, para terem validade no território de Portugal e posteriormente no Brasil Império, deveriam receber a aprovação expressa do monarca.

Esta prerrogativa do rei existia já ao tempo de D. Pedro I, se não antes, e foi abolida em 1487, no reinado de D. João II. Contudo, a Coroa continuou a exercer controle indirecto sobre certos actos e documentos eclesiásticos, e o beneplácito régio voltou mesmo a ser instituído pouco tempo depois e a alargar-se. A imposição deste direito do Estado só terminou no período da República.

Foi estabelecido no Brasil com a Constituição de 1824, obrigando qualquer determinação vinda do Papa a passar pela decisão do Imperador de segui-la ou não no país.

Fernando I - (1367-1383) "O Formoso"

O filho de Pedro I e Constança, Fernando (1367-83), herdou um trono saudável, isento de problemas com vizinhos, mas a disputa entre Pedro o Cruel e Henrique de Transtamara (mais tarde Henrique II) para o trono de Castela trouxe-lhe problemas; com a morte (1369) do primeiro,. Muitas cidades castelhanas ofereceram a sua obediência a Fernando I, e este foi pouco avisado em aceitá-la.

Morreu de tuberculose com 38 anos e está sepultado na Igreja de São Francisco em Santarém.

Henrique II invadiu Portugal em 1369, e pela paz de Alcoutim (1371) Fernando foi obrigado a renunciar a esse pedido, e a casar-se com a filha de Henrique. Mas não cumprindo a palavra dada, Fernando I tomou uma portuguesa, Leonor Teles ("louçã, aposta e de bom corpo") segundo Fernão Lopes, sendo ela ainda casada e apesar dos protestos do povo de Lisboa.
 
Fez também uma aliança com a Inglaterra na pessoa de Jonh of Gaunt, duque de Lancaster, que era casado com a filha mais velha de Pedro o Cruel, e reclamava o trono de Castela. Em 1372 Fernando I provocou Henrique II, que invadiu Portugal e cercou Lisboa. Incapaz de resistir, Fernando I foi obrigado a repudiar a sua aliança com Jonh of Gaunt e a actuar como um aliado de Castela, deixando vários castelos e pessoas como reféns.

Só com a morte de Henrique (1379) voltou Fernando I a desafiar abertamente Castela. Em 1380 voltou à ligação com Inglaterra, e no ano seguinte o irmão de Jonh of Gaunt, Edmund of Langley, depois duque de York, embarcou um exército para Portugal para a invasão de Castela e combinou o casamento do seu filho Eduardo com a única filha legítima de Fernando II, Beatriz.

Muralha Fernandina em Lisboa
No meio da campanha, Fernando I chegou a acordo com o inimigo ( Agosto de 1382), concordando em casar a filha com Juan I de Castela; e quando morreu prematuramente decrépito, Leonor Teles tornou-se regente e Castela reclamou o trono português.

Leonor Teles, rainha

Ainda muito jovem, casou com João Lourenço da Cunha, filho do morgado do Pombeiro, de quem teve um filho: Álvaro da Cunha. Conta-se que, numa altura em que visitou a irmã Maria Teles, aia da infanta D. Beatriz, seduziu o rei D. Fernando. Alegando consanguinidade, foi obtida a anulação do prévio casamento de D. Leonor Teles, o que motivou a reprovação do povo português e perturbação social e política que gerou um clima de insegurança.

O casamento público com o rei ocorreu no Mosteiro de Leça do Balio, em 15 de Maio de1372, havendo notícia de que teria sido precedido por um outro, este secreto, ainda em 1371 . Em meados de Fevereiro de 1373 nascia a infanta D. Beatriz. Temendo o prestígio do infante D. João que se casara com sua irmã Maria Teles de Menezes (c.1338 - 1379,Coimbra), D. Leonor concebeu o plano de casar o infante com sua filha D. Beatriz. Mas para isso era preciso eliminar Maria Teles de Menezes, sua própria irmã, acção por que terá sido responsável. D. João foi preso e exilado pela acção.

As rainhas de Portugal contaram, desde muito cedo, com os rendimentos de bens, adquiridos, na sua grande maioria, por doação. D. Leonor Teles, através de doação de D. Fernando, recebeu Vila Viçosa, Abrantes, Almada, Sintra, Torres Vedras, Alenquer, Atouguia, Óbidos, Aveiro, bem como os reguengos de Sacavém, Frielas, Unhos e a terra de Melres, em Ribadouro. Trocou Vila Viçosa por Vila Real de Trás-os-Montes em 1374 e adquiriu Pinhel em 1376. Entre 1383 e 1385 D. Beatriz foi rainha tendo D. Leonor Teles como regente, seguida por D. João, Mestre de Avis, regedor e defensor do reino.

