História de Portugal

1ºde Dezembro de 1640

NOTA - Neste períodos da História de Portugal, além dos acontecimentos mais importantes relacionados com a História de Portugal, também se descrevem os factos mais importantes da História Universal, que de uma forma directa ou indirecta, também influenciaram a História de Portugal.

 
Golpe palaciano que pôs fim a 60 anos de governo filipino em Portugal e colocou no trono o duque de Bragança, D. João IV. A 1 de Dezembro de 1640, um grupo de conjurados, membros da nobreza portuguesa, atacou o paço da Ribeira, prendendo a vice-rainha, a duquesa de Mântua, e matando o secretário de estado, Miguel de Vasconcelos.

Poucos meses depois (Janeiro de 1641), era jurado o novo rei, repondo-se a legitimidade dinástica anterior a 1580.A conjura dava tradução política ao divórcio que se vinha gerando entre os interesses portugueses e os espanhóis, cuja aproximação, por sua vez, estivera na origem da união dinástica de 1580. Sobretudo a partir de 1620, operara-se uma viragem na conjuntura económica e social.


D. João IV

Ainda que as cortes confirmaram a ascensão da dinastia de Bragança e a coroação de João IV em 28 de Janeiro de 1641, o sucesso do novo regime não foi assegurado senão em 1668 quando a Espanha reconheceu a independência de Portugal.


Par poder enfrentar o perigo das invasão Espanhola, João IV mandou emissários a todas as cortes da Europa para conseguir alianças. A França recusou um tratado formal, Os Holandeses que se tinham apoderado do nordeste do Brasil, aceitaram tréguas na Europa mas capturaram Angola aos Portugueses.

João IV fez um tratado (1641) com Carlos I de Inglaterra, que foi cancelado devido à sua execução (1649). Entretanto, os portugueses bateram os espanhóis no Montijo (26 de Março de 1644) e defenderam-se de várias invasões. Em 1654 negociaram um tratado com a Inglaterra, conseguindo ajuda para concessões comerciais.
 

Os Holandeses foram finalmente expulsos do Pernambuco no nordeste do Brasil . Num artigo secreto do Tratado dos Pirinéus (1659), a França prometeu à Espanha não dar mais ajuda a Portugal, mas em 1661 Portugal assinou um tratado com a restaurada monarquia Inglesa. Em 1662 Charles II de Inglaterra casou com a filha de João IV, Catarina de Bragança que levou como dote Bombaim e Tanger, e os ingleses forneceram homens e armas para a guerra com a Espanha.

Batalhas da Restauração
http://historia-portugal.blogspot.pt/2013/11/batalhas-da-restauracao.html

A defesa de Portugal foi organizada por um soldado alemão Friedrich Hermann von Schönberg (mais tarde duque de Schönberg); em Junho de 1663 Sancho Manuel, conde de Vila Flor, derrotou Don Juan de Austria no Ameixial, e em Junho de 1665 von Schönberg ganhou a importante batalha de Montes Claros. A paz foi finalmente feita pelo tratado de Lisboa em 1668.

A figura de D. João IV

D. João IV (Vila Viçosa, 19 de março de 1604 – Lisboa, 6 de novembro de 1656), apelidado de João, o Restaurador, foi o Rei de Portugal e Algarves de 1640 até sua morte, e também Duque de Bragança entre 1630 e 1645. João foi o líder da Guerra da Restauração pela conquista e reconhecimento da independência de Portugal do controle da Espanha. Morreu aos 52 anos de lítiase vesical (?). Está sepultado no Panteão de São Vicente de Fora.

Era filho de D. Teodósio II, sétimo duque de Bragança e da duquesa Ana de Velasco e Girón, nobre da corte espanhola e filha do duque Juan Fernández de Velasco, com a duquesa Maria de Téllez-Girón. João herdou o senhorio da casa ducal em 1630 como João II e foi o 8.º duque de Bragança, 5º duque de Guimarães e 3.º duque de Barcelos. Foi ainda 7.º marquês de Vila Viçosa econde de Barcelos, Guimarães, Arraiolos, Ourém e Neiva, e também 14ºCondestável de Portugal.

Afonso VI (1656 -1683)
 
Quando morreu João IV, o seu filho Afonso VI (1656-83) tinha 13 anos de idade. A mãe de Afonso, Luísa de Gusmão, actuou como regente até que, em Junho de 1662, ele começou a governar. Afonso VI era de mente e espírito fraco, mas o país foi bem governado por Luís de Vasconcelos e Sousa, conde de Castelo Melhor, até 1667.

Nascido apenas como infante de Portugal, D. Afonso não estava destinado a reinar nem foi preparado para tal, em virtude do herdeiro da coroa ser o seu irmão mais velho, o brilhante príncipe D. Teodósio de Bragança. A sua formação foi pouco cuidada, à semelhança dos restantes irmãos, o que se confirma quando D. Catarina parte para a Inglaterra, em virtude do seu casamento com o rei Carlos II, quase sem saber falar inglês.

D. Afonso VI
Ao contrário dos seus irmãos, Afonso passou a sua infância e juventude em Lisboa, num ambiente tenso e mergulhado em preocupações políticas, governativas, militares, entre outras. Com 3 ou 4 anos de idade, atinge-o uma «febre maligna» que lhe afecta o lado direito do corpo e que se repercutirá na sua vida em variados aspectos, desde políticos a familiares e sexuais.

Uma doença do sistema nervoso central, pensa-se hoje, talvez uma meningo-encefalite, uma doença de foro nervoso, como propõe Montalvão Machado.

A morte do irmão, D. Teodósio, sucede-se a 13 de Maio de 1653 e, a 17 de Novembro do mesmo ano, falece D. Joana. Passa Afonso para a ribalta como novo herdeiro do trono de Portugal.

A princesa francesa Maria Francisca de Sabóia, (mademoiselle D`Aumale e neta de Henrique IV) que tinha casado com Afonso VI no ano anterior, apaixonou-se pelo irmão do rei, Pedro (depois Pedro II) que era senhor de uma personalidade muito mais forte e normal, e juntos começaram a intrigar contra o rei.


Conseguiram demitir Castelo Melhor e anular o casamento de Maria Francisca, que fugindo do marido, tinha ido para um convento, e intentou contra ele um processo escandaloso. A rainha , obtida do Papa a anulação do casamento, casou com Pedro e este declarou-se regente. Afonso VI foi preso e permaneceu encarcerado até à sua morte.

D. Afonso VI, nasceu em Lisboa filho de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão. Casou por procuração em 27 de Junho de 1666 com Maria Francisca Isabel, Mademoiselle de Aumalle. Morreu em Sintra de tuberculose com 42 anos em 12 de Agosto de 1683. Está sepultado no Panteão de São Vicente de Fora.


O Príncipe do Brasil
O Príncipe do Brasil
D. Teodósio de Bragança1 (Vila Viçosa, 8 de Fevereiro de1634 — Belém, 6 de Dezembro de 1653), primogénito do Rei de Portugal, D. João IV e da Rainha D. Luísa de Gusmão.herdeiro da coroa portuguesa, 9.º Duque de Bragança (comoD. Teodósio III) e 1.º Príncipe do Brasil, título especialmente criado em sua honra, enquanto herdeiro do trono, por carta do pai de 27 de Outubro de 1645.

Desde cedo vocacionado para o exercício do poder, revelou grandes dotes para as letras e para a música, à semelhança de seu pai; contudo, a sua morte prematura, aos 19 anos, apartou-o do trono, levando ao poder, em seu lugar, seu irmão D. Afonso, mentalmente débil.

Com apenas seis anos, impusera-se como a grande esperança da Restauração da Independência de Portugal. Diz Veríssimo Serrão em «História de Portugal» volume V página 36: « recebera uma boa educação literária, científica e militar, contribuindo para a sua formação o padre António Vieira, que lhe moldou o espírito religioso na consciência do grande papel que o destino lhe reservava.» «O impulso da juventude o fez visitar em 1651 os castelos do Alentejo, onde animou os soldados e as populações; e, no regresso a Lisboa, viu-se nomeado capitão-general das armas do Reino. 

 
Para ele houve várias tentativas de consórcio, mas a diplomacia portuguesa não conseguiu impor o projecto na corte de França. Referem os cronistas que era muito devoto e, ao mesmo tempo, impregnado de ideal guerreiro. Mas tinha uma saúde frágil, pelo que aos 19 anos não resistiu aos efeitos de uma tuberculose pulmonar de que há muito padecia.»

Pedro II ( 1683 - 1706)

D. Pedro II
D. Pedro II de Portugal (Lisboa, 26 de Abril de 1648 — Alcântara, 9 de Dezembro de1706). Foi Rei de Portugal, de 1683 até sua morte, sucedendo ao irmão Afonso VI, vindo já exercendo as funções de regente do reino desde 1668, devido à instabilidade mental do irmão, D. Afonso VI. 
 
Está sepultado no Panteão dos Braganças em São Vicente de Fora. Morreu na Quinta de Alcântara, ou Palácio da Palhavã, de apoplexia. Tinha 58 anos e estava doente apenas há quatro dias.
 
Terceiro filho do rei João IV de Portugal e de Dona Luísa de Gusmão, foi Senhor da Casa do Infantado. Cognominado de O Pacífico, porque em sua regência que se fez a paz com a Espanha (em 1668).
 
Regente de 1667 a 1683, chegou ao poder por golpe de Estado no qual em 27 de janeiro de 1668 depôs o irmão Rei Afonso VI de Portugal. Foi rei por morte deste em 12 de setembro de 1683. Governou portanto de facto de 1667 a 1706. Implacável com o irmão, além de o encarcerar em Sintra, deflagrou processo de anulação do casamento com Maria Francisca Isabel de Saboia, alegando a não-consumação, por inaptidão do rei em sua relação com mulheres, obtendo de Roma e dissolução e casando-se com a cunhada.
 
Apreciação
 
Diz Veríssimo Serrão em «História de Portugal», volume IV, página 233: «Um historiador coevo exaltou as suas qualidades físicas, tanto na destreza das armas como no toureio a cavalo, por ter uma agilidade e fortaleza que o predispunham para exercícios de violência. Foi no seu tempo que o palácio de Salvaterra de Magos voltou a ser o local preferido da corte, ali se instalando D. Pedro II nos meses de Janeiro e Fevereiro, para se dedicar aos desportos da montaria. (…) Senhor de grande memória, o monarca nunca recusava audiência a quem lha pedisse, tanto de dia como de noite, deleitando-se em ouvir os outros e em discutir os assuntos nos mais ínfimos pormenores. 
 
Essa qualidade era (…) um dos seus maiores defeitos, porque queria sempre ouvir a opinião dos conselheiros, o que o levava a dilatar a resolução dos problemas. O seu reinado tinha como grande desígnio reconstruir o País abalado pelas lutas da Restauração. Desde 1693 que podia dispor da riqueza aurífera do Brasil, que teria dado a essa obra o arranque decisivo de que Portugal carecia. Mas a participação na guerra sucessória da Espanha foi contrária aos interesses nacionais (…). »
 
Maria Francisca Isabel de Saboia
 
Maria Francisca Luísa Isabel de Saboia (nascida em Paris, 21 de Junho de 1646 que morreria aos 38 anos na Palhavã, em Lisboa, a 27 de Dezembro de 1683). Casou com Afonso VI de Portugal e depois com o irmão Pedro II de Portugal. Convindo a Luís XIV de França atrair Portugal ao seu país em luta com a Espanha, concordou com o casamento com D. Afonso. De La Rochelle, onde se celebrou, por procuração, o casamento. Partiu D. Maria Francisca na nau Vendôme, até Lisboa.
 