A figura de Leonor Teles

D. Leonor Teles foi a mais perversa e afortunada amante dos reis de Portugal. Perversa porque foi capaz de tudo para conseguir os seus fins, inclusive provocar a morte da própria irmã, afortunada porque chegou a rainha de Portugal, casando com D. Fernando I. Leonor Teles de Meneses, natural de Tràs-os-Montes, era filha de Martin Afonso Teles de Meneses e de D. Aldonça de Vasconcelos. Casou muito nova com D. João Lourenço da Cunha, senhor de Pombeiro, de quem teve um filho, Álvaro da Cunha.

Ambiciosa e perversa, de tal forma conseguiu insinuar-se no ânimo de D. Fernando - aquando das suas estadas no Paço, a pretexto de visitar sua irmã D. Maria Teles casada com o infante D. João - que o rei "Formoso", indiferente a todos os conselhos e subestimando os altos interesses nacionais, resolveu unir-se à " adultera e barregã" , como lhe chamava o povo, apesar de comprometido pelo tratado de Alcoutim em casar com uma princesa castelhana. "Louçã, aposta e de bom corpo" como dizia Fernão Lopes, Leonor Teles tinha então o perfil, que alguns diriam hoje, para mulher de sucesso.

Amante do rei, quando mulher de João Lourenço, consegue que o casamento com este seja anulado, por sentença canónica baseada em questões de parentesco e casa com ela publicamente em Leça de Bailio entre 15 e 18 de Maio de 1372. Este casamento desagradou ao povo, e em Lisboa Fernão Vasques à frente à frente de muitos outros ergueu ingloriamente a sua voz. Os protestos foram afogados em sangue, e Leonor recebe meio Portugal como presente de casamento.

Receosa do prestígio do seu cunhado o infante D. João, filho de Pedro I e Inês de Castro, casado com a sua irmã D. Maria Teles, promete a este a mão de sua filha a infanta D. Beatriz, ficando portanto herdeiro do trono, mas teria que matar primeiramente a sua sua mulher. D. João assim o faz, matando-a à punhalada e apresentando o pretexto do seu mau comportamento.

Mas D. Leonor Teles casou a filha com D. João I rei de Castela e o infante assassino teve que fugir de Portugal. Morto D. Fernando, em 22 de Outubro de 1383, Leonor que ainda em vida do rei, como dizia o povo, era amante de João Fernandes Andeiro, conde de Ourém, toma a regência do reino. Andeiro acaba por ser morto pelo Mestre de Avis e por Rui Pereira em 6 de Dezembro de 1383. Nas lutas e intrigas que se seguem foge de Lisboa para Alenquer, mas acaba por ser desterrada para Castela, e internada, na condição de prisioneira, no Mosteiro de Tordesilhas, onde morre a 27 de Abril de 1386.

D. Beatriz I - ( 1383 - 1385 ) (10º Rei de Portugal)


Rainha de jure e de facto (era a única herdeira legítima do trono deixado vago pela morte de D. Fernando I), D. Beatriz, casada com João I de Castela, foi aclamada Rainha em grande do Reino, exercendo a regência em seu nome, durante quase dois anos, a rainha-viúva, sua mãe D. Leonor Teles de Menezes; o seu marido D. João de Castela acrescentou mesmo o senhorio dos Reinos de Portugal e Algarve aos seus títulos, e mandou cunhar moeda com as armas de Leão e Castela partidas com as de Portugal.

Contudo, desde o início do reinado, várias vilas e cidades do reino começaram-se a revoltar, temendo a perda da independência, vindo paulatinamente a engrossar o partido que se foi constituindo à roda do Mestre de Avis.

 
Morte do Conde de Andeiro
Leonor Teles regente de Portugal em nome de sua filha D. Beatriz, era agora amante de João Fernandes Andeiro, conde de Ourém, que tinha intrigado com Inglaterra e Castela e cuja influência era odiada pelos patriotas portugueses que se reuniram em Coimbra ( Março - Abril de 1385) e declararam rei o Mestre de Aviz como João I e fundador de uma nova dinastia.

Economia - Idade Média

A partir de 1212, Afonso II de Portugal estabeleceu a administração do Estado, o projecto do primeiro conjunto de Leis Escritas portuguesas. Estes estavam principalmente preocupados com a propriedade privada, a justiça civil e cunhagem. Enviou embaixadores aos reinos europeus fora da Península Ibérica a iniciar relacções comerciais. 

 
As referéncias mais antigas das relacções comerciais entre Portugal e o Condado de Flandres atendimento documento português na relação em Lille é de 1267. Em 1297, com a conclusão da Reconquista, o rei Dinis prossegue políticas em matéria de legislação e centralização do poder, a adotar o português como língua oficial.
D. Dinis
Ele ordenou a exploração de minas decobre, prata, estanho, ferro e organizada para a exportação da produção excedente para outros países europeus. Em 10 de Maio de 1293, D. Dinis instituiu a Bolsa de Comércio, um fundo comercial para a defesa dos comerciantes portugueses em portos estrangeiros, como o Condado de Flandres, que estavam a pagar determinadas quantias em função da tonelagem, obtidos por eles quando necessário.

Em 1308, ele assinou o primeiro contrato comercial de Portugal com a Inglaterra. Ele distribuiu terras, promoveu a agricultura, as comunidades organizadas de agricultores e teve um interesse pessoal no desenvolvimento das exportações, fundador e regulação dos mercados regulares em várias cidades. 

 
Em 1317, ele fez um pacto com o marinheiro mercante genovês Manuel Pessanha (Pesagno), a nomear como Almirante e dando-lhe privilégios comerciais com seu país natal, a troco de vinte navios e tripulações. A intenção era a defesa do país contra os piratas e lançou as bases para a Marinha Portuguesa e do estabelecimento de uma comunidade de mercadores genoveses em Portugal.

A agricultura foi a actividade principal de Portugal, com produtos mais consumidos internamente. Vinhos e frutos secos do Algarve(figos, uvas e amêndoas) foram vendidas em Flandres e na Inglaterra, o sal de Setúbal e Aveiro foi uma exportação rentável para o Norte da Europa, de couro e carrasco, um escarlate do corante, também foram exportados. 

 
A indústria foi mínima, de Portugal importava blindados e munições, roupas finas, diversos produtos fabricados a partir de Flandres e da Itália. Desde o Século XIII, uma economia monetária tivesse sido estimulada, mas a troca ainda dominava o comércio e a cunhagem foi limitada; moeda estrangeira também foi usada até o início do Século XV.

Na segunda metade do Século XIV, os surtos de peste bubónica levou ao despovoamento grave: a economia era extremamente localizada em algumas cidades e migração do país levou a terra que está sendo abandonada à agricultura e resultou em aumento no desemprego rural. Só o mar ofereceu alternativo, com a maioria das populações na resolução de pesca e comércio de zonas costeiras.

Entre 1325 e 1357, Afonso IV concedeu o financiamento público para levantar um bom comercial de frota e viagens de exploração marítima em primeiro lugar, com a ajuda dos marinheiros genoveses sob o comando do almirante Manuel Pessanha. Forçados a reduzir as suas actividades no Mar Negro, a República de Génova tinha voltado para o comércio norte-africano de trigo e azeite (avaliados também como fonte de energia) e uma busca de ouro, embora também visitasse os portos de Bruges (Flandres) e Inglaterra.

Comunidades de genoveses e florentinos foram bem estabelecidos em Portugal e eles lucraram com a empresa e experiência financeira desses rivais da República de Veneza. Em 1341, as Ilhas Canárias, já conhecido ao genoveses, foi oficialmente descoberto sob o patrocínio do Rei Português, mas em 1344, Castela contestou-a, ainda impulsionar o desenvolvimento da Marinha Portuguesa.

Para promover a liquidação, a Lei das Sesmarias foi emitida em 1375, a expropriar terras devolutas e arrendamento para os cultivadores de desempregados, sem grande efeito: até o final do século, Portugal enfrentou escassez de comida, ter que importar trigo do norte da África. Após a crise de 1383-1385, a combinação de uma crise de sucessão, a guerra com Castela e de Lisboa flagelados pela fome e anarquia, um recém-eleito da dinastia Aviz, com fortes ligações com a Inglaterra, marcou um eclipse da terra orientada pela aristocracia conservadora.

 

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