O conde de Castelo Melhor buscara uma noiva francesa porque cobiçava a aliança de Luís XIV. Tentou a Grande Mademoiselle, e Luís XIV favorecia o projeto, mas a noiva resistiu, por amores com o duque de Lauzun. O duque de Guise lembrou o nome desta que era Mademoiselle de Nemours e d´Aumale, da casa soberana, parente do rei, gentil e inteligente, que tinha dote valioso. Era ainda aparentada com os Condé e com os principais fidalgos e traria para Portugal as simpatias da corte, o que era importante por estar Portugal em guerra contra a Espanha. 
 
Maria Francisca de Saboia
 
A dificuldade proveio dos escrúpulos da Duquesa, que prometera a mão da filha a Carlos de Lorena. Morrendo a duquesa, cessou o obstáculo e o casamento foi ajustado em 1665. A 24 de fevereiro de 1666 assinaram-se as escrituras pelas quais a Rainha trazia de dote 1.800.000 libras tornesas ou 324.000$000 réis, devendo usufruir em Portugal da herança da sogra, D.Luísa de Gusmão, que valia 100.000 cruzados. 
 
Mencionava-se que, se sobrevivesse ao Rei sem ter filhos, poderia sair de Portugal com o dote e mais 500.000 libras esterlinas. 
 
Tendo filhos, só poderia levar, no mesmo caso, 1/3 do dote e 1/3 das 500.000 libras. Assinadas as escrituras, a Rainha saiu de Paris em 29 de maio de1669, com o Marquês de Sande e comitiva, para La Rochelle. 
 
Ali em 27 de junho de1669 casou por procuração com o rei, representado pelo Marquês. A 4 de julho embarcou a bordo de uma esquadra francesa de 10 navios comandada pelo marquês de Ruvigny, recebendo a esquadra de seu tio, o duque de Beaufort, para lhe abrir caminho, porque era de recear que os espanhóis a quisessem aprisionar. 
 
Chegou ao sítio da Junqueira a 9 de agosto de 1666, indo o conde de Castelo Melhor recebê-la a bordo com sua mãe, nomeada camareira-mor, e a levou para o Paço de Alcântara, onde a esperava o rei, o Infante D. Pedro e a corte.
 
Portugal e a política europeia
 
Numa avaliação geral, seu reinado consolidou a independência de Portugal diante da Espanha, mas foi alto o custo das concessões à Inglaterra: pelo controvertido Tratado de Methuen, de 1703, os panos de lã ingleses passaram a ser livremente comercializados em Portugal, o que levou à estagnação da indústria têxtil do Reino.
 
Sua política de não-alinhamento tinha como trunfo a presença de embaixadores e agentes nas cortes europeias, e os nomes que se destacaram foram, até 1700, D. Francisco de Melo, marquês de Sande; Henrique de Sousa Tavares, 1º marquês de Arronches; o doutor José de Faria, na Inglaterra; Duarte Ribeiro de Macedo e Salvador Taborda Portugal, em Paris; Diogo de Mendonça Corte-Real, na Holanda. Diz Veríssimo Serrão: «Foi nessa boa escolha que se formou o mais destacado de nossos diplomatas da primeira metade de Setecentos: D. Luís da Cunha».

O ouro e os diamantes do Brasil

O ouro brasileiro marcou o período do final do século XVII - com a descoberta em Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Goiás - até o final do século XVIII - quando a população brasileira passou de, aproximadamente, 300 mil para 3 milhões de pessoas.

No apogeu da mineração no Brasil – entre 1750 e 1770 - Portugal enfrentava dificuldades econômicas internas e sofria pressão exercida pela Inglaterra, que se industrializava e se consolidava como potência hegemônica. O ouro brasileiro passava a representar a esperança de trabalho e enriquecimento. Milhares de portugueses migraram para o Brasil e o português se impõe como língua nacional.

A mineração deslocou o eixo social do Brasil colônia do litoral para o interior e levou à mudança da capital – de Salvador para o Rio de Janeiro, cidade de mais fácil acesso às regiões mineradoras. 1

O ouro trouxe prosperidade para as cidades mineiras que viviam da extração e enriqueceu famílias, cujos filhos foram mandados para estudar na Europa. Ao voltar, esses jovens disseminaram as ideias iluministas e a estética árcade – daí o fato de o Arcadismo ter tido particular importância em Vila Rica (atual Ouro Preto). No Brasil, o leitor, não só os jovens da elite mas um público mais geral – conquistado pela clareza e simplicidade da poesia árcade - passou a consumir da literatura aqui produzida.

Produção de ouro nas Minas Gerais
1697
1699
1705
1715
1739
1744
1754
1764
115 Kg
725 Kg
1,5 Ton
6,5 Ton
10 Ton
9,7 Ton
8,8 Ton
7,6 Ton

Num total de cerca 44.940 Kgs de ouro, 44.940.000 gramas, que ao preço de hoje a 29,6 euros por grama, valeriam cerca de 1.330.000.000 euros, mas que em relação à época equivaleriam a muito mais !

Aplicações do ouro do Brasil - Talha Dourada

 
Talha dourada é uma técnica escultórica em que madeira é talhada (esculpida) e posteriormente dourada, ou seja, revestida por uma película de ouro. Esta técnica, principalmente associada à arquitectura, teve um período de grande aplicação na península Ibérica e respectivas colónias durante o barroco onde se dá destaque ao jogo de volumes. 
 
Órgão da Igreja Santa Catarina em Lisboa
Tornou-se num dos principais cunhos do barroco do norte de Portugal, a par do azulejo, nos séculos XVII e XVIII, especialmente no interior de igrejas e capelas em altares e retábulos. Para uma encomenda de talha dourada era necessário o trabalho de vários artesãos sob a orientação de um mestre.
 
Mosteiro de Tibães
Igreja de Camarate
Igrejas como estas, capelas, mosteiros e palácios, existem aos milhares por todo o Portugal. A talha dourada é um modo muito impressionante e relativamente simples de transformar um espaço num local de luxo e ostentação pois a madeira é facilmente esculpida e coberta com folha de ouro. O resultado adapta-se ao gosto da época, é mais barato e mais impressionante do que recorrer a outros tipos de decoração, tecnicamente mais exigentes, como a escultura ou a pintura. 
 
Os custos da estrutura decorativa ficam aquém do valor necessário para o mesmo trabalho noutro suporte (excepto o azulejo), porque a quantidade de ouro necessária é relativamente pouca.
 
Diamantes
 

Os primeiros diamantes no Brasil foram encontrados por volta de 1729 na região do rio Jequitinhonha, tendo logo despertado a atenção da Coroa Portuguesa. A primeira legislação visando regulamentar a sua exploração foi o Regimento dos Superintendentes e Guardas-mores das Terras Minerais, comum a toda a região. Esse regulamento genérico despertou viva resistência entre os mineradores e, em termos fiscais, mostrou-se ineficaz com relação aos diamantes, cujas características (pequenas dimensões e elevado valor) incentivavam a sua ocultação e contrabando.

Mineração dos diamantes em 1770
O seu principal centro produtor foi o Arraial do Tijuco (atual Diamantina), na Comarca do Serro do Frio, marcado, além do seu natural isolamento geográfico, pela severidade da igualdade legislação diamantífera – materializada, por exemplo no chamado "Livro da Capa Verde" - e pelo rigor da fiscalização da Metrópole. Em 1734 ali foi instituída a Intendência dos Diamantes. 

No ano seguinte (1735), a extração foi proibida por cinco anos, até que se encontrasse uma maneira mais eficaz de controle por parte da Coroa, e, principalmente, até que se recuperassem os preços internacionais do quilate, abalados pela adundância da oferta.

Superada esta fase inicial, institui-se, em 1740, o sistema de arrematação por contratos, que perdurou até 1771. Os historiadores indicam que, entre 1740 e 1770, foram extraídos mais de 1.666.569 quilates, levando à queda, em 02%, do preço dos diamantes no mercado mundial.

A partir de 1771, foi criada a Real Extração, sob controle direto da Coroa. Este sistema perdurou até mesmo depois da Independência do Brasil (1822), sendo a Real Extração extinta por Decreto apenas em 1832. Estima-se que neste período, até 1810, cerca de três milhões de quilates foram extraídos.
Guerras com Espanha

Durante o reinado de Pedro II, Portugal recuperou do esforço das guerras contra Espanha e começou a beneficiar da descoberta de ouro e pedras preciosas no Brasil. O primeiro embarque de ouro em Minas Gerais fez-se em 1693, e nos últimos anos do século XVII foram extraídas consideráveis riquezas; contudo, foi só em 1728 , já no reinado de D. João V, que os diamantes foram descobertos. Portanto, a riqueza mineral do Brasil fornecia a coroa Portuguesa da parte substancial das suas entradas.

 
Os diamantes, propriedade da coroa, e vendidos por conta da Fazenda Nacional em Amsterdão, rendiam por ano milhão e meio de cruzados.
 
Fixou as bases de sua política no Brasil em dois pontos principais: o da pesquisa de metais e pedras preciosas e da extensão da fronteira da colônia às margens do rio da Prata. Enviou o visconde de Barbacena ao Brasil com instruções especiais para incentivas as explorações mineiras, e era tal a reputação dos paulistas que o Príncipe Regente, instado por Barbacena, escreveu a doze dos principais sertanistas piratininganos, a quem proporcionou a «incomparável honra» de uma interpelação direta, convocando-os ao emprego do seu real serviço. Alguns eram do maior prol, como Fernão Dias Paes Leme, Francisco Dias Velho, Lourenço Castanho Taques.
 
Sob seu reinado foi criada a Casa da Moeda da Bahia, inaugurada em 8 de março de 1694. D. Pedro II cedeu seus direitos de senhoriagem, tributo a ele devido, para o melhor funcionamento desta instituição, que cunhou as primeiras moedas brasileiras para uso da própria colônia em 1695. Estas moedas de 4000 e 2000 réis, em ouro e 640, 320, 160, 80, 40 e 20 réis, em prata; ampliaram e diversificaram o meio circulante no Brasil.
O Século XVIII

A Guerra de Sucessão de Espanha (1701-13) viu os aliados recentes de Portugal, França e Inglaterra, em lados opostos; e ainda que Pedro II pensou em princípio permanecer neutral, Portugal juntou-se à Grande Aliança Austro-Inglesa em 1703, que foi a base para que o arquiduque Carlos (mais tarde imperador como Carlos VI) conduzisse a sua guerra para o trono de Espanha.

No mesmo ano (27 de Dezembro) o enviado Inglês Jonh Methuen, concluiu também o tratado de Methuen , pelo qual as trocas de vinho do porto por tecidos de lã ingleses, foram a principal base deste tratado. Este tratado assegurou também grandes privilégios, aos comerciantes ingleses.

O general português António Luís e Sousa, marquês das Minas entrou em Madrid em 1706; mas os franceses e espanhóis saíram vitoriosos em Almansa (1707), e em !771 o almirante francês René Duguay-Trouin saqueou o Rio de Janeiro. . Com a conclusão da guerra, Portugal negociou um tratado de paz com a França (Abril de 1713) mas não concluiu a paz com Espanha até 1715.

D. Pedro II que nasceu em Lisboa em 6 de Janeiro de 1668 e faleceu no Palácio de Palhavã a 21 de Outubro de 1690, foi casado primeiramente com a sua cunhada D. Maria Francisca Isabel de Sabóia de quem teve uma filha. Casou depois com D. Maria Sofia de Newburg ( 1666-1699) de quem teve 8 filhos.

Mafra-Biblioteca
D.João V - O Magnífico (1706 - 1750)

No reinado de D.João V , Portugal atingiu um grau de prosperidade ainda nunca conseguido desde a restauração. O imposto real de um quinto sobre o ouro, e as pedras preciosas do Brasil, - só os diamantes, propriedade da coroa, e vendidos por conta da Fazenda Nacional em Amsterdão, rendiam por ano milhão e meio de cruzados - davam assim ao monarca uma fonte de riqueza forte e independente.

Michel Chevalier estima em 1.342.300 quilos a produção de ouro do Brasil até 1848. Soetbeer, Alexandre del Mar , Humbolt e outros, calcularam a produção aurífera do Brasil no valor monetário de 160.000.000 libras.

Embora o ouro do Brasil fosse controlado por Portugal e embarcado para Lisboa, ele não permanecia aqui. A Inglaterra, de acordo com o Tratado de Methuen, de 1703, supria Portugal com produtos têxteis e outros, que eram pagos com o ouro das minas brasileiras. 

O ouro brasileiro que ia para Londres ajudou a financiar a Revolução Industrial Inglesa e a criar, a hoje famosa Bolsa de Londres.

O seu reinado, que durou de 1706 até à sua morte em 1750, foi um dos mais longos da História portuguesa. Recebendo o nome de João Francisco António José Bento Bernardo, nasceu em Lisboa a 22 de Outubro de 1689, filho de D. Pedro II e de D. Maria Sofia de Neuburgo, e foi aclamado rei a 1 de Janeiro de 1707. Casou em 9 de Julho de 1708 com D. Maria Ana da Áustria ( que nasceu em Lintz a 7 de Setembro de 1683 ), filha do imperador Leopoldo I e de sua terceira mulher Leonor Madalena.

Morreu em Lisboa em 31 de Julho de 1750 de epilepsia e está sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora. D. Maria Ana faleceu no palácio de Belém a 14 de Agosto de 1754, estando sepultada no Mosteiro de S. João Nepomuceno, dos Carmelitas Descalços Alemães, de onde o seu coração foi levado para a Alemanha.
Convento de Mafra
D. João V seguiu uma política de neutralidade em relação aos conflitos europeus mas empenhou-se fortemente na defesa dos interesses portugueses no comércio ultramarino, de que foi exemplo o Tratado de Utreque (1714), em que a França e a Espanha reconheceram a soberania portuguesa sobre o Brasil. Apesar de pacífico e dos quase 50 anos de paz que garantiu aos portugueses, D. João V , a pedido do papa Clemente XI, participa triunfalmente na «terceira guerra turca» entre o império Otomano e uma coligação austro-italiana na última tentativa imperialista muçulmana no Ocidente, derrotando os turcos na batalha naval de Matapan ( Abril de 1717 )

A arquitectura barroca em Portugal

 
Em Portugal, a arquitectura barroca durou cerca de dois séculos (finais do século XVII e século XVIII). Surge em Portugal num período difícil ao nível político, económico e social, situação que se fez sentir igualmente na cultura e arte. É tempo do domínio filipino, tendo-se, também, perdido algumas colónias e ainda as guerras da Restauração. É tempo ainda da pressão exercida pela Inquisição. Contudo, este período conturbado altera-se com os reinados de D. João V e D. José, pois aumentam as importações de ouro e diamantes, num período denominado de Absolutismo Régio.
 
Torre dos Clérigos no Porto
 
O Barroco português é considerado, por muitos, uma extensão do Maneirismo, cujos princípios estavam ligados ao Concílio de Trento, ou seja, maioritariamente religioso. As igrejas apresentam, geralmente, a mesma estrutura, ou seja, fachadas simples, decoração contida (exceptuando talvez o altar-mor), planta rectangular. 
 
Estas eram as características que marcavam os princípios austeros e rígidos da igreja e do poder régio. Alguns eruditos chamam-lhe o Barroco Severo. Neste período, encontramos arquitectos portugueses, nomeadamente João Antunes ou João Nunes Tinoco (igreja de Santa Engrácia, em Lisboa).
 
Com o Renascimento, surgem as plantas de forma circular, prolongando-se pelo Maneirismo. Assim, encontramos a igreja e claustro da Serra do Pilar, de Diogo de Castilho (século XVI/XVII).
 
O urbanismo, propriamente dito, inicia-se no nosso país com o Marquês de Pombal. Após a destruição provocada pelo terramoto de 1755, era necessária uma reconstrução rápida e económica. Assim, o Marquês de Pombal opta por Manuel da Maia,Eugénio dos Santos e Carlos Mardel para este projecto. 
 
O projecto deste grupo criou uma Lisboa funcional e dinâmica, com ruas paralelas e perpendiculares. Os edifícios respeitavam a mesma traça (altura igual, simetria). É o chamado Estilo Pombalino, com a severidade maneirista e a frieza do neopaladianismo adoçados pelos elementos decorativos do Barroco e Rococó. 
 
Palácio de Mateus
Outra preocupação, que remonta ao tempo dos romanos, foi com o abastecimento de água às populações. Assim, foi construído o Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa.
 
O Aqueduto das Águas Livres (1740)
 
O Aqueduto das Águas Livres é um complexo sistema de captação, adução e distribuição de água à cidade de Lisboa, em Portugal, e que tem como obra mais emblemática a grandiosa arcaria em cantaria que se ergue sobre o vale de Alcântara, um dos bilhetes postais de Lisboa.
 
 
O Aqueduto foi construído durante o reinado de D. João V, com origem na nascente das Águas Livres, em Belas, Sintra, e foi sendo progressivamente reforçado e ampliado ao longo do século XIX. Resistiu incólume ao Terramoto de 1755.
 
No século XVI, surgiu a ideia de reconstruir o antigo aqueduto com o qual os Romanos terão abastecido a cidade a partir da barragem de Olisipo, no vale de Carenque, segundo propostas feitas ao rei D. Sebastião. Porém, a reconstrução não se concretizou por falta de financiamento e, em maio de 1731, D. João V publica o alvará a ordenar o início da construção do aqueduto, com as obras a iniciarem-se no ano seguinte. As primeiras águas começam a chegar à cidade em 1744.
 
O aqueduto tem início nas nascentes localizadas no Vale de Carenque e percorre 14.100 metros de comprimento até ao reservatório da Mãe de Água em Lisboa. No entanto, em toda a sua extensão, o aqueduto das águas livres tem 58.135 metros, incluindo nascentes, ramais e galerias subterrâneas.
 
Ao chegar a Lisboa, o aqueduto tem, no Vale de Alcântara, dois passeios pedonais de 941 metros, sobre 35 arcos, 14 em ogiva e os restantes de volta perfeita, "contendo o maior arco de pedra do mundo, com 65 metros de altura e 28 de largura". Estes arcos resistiram ao terramoto de 1755, porque, segundo vários especialistas, as suas fundações estão assentes em dois maciços rochosos do Cretáceo Superior. Outras opiniões defendem que a resistência se deveu ao ângulo formado pelos arcos, que lhe terá permitido a mobilidade suficiente.
Música Barroca

Música barroca é toda música ocidental correlacionada com a época cultural homônima na Europa, que vai desde o surgimento daópera por Claudio Monteverdi no século XVII, até a morte de Johann Sebastian Bach, em 1750.
 
Trata-se de uma das épocas musicais de maior extensão, fecunda, revolucionária e importante da música ocidental, e provavelmente também a mais influente. As características mais importantes são o uso do baixo contínuo, do contraponto e da harmonia tonal, em oposição aos modos gregorianos até então vigente. Na realidade, trata-se do aproveitamento de dois modos: o modo jônico (modo "maior") e o modo eólio (modo "menor").
 
Sebastian Bach
Do Período Barroco na música surgiu o desenvolvimento tonal, como os tons dissonantes por dentro das escalas diatônicas como fundação para as modulações dentro de uma mesma peça musical; enquanto em períodos anteriores, usava-se um único modo para uma composição inteira causando um fluir incidentalmente consonante e homogêneo da polifonia. 
 
Durante a música barroca, os compositores e intérpretes usaram ornamentação musical mais elaboradas e ao máximo, nunca usada tanto antes ou mais tarde noutros períodos, para elaborar suas ideias; fizeram mudanças indispensáveis na notação musical, e desenvolveram técnicas novas instrumentais, assim como novos instrumentos. 
 
A música, no Barroco, expandiu em tamanho, variedade e complexidade deperformance instrumental da época, além de também estabelecer inúmeras formas musicais novas, como a ópera. Inúmeros termos e conceitos deste Período ainda são usados até hoje.
Em Portugal, também Francisco António de Almeida e João Rodrigues Esteves trabalharam no domínio da Ópera e das obras vocais. Carlos Seixas destacou-se no campo da literatura para tecla, com mais de 700 sonatas, inovando também no reportório orquestral, com uma "Abertura em Ré Maior" em estilo francês, uma "Sinfonia em Si bemol Maior" em estilo italiano e um "Concerto para cravo eorquestra em Lá Maior", um dos primeiros exemplares do género na Europa e um contributo original para o desenvolvimento do Barroco.
 
A Batalha Naval de Matapan (Cabo Matapão) 

A história desta batalha, envolve a conquista da Moreia, pelos turcos, que ameaçavam prosseguir com um avanço no terreno, perigando a soberania sobre outros domínios venezianos, como o Corfo. Perante esta ameaça, a Itália recorre ao papa que, por sua vez, apela à intervenção no conflito das coroas portuguesa e espanhola. É neste contexto que, D. João V, encarrega o conde do Rio Grande, o almirante Lopo Furtado de Mendonça, de comandar a esquadra portuguesa, constituída por cinco naus, duas fragatas e quatro navios de pequeno porte.


Batalha Naval do Cabo de Matapão
Largando Lisboa a 5 de Julho de 1716, a armada portuguesa desloca-se para o local de conflito, com o intuito de vencer a poderosa armada turca. Contudo, o recuo turco da frente de batalha leva ao regresso da armada portuguesa, sem nenhum envolvimento num conflito directo. Só no ano seguinte, é que a esquadra de Lopo Furtado regressa ao cenário de guerra, no Mediterrâneo, ao encontro da força turca sitiada ao largo do cabo de Matapão.
 
Foi assim que, auxiliada por duas naus da Ordem de Malta e uma fragata veneziana, a armada portuguesa combateu o inimigo, numa batalha que durou cerca de 9 horas e que culminou numa histórica vitória.
 
A assinalar este feito, pode-se encontrar, ainda, o retrato do almirante Lopo Furtado de Mendonça, comandante da esquadra portuguesa que venceu esta célebre batalha.
 
A neutralidade de D. João V

Esta neutralidade foi possível devido à riqueza do reino proveniente da exploração das minas de ouro do Brasil. D. João V pretendeu, à semelhança dos outros monarcas europeus, imitar Luís XIV. Defensor do absolutismo, não reuniu as Cortes uma única vez durante o seu reinado. Teve como principal ministro e homem de confiança o cardeal da Mota.
 
Devido às grandes obras que promoveu no campo da arte, da literatura e da ciência, ficou conhecido por "o Magnânimo". Na cultura merecem referência especial a Real Academia Portuguesa de História, fundada em 1722, e a introdução da ópera italiana,
em 1731.
 
D. João V desenvolveu ainda as artes menores (talha, azulejo e ourivesaria) e as artes maiores através de vários pintores e escultores que se deslocaram de Itália para trabalhar em Lisboa e Mafra. O Convento de Mafra ( com o ouro do Brasil ), mandado construir como forma de agradecer o nascimento do seu primeiro filho varão, e o Aqueduto das Águas Livres( à custa dos impostos do Povo ) são dois exemplos de obras públicas de grande imponência. Deu nome a um período da história da arte portuguesa designado barroco joanino.
Retrato de D. João V

Alexandre Herculano disse de D.João V: «O nosso primeiro rei do século XVIII pôde emular Luis XIV em fasto e magnificência. Há, porém diferença entre os dois monarcas: Luis XIV, mais guerreador que guerreiro, malbaratou o sangue dos seus súbditos em conquistas estéreis, enquanto D. João V, mais pacífico que tímido, comprou sempre, sem olhar ao preço, a paz externa dos seus naturais.».
 
Oliveira Martins, pertencendo à Geração liberal dos 1870, acusa D. João V de rei «freirático» e esbanjador e com o seu grande talento de escritor pinta a figura régia pela «brutalidade soêz e a parvoíce carola», atribuindo todas as culpas à sua educação jesuíta. Diz Oliveira Martins: 
 
« Portugal era um cenário de ópera, armado numa Igreja. Não somos nós com as nossas críticas inspiradas por motivo felizmente diversos, quem o diz: confessam-no os contemporâneos. Leia-se o que escreveu Cavaleiro de Oliveira, leia-se Alexandre Gusmão, leia-se o "Testamento Político" de D. Luís da Cunha, e reconhecer-se-á a verdade do triste quadro que esboçamos.»
 
Veríssimo Serrão na sua História de Portugal, diz que hoje não pode manter-se a concepção do rei esbanjador de riquezas, nem tão pouco um rei de amores freiráticos, que passava o tempo em conventos, dado a orgias e a uma vida afastada do ofício de reinar. 
 
A.H. de Oliveira Marques diz de D. João V na sua História de Portugal:

« O reinado do Magnânimo ficou famoso pela tendência do monarca em copiar Luís XIV e a corte francesa. O ouro do Brasil deu ao soberano e à maioria dos nobres a possibilidade de ostentarem opulência como nunca anteriormente. Por toda a parte se construíram igrejas, capelas, palácios e mansões em quantidade. 

 
Em Mafra, perto de Lisboa, um enorme Mosteiro exibiu a magnificência real. D. João V ocupou-se igualmente das artes e das letras, despendendo vastas somas na aquisição de livros e na construção de bibliotecas. Como em tantas cortes do século XVIII, a depravação moral ocupou lugar preponderante. 
 
O rei - e com ele muitos nobres - gerou filhos em freiras de diversos conventos, muitos dos quais se converteram em centros de prazer e numa espécie de lupanares reservados à aristocracia.»
 
Como converteu parte das suas riquezas em dignidades papais, o arcebispo de Lisboa tornou-se patriarca (1716), vestindo paramentos como os do papa ( excepto a cor ), e de seguir uma liturgia como as dos cardeais de Roma, e de ostentar, ele soberano, o título de " fidelíssimo ", dado pelo papa Benedito XIV em 1749 .

Inaugurou academias reais, palácios ( Convento de Mafra e outros) e livrarias, mas nos anos finais do seu reinado os ministros foram incompetentes, e o reino estagnou.

Auxiliou Veneza e o papa Clemente XI, na sua defesa contra os Turcos, onde o conde do Rio Grande, comandando a armada portuguesa (os franceses tinham-se retirado) derrotou os turcos na batalha naval do cabo de Matapan.

 
Amantes dos reis de Portugal

D. José I - O Reformador (1750 -1777)

 
D. José I de Portugal (nome completo: José Francisco António Inácio Norberto Agostinho de Bragança; 6 de junho de 1714 - 24 de fevereiro de 1777), cognominado O Reformador devido às reformas que empreendeu durante o seu reinado, foi Rei de Portugal da Dinastia de Bragança desde 1750 até à sua morte. Casou, em 1729, com D. Mariana Vitória de Bourbon, infanta de Espanha. Faleceu de trombose cerebral aos 63 anos e está sepultado no Panteão de São Vicentede Fora.
 

Com a morte de João V, o seu filho José foi nomeado primeiro ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, mais tarde conde de Oeiras e marquês de Pombal. , que rapidamente ganhou uma ascendência total sobre o rei e convenceu-o a substituir o absolutismo estático da monarquia por um tipo de despotismo ilustrado que, com algumas reservas, merece o epíteto assinalado.

Os seus poderem totais datam desde que conseguiu manejar com eficiência a crise provocada pelo desastroso terramoto de Lisboa; mas antes disto tinha reformado o comércio do açúcar e dos diamantes (1750), e formado uma companhia com privilégios para controlar a indústria da sardinha e do atum no Algarve e outras para comerciar com o nordeste do Brasil.

O Terramoto de Lisboa (1755)

 
Na manhã de 1 de Novembro, dia de Todos os Santos, um violento terramoto fez-se sentir em Lisboa, Setúbal e no Algarve. Na capital, local onde atingiu maior intensidade ( modernamente crê-se que comgrau 9 na escala de Ritcher ), foi acompanhado por um maremoto ( Tsunami ) com ondas que parecem ter chegado aos 20 metros, e que chegou até às costas dos Estados Unidas da América.

O maremoto varreu o Terreiro do Paço e um gigantesco incêndio que, durante 6 dias, completaram o cenário de destruição de toda a Baixa de Lisboa. Este trágico acontecimento foi tema de uma vasta literatura que se desenvolveu um pouco por toda a Europa, e de que é exemplo o poema de Voltaire Le Désastre de Lisbonne (1756).

Lisboa já havia sentido muitos terramotos nos tempos modernos, oito no século XIV, cinco no século XVI, incluindo o de 1531que destruiu 1.500 casas, e o de 1597 que destruiu três ruas, e três no século XVI. 

No século XVIII foram mencionados os terramotos de 1724 e 1750. Este último precisamente no dia da morte de D. João V, mas ambos de consequências menores. 

 Em 1755, ruíram importantes edifícios, como o Teatro da Ópera, o palácio do duque de Cadaval, o palácio real e o Arquivo da Torre do Tombo cujos documentos foram salvos, o mesmo não acontecendo com as bibliotecas dos Dominicanos e dos Franciscanos.

Ao todo, terão sido destruídos cerca de 10 000 edifícios e terão morrido entre 12 000 a 15 000 pessoas, ou talvez muito mais. (Estudos modernos indicam que numa cidade com 275.000 habitantes tenham morrido entre 70 a 90.000 pessoas)


O Marquês de Pombal
Marquês de Pombal
Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro Conde de Oeiras e Marquês de Pombal (Lisboa, 13 de Maio de 1699 – Pombal, 8 de Maio de 1782 ) foi um nobre, diplomata e estadista português.

Foi secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I (1750-1777), sendo considerado, ainda hoje, uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa.

Representante do despotismo esclarecido em Portugal no século XVIII, viveu num período da história marcado pelo iluminismo. Iniciou com esse intuito várias reformas administrativas, económicas e sociais.

Acabou com a escravatura em Portugal Continental a 12 de Fevereiro de 1761 e, na prática, com os autos de fé em Portugal e com a discriminação dos cristãos-novos, apesar de não ter extinguido oficialmente a Inquisição portuguesa, em vigor "de jure" até 1821.

Os métodos de Pombal eram arbitrários, e os seus inimigos numerosos. A sua reforma da indústria do vinho, provocou uma desordem no Porto (1757) que foi selvaticamente reprimida; mas as principais vítimas foram os Jesuítas, expulsos em 1759 de todos os domínios portugueses, e a nobreza, em particular José Mascarenhas, duque de Aveiro, e a família Távora, que foram acusados de um ataque contra o Rei (3 de Setembro de 1758), condenados, e executados ( 12 de Janeiro de 1759).

Como Pombal eliminou os Jesuítas do sistema de educação, aplicou princípios régios na reforma da Universidade de Coimbra (1772) e o conselho real de censura (1768), que supervisava o sistema da educação básica desde 1771. Pombal tinha conseguido cortar regalias aos comerciantes ingleses, mas mesmo assim, invocou a aliança com Inglaterra em 1762, quando a Espanha, que tinha renovado a aliança da família Bourbon com França, invadiu Portugal.

O exército português foi reformado por Wilhelm von Schaumburg-Lippe, e reforçado por uma força inglesa comandada por James O`Hara e Jonh Cambell. A paz foi assinada em em Fevereiro de 1763 em Fontainebleau.


Serviço de Informações - Espionagem
 
Em 1760, o marquês de Pombal criou a Intendência da Polícia da Corte e do Reino, com amplos poderes em matéria de segurança pública e de onde constava uma "rede de espias e informadores", responsável pela recolha de informações de natureza política, fiscal e criminal. Foi seu primeiro Intendente o desembargador Inácio Ferreira Souto, que desempenhou um papel fundamental na perseguição à família dos Távoras
 
Arquitetura Pombalina

No terramoto de 1755 e o maremoto que se seguiu destruiram grande parte da capital portuguesa. D. José I e o seu primeiro-ministroSebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal organizaram um grupo de homens para reconstruirem a baixa da cidade.

O Pombalino é de novo, tal como a arquitectura Chã, fruto da necessidade e do espírito de iniciativa de Portugal. Recebe este nome devido ao Marquês de Pombal, poderoso ministro de D.José, principal impulsionador da reconstrução e verdadeiro governante do reino, sem o qual não teria sido possível obra de tamanha envergadura. Também é fundamental a referência aos arquitectos Eugénio dos Santos , Manuel da Maia e Carlos Mardel, verdadeiros autores das propostas apresentadas. 

 
É um tipo de arquitectura inteligente e muito bem concebida, por englobar o primeiro sistema anti-sísmico e o primeiro método de construção em grande escala pré-fabricado no mundo. Consiste numa estrutura em madeira flexível inserida nas paredes, pavimentos e coberturas, posteriormente coberta pelos materiais de construção pré-fabricados, que, como se dizia na época, "abana mas não cai". A baixa de Lisboa, área mais afectada, está construída em zona instável, sendo necessário reforçar toda a área.
Sistema anti-sismico de Pombal
Recorre-se a outro sistema anti-sísmico, composto por uma verdadeira floresta de estacas enterradas. Estas, como estão expostas à água salgada, não correm o perigo de apodrecer conservando a sua elasticidade natural.

Protegia-se a cidade de modo revolucionário e, sem dúvida, pela primeira vez no mundo, a esta escala. O sistema pré-fabricado é completamente inovador para a época. 

 
O edifício é inteiramente fabricado fora da cidade, transportado em peças, e posteriormente montado no local. Pela primeira vez se constrói uma cidade nestes termos. Apesar de as obras de reconstrução da cidade se arrastarem até ao século XIX, poucos anos depois, ainda em vida do rei, a população estava devidamente alojada e com condições inexistentes antes do terramoto.

A cidade é completamente modificada. As ruas de traçado medieval, com aspecto labiríntico, dão lugar a um traçado rectilíneo ortogonal, regularizando a área compreendida entre as antigas praças da cidade, Rossio e Terreiro do Paço, também corrigidas e ordenadas. Os espaços são amplos, permitindo condições de iluminação e arejamento inexistentes na cidade medieval. A Praça do Comércio, sem o Palácio Real, transferido para a Ajuda, está aberta ao rio Tejo e destina-se a receber os vários ministérios. 

 
É dominada por dois torreões gémeos, inspirados no antigo torreão do Palácio Real, monumentalizada por uma estátua do rei D. José, da autoria de Machado de Castro, e recebe um arco de triunfo, construído apenas no século XIX segundo projecto diferente do original, simbolizando o triunfo sobre o terramoto. É a praça do poder. O Rossio perde o antigo e arrasado Hospital de Todos os Santos, e torna-se no "fórum" da cidade, tentando manter o carácter popular, apesar dos elegantes edifícios. As ruas são hierarquizadas condicionando a tipologia de edifícios construídos.

O edifício Pombalino é uma estrutura até quatro pisos, com arcadas para lojas no piso térreo, varandas ou varandins no primeiro andar e cobertura em água furtada. Todas as construções seguem a mesma tipologia, sendo acrescentados pormenores decorativos na fachada consoante a importância do local. As construções são isoladas por quebra-fogos e respeitando a volumetria máxima imposta – considerava-se que os quatro pisos eram os ideais em caso de nova catástrofe. 

 
Arco da Rua Augusta em Lisboa
A construção dos palácios é também regulamentada, obrigando uma sobriedade sem ostentação, muito impopular entre a aristocracia, permitindo efeitos decorativos apenas no portal e janelas um pouco mais elegantes que os prédios de habitação. As igrejas seguem o espírito da época. O número é drasticamente reduzido, seguindo os mesmos princípios construtivos, alguma decoração arquitectónica exterior e tipologias bem definidas. 
 
São edifícios de nave única com altares laterais, decoração interna seguindo as formas do Rococó, materiais fingidos em madeira e estuque, alguma pintura (destacam-se as obras de Pedro Alexandrino de Carvalho) e escultura. Os espaços são agradáveis, suaves, luminosos e, apesar da construção pré-fabricada, bem ao gosto Rococó
 
Destacam-se as Igrejas de Santo António da Sé (no local onde nasceu Santo António), da Encarnação, São Domingos, Madalena, Mártires e muitas outras. Mantendo o vocabulário estético e elementos decorativos pré-fabricados houve a preocupação de as individualizar. Em edifícios menos destruídos tentou-se harmonizar as formas pombalinas com a decoração existente.
Música Clássica - Música erudita ocidental
 
Período clássico é o período da música erudita ocidental entre a segunda metade do século XVIII e o início do século XIX, caracterizada pela claridade, simetria e equilíbrio. Os compositores mais conhecidos do período são Franz Joseph Haydn (1732-1809), Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e Ludwig van Beethoven (1770-1827), embora este último, mostrava características do Romantismo desde sua Terceira Sinfonia.
 
Mozart
 
Na cultura ocidental, a segunda metade do século XVIII coincidiu com a última parte do Período do Iluminismo. Este movimento, humanitário e secular por natureza, enfatizava a razão, a lógica e o conhecimento. Aqueles que se baseavam na religião, na superstição e no sobrenatural para manterem as posições de poder, viram a sua autoridade questionada e eventualmente reduzida.  
 
A crença nos direitos humanos e na irmandade sobrepôs-se ao direito divino dos reis, até então considerado inegável. Ambas as revoluções americana e francesa foram combatidas durante esta metade do século. Considerando este período como um grande ponto de reviravolta, os filósofos e escritores promoveram a razão em detrimento do costume ou da tradição como o melhor guia da conduta humana. 
 
Uma mudança paralela ocorreu na música ocidental durante a segunda metade do século XVIII. Denominado normalmente "Período Clássico", este período musical era caracterizado pela objectividade (controlo, brilho e requinte), claridade, periodicidade (fraseologia regular) e equilíbrio.
Portugal não fugiu à corrente dominadora do classicismo na cena musical europeia da segunda metade doséculo XVIII, apesar da posição periférica e de não existir uma forte e socialmente impregnada educaçãoe atividade musicais. Foi a partir do casamento do rei D. João V com a princesa austríaca D. Maria Ana que a música em Portugal ganhou um novo alento. 
 
Começava o chamado período "italiano", marcado pelapreponderância e influência da ópera italiana e das suas formas dramáticas de carácter acentuadamenteprofano. Alguns músicos portugueses demandaram mesmo a Itália para desenvolverem estudos demúsica, a expensas de D. João V, principalmente depois de 1717. 
 
António de Almeida e António Teixeira são os dois músicos mais famosos dessa leva de músicos italianizados de Setecentos em Portugal. Além de composições de carácter profano, próprias da sua formação, compuseram também peças de cunhoreligioso, o que se entendia na espiritualidade barroca da época. Teixeira foi mais sacro que Almeida.
 
D. Maria I- A Piedosa - A Pia ou a Louca(1777 - 1816 )


D. Maria I

D. Maria I de Portugal (Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança); Lisboa, 17 de dezembro de 1734 — Rio de Janeiro, 20 de Março de 1816) foi Rainha de Portugal de 24 de fevereiro de 1777 a 20 de março de 1816, sucedendo ao seu pai, El-Rei José I. D. Maria foi, antes de assumir o trono, Princesa do Brasil, Princesa da Beira e duquesa de Bragança.

Jaz na Basílica da Estrela, em Lisboa, para onde foi transladada.

Ficou conhecida pelos cognomes de A Piedosa ou a A Pia, devido à sua extrema devoção religiosa à Igreja Católica - demonstrada, por exemplo, quando mandou construir a Basílica da Estrela, em Lisboa.

No Brasil, é conhecida pelo cognome de Dona Maria, a Louca ou Maria Louca, devido à doença mental manifestada com veemência nos últimos 24 anos de vida.Com a morte de José I (24 de Fevereiro de 1777), a sua filha D. Maria I (1777-1816), casada em 1760 com o seu tio ( Pedro III) subiu ao trono.

O marquês de Pombal foi demitido (1777) e foi eventualmente encontrado culpado de várias acusações. Os seus sucessores fizeram a paz com Espanha, pelo tratado de San Ildefonso (1777).


Ficou conhecida pelo cognome de A Piedosa ou a A Pia, devido à sua extrema devoção religiosa (foi ela, por exemplo, que mandou construir a Basílica da Estrela em Lisboa), e também como A Louca, devido à doença mental manifestada com veemência nos últimos 24 anos de vida
 
Serviço de Informações - Espionagem
 
Em 1780, a rainha D. Maria I nomeou como Intendente-Geral da Polícia da Corte e do Reino Pina Manique, que se manteve em funções até 1805. Na primeira década de Oitocentos, sob o domínio político-militar inglês, a Intendência não deu sinais de vitalidade, tendo sido reforçado o papel da Guarda-Geral de Polícia (criada em 1801).
 
A Constituição de 1822 veio conferir ao poder executivo competência para "(...) prover a tudo o que for concernente à segurança interna e externa do Estado, na forma da Constituição" (artigo 122º), determinando ainda a existência de "uma força militar permanente, nacional" para manter a "segurança interna e externa do reyno" (artigo 171º). Em cada província, eram criadas corpos de milícias (artigo 173º) e previa-se ainda a formação de uma Guarda Nacional (artigo 174º)
 
Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-1783)
 
A Guerra da Independência dos Estados Unidos, Guerra Revolucionária Americana (1775–1783), Guerra Americana da Independência, ou simplesmente Guerra Revolucionária nos Estados Unidos, teve início como uma guerra entre o Reino da Grã-Bretanha e as Treze Colónias, mas, de forma gradual, cresceu para uma guerra mundial entre os britânicos de um lado, e os recém-formados Estados Unidos, França, Países Baixos, Espanha, e o Reino de Mysore do outro. O resultado principal do conflito foi a vitória americana e o reconhecimento europeu da independência dos Estados Unidos, com diferentes resultados para as outras potências.
 
O boicote americano à taxação britânica do chá deu origem a um protesto em 1773, quando navios carregados com chá foram destruídos. Londres respondeu pondo um fim ao auto-governo de Massachusetts, e colocando-o sob controlo do exército britânico, e nomeando o general Thomas Gage para governador. Em Abril de 1775, Gage soube que estavam a ser reunidas armas em Concord, e enviou tropas britânicas para as descobrir e destruir. A milícia local fez frente às tropas (ver Batalhas de Lexington e Concord).
 
A França, Espanha e a República dos Países Baixos, providenciaram, secretamente, munições, armas e mantimentos aos revolucionários desde o início de 1776. Em Junho desse ano, os americanos detinham o controlo total de todos os estrados, mas a Marinha Real Britânica capturou Nova Iorque fazendo desta cidade a sua base principal. A guerra estava num impasse. 
 
A França, Espanha e a República dos Países Baixos, providenciaram, secretamente, munições, armas e mantimentos aos revolucionários desde o início de 1776. Em Junho desse ano, os americanos detinham o controlo total de todos os estrados, mas a Marinha Real Britânica capturou Nova Iorque fazendo desta cidade a sua base principal. A guerra estava num impasse.
 

"Washington atravessando o Rio Delaware" - retrato (1851) por Emanuel Leutze  durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos.
Uma invasão desde o Canadá, em 1777, terminou com a captura do exército britânico nas Batalhas de Saratoga. A vitória americana convenceu a França a entrar na guerra, declaradamente, no início de 1778, equilibrando as forças nos dois lados. A Espanha e os Países Baixos – aliados de França – também entraram em guerra aberta com os britânicos, nos quatro anos seguintes, ameaçando invadir a Grã-Bretanha e testando a força militar britânica co campanhas n Europa, Ásia e Caraíbas. 
 
O envolvimento espanhol resultou na expulsão dos exércitos britânicos da Flórida, e no controlo do flanco sul americano. A vitória naval britânica na Batalha de Saintes frustrou um plano francês e espanhol de expulsar os britânicos das Caraíbas, e os preparativos para uma segunda tentativa foram bloqueadas pela declaração de paz. O longo cerco franco-espanhol dos britânicos em Gibraltar, também resultou em derrota.
 
O envolvimento francês foi decisivo contudo o custo foi alto, em termos financeiros, arruinando a economia francesa e dando origem a uma enorme dívida. Uma vitória naval fora da Baía de Chesapeake deu origem a um cerco, composto por forças combinadas de franceses e exércitos Continentais, que forçaram um exército britânico a render-se em Yorktown, Virginia, em 1781. A luta continuou durante 1782, enquanto tinham início as negociações de paz.
 
Em 1783, o Tratado de Paris pôs um fim à guerra e reconheceu a soberania do Estados Unidos no território compreendido entre o Canadá, a norte, Flórida, a sul, e o rio Mississippi a oeste. Em negociações de paz mais alargadas, internacionalmente, foram trocados mais territórios.
 
Batalha da ESQUADRA DO OCEANO (1798-1800)
 
Em 1798, o Governo português mandou seguir para o Mediterrâneo, os seis navios (três naus, uma fragata e dois bergantins) da Esquadra do Oceano sob o comando do Marquês de Nisa, D. Domingos Xavier de Lima, que se incorporou na esquadra inglesa de Lorde Nelson.

Para além do esforço que significou a manutenção desta Força Operacional no Mediterrâneo, durante quase dois anos, não poderemos esquecer o esforço logístico que foi necessário efetuar para manter a sua linha de abastecimentos, numa área infestada de corsários, e que permitiu mantê-la aprovisionada e abastecida. 

 
Esquadra do Oceano
Sobre esta missão da Armada Real citamos o que afirmou Marques Esparteiro: “Da ação da esquadra do Marquês de Nisa, que operou no Mediterrâneo, deveriam resultar para a Nação vantagens de prestígio e mesmo de ordem económica. Porém, o resultado foi anulado pelo tremendo fracasso político do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros. 
 

A nossa diplomacia enviou a esquadra a cooperar com a inglesa demasiado tarde e recolheu-a demasiado cedo. O nosso procedimento acarretou-nos a má vontade francesa sem nos trazer o reconhecimento inglês.”
A França revolucionária e a Revolução Francesa.

 
A Revolução Francesa  (1789-1799) foi um período de intensa agitação política e social na França, que teve um impacto duradouro na história do país e, mais amplamente, em todo o continente europeu. A monarquia absolutistaque tinha governado a nação durante séculos entrou em colapso em apenas três anos. 
 
A sociedade francesa passou por uma transformação épica, quando privilégios feudais,aristocráticos e religiosos evaporaram-se sob um ataque sustentado de grupos políticos radicais de esquerda, das massas nas ruas e de camponeses na região rural do país.Antigos ideais da tradição e da hierarquia de monarcas, aristocratas e daIgreja Católica foram abruptamente derrubados pelos novos princípios de Liberté, Égalité, Fraternité (em português: liberdade, igualdade e fraternidade). 
 
A Liberdade Guiando o Povo, por Eugène Delacroix.
As casas reais da Europa ficaram aterrorizadas com a revolução e iniciaram um movimento contrário que até 1814 tinha restaurado a antiga monarquia, mas muitas reformas importantes tornaram-se permanentes.
 
Maria I sofria de melancolia desde a morte do seu marido (1786) e do seu filho mais velho João (1798). Em 1792 o seu equilíbrio mental ficou ainda mais perturbado pelas notícias da Revolução Francesa, e ficou impossibilitada de governar.

D. João VI - O Clemente ( 1816 - 1826 )

Dom João VI de Portugal (nome completo: João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael de Bragança; Lisboa, 13 de maio de 1767 — Lisboa, 10 de março de 1826), cognominado O Clemente, foi rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves de 1816 a 1822, de facto, e desde 1822 até 1825, de jure.

D. João VI
Desde 1825 foi rei de Portugal até sua morte, em 1826. Pelo Tratado do Rio de Janeiro de 1825, que reconhecia a independência do Brasil do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Dom João VI também foi o imperador titular do Brasil, embora tenha sido seu filho Dom Pedro I o imperador do Brasil de facto. 


João VI (1816-26), governou em seu nome e em 1799 tornou-se príncipe regente. Em 1793 Portugal juntou-se à Inglaterra e Espanha contra França, mandando uma divisão naval para assistir à esquadra Inglesa no Mediterrâneo e um exército para a frente catalã. A paz de Basileia (Julho de 1795), na qual a Espanha abandonou os seus aliados, deixou Portugal ainda na guerra.

Ainda que sujeito a pressão do Directório Francês e do Ministro espanhol, Manuel de Godoy, Portugal não foi molestado até 1801, quando Godoy mandou um ultimato e invadiu o Alentejo. Pela paz de Badajoz (Junho de 1801), Portugal perdeu a cidade de Olivença e teve de pagar uma indemnização.

Desde a paz de Amiens(1802) até (1807) Portugal ficou mais uma vez imune de qualquer ataque, ainda que sujeito a constante pressão para quebrar os laços com a Inglaterra. Pelo decreto de Berlim de 21 de Novembro de 1806, Napoleão pensou fechar todos os portos continentais aos barcos ingleses.

Portugal foi convidado a permanecer neutro, mas o tratado secreto Franco-Espanhol de Fontainebleau em Outubro de 1807, considerava a divisão de Portugal entre Napoleão I e Godoy.

Transferência da Corte Portuguesa para o Brasil (1808 - 1821)
Em 1980, quando as forças de Napoleão começaram a invadir Portugal, tomou-se a decisão de transferir o Monarca e sua Corte para o Rio de Janeiro, onde permaneceram até 1821. 
 
O Goveno Britânico envolveu-se nessa transferência, providenciando os navios necessários para a Família Real, e aproveitou-se da difícil situação de Portugal para obter ainda mais privilégios comerciais.
A abertura dos portos brasileiros às nações amigas, em 1808, logo após a chegada de D. João VI, reforçou a dominação inglesa. O acordo deu à Inglaterra o monopólio em novos mercados, com direitos garantidos e preferências comerciais. 
O estabelecimento da administração real na Colónia, pelo período de 14 anos, acelerou a marcha em direcção à Independência.
A Coroa Portuguesa, consciente ou não, tomou certas medidas que amenizaram a transição para a Independência. A ascensão do Brasil, em 1815, do status de colónia para o de Reino Unido com Portugal, pode ser um exemplo, como também o é o facto de que, embora o domínio de Napoleão tenha terminado em 1815, o rei D. João VI tenha preferido ficar no Rio de Janeiro. 
 
A Invasão de Portugal

As Guerras Napoleónicas ou a Guerra Peninsular

A Guerra Peninsular, em que se empenharam as forças militares portuguesas entre 1807 e 1814, constituiu um evento de profunda repercussão em Portugal, Espanha, Grã-Bretanha e França, países europeus que a história, entretanto, aproximou.

Invasões Francesas
A Nação armada repeliu os invasores franceses e o exército Português prosseguiu as campanhas de Espanha e de França até à vitória final em Toulouse a 10 de Abril de 1814. O General Andoche Junot atravessou a Espanha com um exército francês para invadir Portugal, e o príncipe regente, a família real e corte embarcaram numa esquadra fundeada no rio Tejo e foram escoltados por barcos de guerra Inglesa até ao Brasil. A corte permaneceu 14 anos no Rio de Janeiro.

1ª Invasão Francesa - Junot - Jean-Andoche Junot, Duque de Abrantes

Junot declarou que os Braganças tinham sido depostos, mas a sua ocupação foi desafiada em Agosto de 1808 pela chegada de Arthur Wellesley ( mais tarde duque de Wellington) e um exército inglês de 13.500 homens à baía do Mondego. 

Ganhando as victórias de Roliça (17 de Agosto) e Vimeiro (21 de Agosto), Wellesley permitiu aos seus superiores negociar a Convenção de Sintra (31 de Agosto), pela qual foi permitido a Junot abandonar Portugal levando todo o seu exército.

2ª Invasão Francesa - Soult - Nicolas Jean de Dieu Soult

Wellington

A segunda invasão francesa (1808-09) levou à morte Jonh Moore na Corunha (Janeiro de 1809) e ao reembarque das forças britânicas. 

Em Fevereiro, William Carr (depois visconde) Beresford foi posto no comando do exército Português, e em Março o Marechal N.J. de Dieu Soult avançou desde a Galiza e tomou o Porto.

Wellesley regressou a Portugal em Abril, afastou Soult do norte, e depois da victória de Talavera de la Reina (Julho). libertou Portugal.



3ª Invasão Francesa - 

Massena - Jean-André Masséna, 1º Duque de Rivoli, 1º Príncipe d'Essling -" l'Enfant chéri de la Victoire" - Excepto em Portugal !

A terceira invasão francesa seguiu-se em Agosto de 1810 quando o marechal André Massena, o Marechal Michel Ney e Junot entraram na província da Beira.

Derrotados por Wellington no Buçaco (27 de Setembro) perto de Coimbra, as forças francesas tiveram que enfrentar as linhas de defesa de Torres Vedras ao norte de Lisboa, muito bem preparadas, e tiveram que aí invernar no meio de grandes privações.


Batalha do Bussaco
Na primavera de 1811 puderam retirar-se, e em 5 de Março começaram a evacuação de Portugal, hostigadas pelos ataques de portugueses e ingleses e atravessando a fronteira depois de terem sido novamente derrotadas no Sabugal (3 de Abril). Portugal fez a paz com França em 30 de Maio de 1814.

Portugal foi representado no Congresso de Viena mas teve pouco peso nas decisões aí tomadas. No tratado de 22 de Janeiro entre Portugal e a Inglaterra e na sua adicional convenção de 1817, foi reconhecido a Portugal o direito de considerável parte na África.

 

 
206 anos das invasões francesas (1807 - 2013)
 os três derrotados
                              
 Jean-Andoche Junot                Jean de Dieu Soult              Jean-André Masséna
 

As Invasões Francesas
 

Waterloo o Fim de Napoleão

Batalha de Waterloo foi um confronto militar ocorrida a 18 de Junho de 1815 perto de Waterloo, na atual Bélgica, (então parte integrante do Reino Unido dos Países Baixos). Um exército do Primeiro Império Francês, sob o comando do Imperador Napoleão (72 000 homens), foi derrotado pelos exércitos da Sétima Coligação que incluíam uma força britânica liderada pelo Duque de Wellington, e uma força prussiana comandada por Gebhard Leberecht von Blücher (118 000 homens). Este confronto marcou o fim dos Cem Dias e foi a última batalha de Napoleão; a sua derrota terminou com o seu governo como Imperador.


Batalha de Waterloo po William Sadler
Depois do regresso de Napoleão ao poder em 1815, muitos dos Estados que se tinham oposto ao Imperador formaram a Sétima Coligação, dando início à mobilização dos seus exércitos. Duas forças de grande dimensão sob o comando de Wellington e de Blücher concentraram-se perto da fronteira nordeste da França.

Napoleão decidiu atacar na esperança de as destruir antes que dessem início a uma invasão coordenada da França, juntamente com outros membros da coligação. O confronto decisivo da campanha de três dias de Waterloo - 16 a 19 de Junho de 1815 -, teve lugar em Waterloo. De acordo com Wellington, a batalha foi "a mais renhida que assisti na minha vida".

Constitucionalismo.

As campanhas Napoleónicas causaram grande devastação em Portugal, e a ausência da família real e a presença de comandantes estrangeiros ( Beresford ) combinadas com a agitação revolucionária e a influência de liberalismo espanhol, produziu uma atmosfera de descontentamento e desespero.
Beresford


Em 16 de Dezembro de 1815, o Brasil fora elevado à dignidade de reino unido com Portugal, e João VI, que tinha sucedido a sua mãe em Março de 1816, não mostrava desejo de regressar a Portugal. Em 1817 Beresford suprimiu uma conspiração em Lisboa, e o líder maçónico General Gomes Freire de Andrade foi condenado e executado.
Quando Beresford foi ao Brasil para convencer João VI a regressar a Portugal. começou uma revolução constitucionalista no Porto (24 de Agosto de 1820), alastrou através do país, e levou à formação de uma Junta em Lisboa. Quando Beresford regressou a Lisboa, não se permitiu a sua entrada , e os oficiais ingleses tinham sido expulsos do exército.Tinha sido aprovada uma assembleia constituinte, deixando assim João VI com um facto consumado.

A relutância de João VI em regressar foi por fim vencida, e o seu filho mais velho Pedro ficou a governar o Brasil, chegando a Lisboa em 3 de Julho de 1821. Jurou manter a constituição, mas a sua mulher, Carlota Joaquina, e o seu segundo filho, Dom Miguel recusaram o juramento e foram condenados ao exílio, ainda que não o fizessem.

A organização do sistema bancário português remonta aos princípios do século XIX, mais especificamente ao período subsequente à implantação do regime liberal. Para tal foram factores determinantes a afirmação social e política da burguesia e o desenvolvimento económico do País.

O Romantismo
 
Romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas doséculo XVIII na Europa que perdurou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo1 e buscou um nacionalismoque viria a consolidar os estados nacionais na Europa.
 
Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento, e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundocentrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu.

"A Revolução Belga", de Wappers.
O termo romântico refere-se ao movimento estético ou, em um sentido mais lato, à tendência idealista ou poética de alguém que carece de sentido objetivo.
 
O Romantismo é a arte do sonho e fantasia. Valoriza as forças criativas do indivíduo e da imaginação popular. Opõe-se à arte equilibrada dos clássicos e baseia-se na inspiração fugaz dos momentos fortes da vida subjetiva: na fé, no sonho, na paixão, na intuição, na saudade, no sentimento da natureza e na força das lendas nacionais.
 
História da Música - O Romantismo
 
A Era Romântica é um período da história da música que se convenciona classificar entre o ano de 1815 até o início do século XX. Designa ainda qualquer música escrita durante esse período ou posterior (neorromantismo), que se enquadre na estética do período romântico. Foi precedido pelo classicismo e sucedido pelas tendências modernistas.
 
Verdi
A época do romantismo musical coincide com o romantismo na Literatura, Filosofia e Artes Plásticas. A ideia geral do romantismo é que a verdade não poderia ser deduzida a partir de axiomas. Certas realidades só poderiam ser captadas através da emoção, do sentimento e da intuição. 
 
Por essa razão, a música romântica é caracterizada pela maior flexibilidade das formas musicais e procurando focar mais o sentimento transmitido pela música do que propriamente a estética, ao contrário do Classicismo. No entanto, os gêneros musicais clássicos, tais como a sinfonia e o concerto, continuaram sendo escritos.
 
No romantismo, estabeleceu-se vários conceitos de tonalidades para descrever os vocabulários harmônicos herdados do Barroco e doclassicismo. Os compositores românticos tentaram juntar as grandes estruturas harmônicas desenvolvidas por Haydn e aperfeiçoadas por Mozart e Beethoven com suas próprias inovações, buscando maior fluidez de movimento, maior contraste, e cobrir as necessidades harmônicas de obras mais extensas. 
 
O cromatismo utilizou uma forma mais freqüente e variada, assim como asdissonâncias. A mudança de tom acontecia de maneira mais brusca que no Classicismo, e as modulações ocorriam entre tons cada vez mais distantes. As propriedades dos acordes de sétima diminuta, que permitem modular a praticamente qualquer tonalidade, foram exploradas exaustivamente.
 
Durante o Período Romântico, foram feitas analogias entre a Música e a Poesia ou a estruturas narrativas. Ao mesmo tempo, criou-se uma base mais sistemática para a composição e interpretação da música de concerto. Houve também um crescente interesse nas melodias e temas, assim como na composição de canções. Não esquecendo o grande desenvolvimento da orquestra sinfônica e do virtuosismo, com obras cada vez mais complexas.

A Revolução Industrial (1820-1840)

Revolução Industrial foi a transição para novos processos de manufatura no período entre 1760 a algum momento entre 1820 e 1840. Esta transformação incluiu a transição de métodos de produção artesanais para a produção por máquinas, a fabricação de novos produtos químicos, novos processos de produção de ferro, maior eficiência da energia da água, o uso crescente da energia a vapor e o desenvolvimento das máquinas-ferramentas, além da substituição da madeira e de outros biocombustíveis pelo carvão. A revolução teve início no Reino Unido e em poucas décadas se espalhou para a Europa Ocidental e os Estados Unidos.

A Revolução Industrial é um divisor de águas na história e quase todos os aspectos da vida cotidiana da época foram influenciados de alguma forma por esse processo. Em particular, a renda média e a população começaram a experimentar um crescimento sustentado sem precedentes históricos.

Nas palavras de Robert E. Lucas Jr., ganhador do Prémio Nobel: "Pela primeira vez na história os padrões de vida das massas de pessoas comuns começaram a se submeter a um crescimento sustentado ... Nada remotamente parecido com este comportamento econômico é mencionado por economistas clássicos, até mesmo como uma possibilidade teórica."


Revolução Industrial - Ferro e Carvão - Quadro de William Scott (1855-1860) 
O início e a duração da Revolução Industrial variam de acordo com diferentes historiadores. Eric Hobsbawm considera que a revolução "explodiu" na Grã-Bretanha na década de 1780 e não foi totalmente percebida até a década de 1830 ou de 1840, enquanto T. S. Ashton considera que ela ocorreu aproximadamente entre 1760 e 1830.

Alguns historiadores do século XX, como John Clapham e Nicholas Crafts, têm argumentado que o processo de mudança econômica e social ocorreu de forma gradual e que o termo "revolução" é equivocado. Este ainda é um assunto que está em debate entre os historiadores.

O PIB per capita manteve-se praticamente estável antes da Revolução Industrial e do surgimento da economia capitalista moderna. A revolução começou uma era de forte crescimento económico nas economias capitalistas e existe um consenso entre historiadores econômicos de que o início da Revolução Industrial é o evento mais importante na história da humanidade desde a domesticação de animais e plantas.

A Primeira Revolução Industrial evoluiu para a Segunda Revolução Industrial, nos anos de transição entre 1840 e 1870, quando o progresso tecnológico e económico ganhou força com a adoção crescente de barcos a vapor, navios, ferrovias, fabricação em larga escala de máquinas e o aumento do uso de fábricas que utilizavam a energia a vapor.

Em Portugal, as reformas de Mouzinho da Silveira liquidam os resquícios das estruturas feudais e consolidam a burguesia no poder, modernizando o país. Na segunda metade do século XIX implanta-se a malha ferroviária no país em paralelo a um desenvolvimento industrial e do comércio, à dinâmica do colonialismo, e a uma grande emigração, principalmente em direcção ao Brasil e aos Estados Unidos.
 
O primeiro Banco em Portugal

A primeira instituição bancária dava pelo nome de Banco de Lisboa, tendo sido fundado em 1821. Este dedicava-se, sobretudo, ao apoio da actividade comercial e manteve, até 1845, o exclusivo da emissão de papel-moeda. Em 1846, verificou-se a sua fusão com a Companhia Confiança Nacional, nascendo assim o Banco de Portugal.

Moedas ouro D. Sebastião
Foram muito poucos os bancos entretanto surgidos (não mais do que três), pelo que foi preciso aguardar pela década de 1860 e pelo dinamismo económico e financeiro associado à Regeneração e, em especial, à política desenvolvida por Fontes Pereira de Melo para assistir à multiplicação dos bancos e dos montantes dos depósitos.

 Tratou-se, porém, de um surto episódico, visto que a crise, que eclodiu em meados da década seguinte, estrangulou os bancos de mais reduzida dimensão e de âmbito local.

Os anos 80 e 90 não trouxeram melhorias consideráveis, antes pelo contrário, pelo que, no rescaldo da crise de 1892, apenas se contavam cerca de trinta instituições sobreviventes. Foi a partir daí que a conjuntura inflectiu, permitindo ao sistema bancário nacional ampliar-se, sobretudo em termos de movimentação de capitais, já que, à data da implantação da República, não era maior o número de bancos em funcionamento.

Pedro IV - O Libertador e 1º Imperador do Brasil 

 
Dom Pedro I (Queluz, 12 de outubro de 1798 — Queluz, 24 de setembro de 1834), alcunhado o Libertador,1 foi o fundador e primeiro monarca do Império do Brasil. Como Rei Dom Pedro IV, reinou brevemente em Portugal, onde também ficou conhecido comoo Libertador e também como o Rei Soldado. Nascido em Lisboa, Pedro I foi o quarto filho do Rei Dom João VI de Portugal e da Rainha Carlota Joaquina, e assim membro da Casa de Bragança. Quando seu país foi invadido por tropas francesas em 1807, foi com sua família para o Brasil.

D.Pedro IV
Dom Pedro I alcunhado o Libertador, foi o fundador e primeiro monarca do Império do Brasil.

Como Rei Dom Pedro IV, reinou brevemente em Portugal, onde também ficou conhecido como o Libertador e também como o Rei Soldado. Nascido em Lisboa, Pedro I foi o quarto filho do Rei Dom João VI de Portugal e da Rainha Carlota Joaquina.

Quando seu país foi invadido por tropas francesas em 1807, foi com sua família para o Brasil.

Os constitucionalistas portugueses, não apreciaram a auto-determinação do Brasil pelo menos com o estatuto de reino, e ordenaram o regresso de Pedro; mas ele , antes de sacrificar o governo dos Braganças no Brasil, declarou a Independência do Brasil (7 de Setembro de !822), e tornou-se imperador do Brasil como Pedro I. 

Abdicou de Imperador do Brasil em 7 de Abril de 1031.

Isto permitiu ao seu irmão Miguel apelar às forças absolutistas em Portugal para vencer os constitucionalistas, e a insurreição de Miguel foi bem sucedida ( 30 de Abril de 1824); mas devido à acção dos ministros estrangeiros, João VI foi restaurado com rei, e Miguel foi para o exílio em Viena (Junho de 1824).

Independência do Brasil - O Grito do Ipiranga

Quando chegou a Lisboa, D. João VI foi obrigado a jurar que aceitava governar de acordo com as ideias liberais e cumpriu como pode. 

Mas no ano 1821 o Partido Liberal exigiu que o príncipe D. Pedro também regressasse e que o Brasil voltasse a ser considerado uma colónia portuguesa.

 

Acontece que no Brasil ninguém aceitou nem uma coisa, nem outra. 

A população já se desligara da Europa e até os portugueses que viviam no Brasil sentiam que faziam parte de outra realidade, sentiam-se brasileiros.


 

D. Pedro compreendia a situação. Além disso crescera, fizera-se homem, tinha casado e tido filhos em terras brasileiras. Decerto partilhava o sentir geral e sabia que chegara a hora da separação.

No dia 7 de Setembro do ano 1822, quando se encontrava em viagem perto das margens do Rio Ipiranga, recebeu uma mensagem com ordem para regressar a Portugal.

Guerra dos dois irmãos


João VI reconheceu a Independência do Brasil em 1825, assumindo ele "pró-forma" o título imperial e passando-o a Pedro; mas quando João VI morreu (10 de Março de 1826), não tinha deixado indicações sobre a sucessão ao trono excepto que a sua filha Maria Isabel seria nomeada regente. Pedro, como Pedro IV de Portugal, mandou do Brasil uma Carta para um regime parlamentar pela autorização da monarquia e não baseada na soberania do povo.

Então fez uma abdicação condicional para sua filha Maria da Glória, com sete anos de idade, com a condição de casar com o seu tio Miguel e que ele devia jurar a Carta. Este compromisso não podia ser efectivo. Os absolutistas esperavam que Pedro resignasse a todos os direitos à coroa portuguesa, e o conselho de regência hesitava em publicar a Carta até que o General João Carlos de Saldanha (mais tarde Marquês de Saldanha) os forçou a isso.

Carta Constitucional portuguesa de 1826

A Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa de 1826 foi a segunda Constituição Portuguesa. Teve o nome de Carta Constitucional por ter sido outorgada pelo rei D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil) e não redigida e votada por Cortes Constituintes eleitas pela Nação, tal como sucedera com a anterior Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1822. Foi a constituição portuguesa que esteve mais tempo em vigor, tendo sofrido, ao longo dos seus 72 anos de vigência, 4 revisões constitucionais designadas porActos Adicionais.

A Carta Constitucional esteve em vigor durante 3 períodos distintos:

O primeiro foi desde Abril de 1826 (outorga da Carta) até Maio de 1828 (D. Miguel é aclamado rei absolutista);

O segundo período decorreu desde Agosto de 1834 (D. Miguel é expulso de Portugal e é restaurada a Monarquia Constitucional até Setembro de 1836 (Revolução Setembrista com a restauração provisória da Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1822);

O terceiro e último período decorreu desde Janeiro de 1842 (golpe de estado de Costa Cabral) até Outubro de 1910 (implantação da República).

Precedentes


Durante o curto reinado de oito dias de D. Pedro IV (26 de Abril a 2 de Maio de 1826), o imperador brasileiro viria a tomar duas medidas de grande alcance político - a outorga de uma nova constituição (em 29 de Abril de 1826), muito menos radical que a Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1822, que tinha sido elaborada pelos representantes da Nação e imposta ao rei, mantendo, embora, os princípios fundamentais do Liberalismo (procurando dessa forma sanear os diferendos políticos entre liberais e absolutistas), e a decisão de abdicar dos seus direitos ao trono em sua filha D. Maria da Glória (no dia 2 de Maio, que data o final do seu reinado).

A regência portuguesa, confiada desde a morte de D. João VI à irmã do rei D. Isabel Maria logo se encarregou de proceder à eleição de Cortes, que de imediato juraram o novo texto constitucional.

 
Características do texto constitucional
 
Estando organizada em 145 artigos agrupados em 8 títulos, a Carta Constitucional tinha por princípios básicos os seguintes:
 
A soberania passava a residir no Rei e na Nação.
 
O Rei passava a deter a supremacia política. Garantiu-se a existência de uma nobreza hereditária, com todas as regalias e privilégios. Preservava-se o princípio da separação dos poderes.
 
Os direitos e deveres individuais dos cidadãos, no tocante à liberdade, à segurança individual e à propriedade, já consagrados na Constituição de 1822, foram mantidos praticamente inalterados (embora, ao contrário da grande generalidade das Constituições, fossem relegados para o final do diploma).
 
Mantinha-se, como forma de governo, a Monarquia Constitucional e Hereditária.
 
Manteve-se inalterado o princípio da liberdade religiosa. Apesar de de novo ter-se definido a religião Católica como religião de Estado, todas as outras religiões eram permitidas aos estrangeiros com seu culto doméstico, ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo.
 
A Carta reconhecia a existência de quatro poderes políticos: o legislativo, o executivo, o moderador (uma novidade, com a função de velar pelo equilíbrio entre os demais poderes), e o judicial.

A família real portuguesa 
O poder legislativo cabia às Cortes, sendo as suas medidas sancionadas pelo Rei. De acordo com a orgânica da Carta Constitucional, as Cortes eram um parlamento bicameral, sendo formadas pela Câmara dos Deputados (de base electiva e censitária) e pela Câmara dos Pares (composta por membros vitalícios e hereditários, nomeados pelo Rei (de entre a nobreza e o clero, contando ainda com a presença do príncipe herdeiro e dos infantes) e sem número fixo). 
 
As sessões das Cortes podiam agora ser convocadas, adiadas ou suspensas pelo Rei, e este podia também aceitar ou vetar as decisões ali tomadas.
 
O poder executivo estava nas mãos do Rei, sendo exercido em conjunto com os ministros de Estado, directamente responsáveis pelos actos do Governo. O Conselho de Estado, que apoiava o Rei nos assuntos graves, era, ao contrário do que sucedia com a Constituição de 1822, de nomeação régia.
 
O poder moderador era da exclusiva competência do Rei, enquanto chefe supremo da Nação, para que este velasse pela Independência da mesma, bem como pelo equilíbrio e harmonia entre os demais poderes políticos. Enquanto detentor deste poder, competia ao Rei a convocação das Cortes; a nomeação dos Pares do Reino; a dissolução da Câmara dos Deputados; a nomeação e demissão do Governo; a suspensão dos magistrados; a concessão de amnistias e perdões; o veto definitivo sobre as decisões emanadas das Cortes.
 
Por fim, o poder judicial competia aos jurados e juízes, que o exerciam nos Tribunais.
 
Segundo o estabelecido na Carta, o sufrágio era indirecto e censitário, ou seja, a massa de cidadãos activos elegia em assembleias paroquiais os eleitores de província, e estes, por sua vez, elegiam os representantes da Nação, só podendo eleger e ser eleitos os que tivessem um certo rendimento (100 mil réis para os eleitores e 400 mil réis para os deputados). A primeira revisão à Carta Constitucional (o Acto Adicional de 1852), estabeleceu a eleição direta dos Deputados, mas manteve o sufrágio censitário bem como os valores de renda já estabeleci
 

D. Miguel I (1828-1834)

D. Miguel I de Portugal (nome completo: Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo de Bragança e Bourbon) GCNSC (Queluz, 26 de outubro de 1802 — Bronnback, Grão-ducado de Baden, 14 de novembro de 1866) fo Rei de Portugal entre 1828 e 1834, tendo sido o terceiro filho do Rei Dom João VI e deD. Carlota Joaquina de Bourbon.

D. Miguel I

Foi detentor, sucessivamente, dos títulos de Infante de Portugal, Senhor do Infantado e duque de Beja, Infante de Portugal, duque de Bragança e senhor de Samora Correia, Príncipe-regente de Portugal e, posteriormente, Rei de Portugal.

 
Em 1827 Miguel tomou o juramento e foi indicado como regente, chegando a Lisboa em 1828. Os seus apoiantes começaram imediatamente a perseguir os liberais. Uma espécie de cortes reuniu-se em Lisboa, e em Julho de 1828 repudiou os indicações de Pedro e declarou Miguel como rei de direito legítimo.
 
Só a ilha Terceira nos Açores susteve a causa liberal. Em Junho de 1829, portanto, uma regência representando Maria da Glória foi criada na Terceira; e em 1831, Pedro, tendo abdicado ao trono Brasileiro, foi para a Europa começando a angariar fundos e soldados para conquistar Portugal. Em Fevereiro de 1832 a expedição embarcou para a ilha Terceira, e em Julho os liberais, liderados por Pedro, desembarcaram em Mindelo perto do Porto, cuja cidade ocuparam rapidamente.
 
O resto do país, contudo, era mantido por Miguel, que cercou os liberais no Porto durante um ano (Julho 1832-Julho 1833). Nesta altura, o entusiasmo Miguelista já estava desvanecido; e António José de Sousa Manuel, duque de Terceira, e capitão Charles Napier, que tinha tomado comando da frota liberal, fizeram um desembarque com sucesso no Algarve (Junho de 1833).Terceira avançou sobre Lisboa, que caíu em Julho de 1833, e Miguel capitulou em Évora-Monte em Maio de 1834.
 
Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) 
 
Ocorre no quadro da Crise da Sucessão ao Trono Português (1826-1834) que opôs o partido cartista, constitucionalista, ou liberal, liderado pelo ex-imperado D. Pedro I do Brasil, e ex-rei D. Pedro IV de Portugal, auto-proclamado regente do Reino em nome de sua filha a princesa do Grão-Pará, D. Maria da Glória de Bragança, depois D. Maria II, rainha de Portugal e o partido tradicionalista, legitimista, ou absolutista, encabeçado por D. MIguel I, rei de Portugal. Em causa estava a vontade de transformação de Portugal numa monarquia constitucional, o que se opunha aos princípios vigentes do legitimismo ou tradicionalismo, a que os liberais chamavam absolutismo.
Desembarque do Mindelo
 
Monumento à Batalha do Mindelo
Desembarque do Mindelo é a designação dada ao desembarque das tropas liberais a norte do Porto em 8 de Julho de 1832, durante as Guerras Liberais, nome pela qual ficou conhecida a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834).
 
O desembarque, que envolveu cerca de 7.500 homens, entre os quais se contavam Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Joaquim António Aguiar, transportados por 60 navios, permitiu às forças liberais tomar a cidade do Port no dia 9 de Julho, apanhando de surpresa o exército miguelista que haveria de as submeter ao prolongado Cer5co do Porto.
 
D. Miguel I acabaria por capitular em 1834, em Évora Monte, abrindo caminho à implantação definitiva do Liberalismo em Portugal.
 
Apesar do nome pelo qual ficou conhecido, o desembarque não ocorreu na vila de Mindelo, mas antes praia da Arenosa de Pampelido, actual Praia da Memória, na freguesia da Lavra, concelho de Matosinhos.
 
Batalha de Almoster
 
Batalha de Almoster foi travada em 18 de Fevereiro de 1834, saldando-se por uma vitória das tropas liberaiss, comandadas pelo Marechal Saldanha, sobre as chamadas tropas absolutistas, ou legitimistas, comandadas pelo general Lemos.
 
Santarém era o fulcro da guerra civil, mas o domínio da facção miguelista não existia apenas nesta cidade. Com efeito, apesar de várias vitórias liberais, no Norte as províncias de Trás-os-Montes, Minho e Beira Alta estavam ainda em poder de D. Miguel, que contava além disso com um vasto número de milícias que lhe eram fiéis no sul do País. 
 
Batalha da Asseiceira
 
A batalha da Asseiceira travou-se na povoação de Asseiceira perto de Tomar 16 de Maio de 1834. Fez parte das guerras civis entre liberais e miguelistas, onde estes últimos foram derrotados. Além de mortos e feridos em grande número, os absolutistas deixaram 1400 prisioneiros nas mãos dos liberais.
 
Esta batalha pôs termos ao reinado de D. Miguel, obrigado a recolher-se a Évora Monte, onde foi assinada a paz e de onde o monarca partiu para o exílio.
 
D. Maria II - A Educadora ( 1834 - 1853 ) - D. Fernando II ( 1816 - 1885 )
 
D. Maria II (Rio de Janeiro, 4 de Abril de 1819 — Lisboa, 15 de novembro de1853) foi rainha de Portugal de 1826 a 1853. Era filha do Rei D. Pedro IV de Portugal (Imperador do Brasil como D. Pedro I) e da arquiduquesa Dona Leopoldina de Áustria e irmã mais velha do Imperador D.Pedro II, imperador brasileiro, também filho de D.Pedro IV com Dona Leopoldina. 
 
Foi cognominada de A Educadora ou A Boa Mãe, em virtude da aprimorada educação que dispensou ao seus muitos filhos. Dona Maria da Glória era loira, de pele muito fina, olhos azuis como a mãe austríaca. Foi a 31ª Rainha de Portugal e dos Algarves aquando da abdicação do pai, de 1826 a 1828, e de 1834 a 1853.
D. Maria II
A guerra dos dois irmãos terminou com o exílio de Miguel I (Junho) e a morte de Pedro IV (24 de Setembro de 1834). Maria da Glória tornou-se rainha como Maria II (1834-53) com a idade de 15 anos.
Ainda que Maria começou o seu reinado sob a influência dos generais vitoriosos da guerra civil, a sua principal preocupação foi a defender as cartas do seu pai ( as quias tinham sido garantidas pela coroa ) daqueles que pediam uma constituição mais democrática que a de1822, afirmando mais a soberania da nação.
 
Em Setembro de 1836 ou mais tarde, os a partir daí chamados Setembristas, tomaram o poder. Os líderes cartistas rebelaram-se e foram exilados, mas cerca de 1842 os Setembristas perderam a sua união , e António Bernardo da Costa Cabral restaurou a Carta.
 
Em 1846 o movimento de Maria da Fonte, um levantamento popular contra o aumento dos impostos para melhorar as estradas e reformar a saúde pública no qual todos os partidos se juntaram, terminaram com o governo de Costa Cabral, mas deixaram Portugal dividido entre os Setembristas, que mantinham o Porto, e Saldanha, agora confidente da raínha Maria, em Lisboa.Saldanha negociou a intervenção dos outros membros da Aliança dos Quatro (formada em Abril de 1834 pela Inglaterra, França, Espanha e Portugal), e uma força combinada de Espanhóis e Britânicos forçaram a rendição da Junta do Porto em Junho de 1847 e terminaram a guerra com a Convenção de Gramido (29 de Junho de 1847).
 
Saldanha governou até 1849, quando Costa Cabral regressou ao governo por cinco anos (1851-56), e o período de paz que permitisse o desenvolvimento do país. A "Regeneração" terminou o enfrentamento e estabeleceu um partido de governo.
Os Liceus - O Ensino Liceal (1836)
 
O ensino liceal foi criado a 5 de dezembro de 1836 por Passos Manuel. Em 1839, foi aberto em Lisboa o primeiro liceu do país. Em1860 foi criado em Aveiro o primeiro liceu instalado num edifício construído expressamente para essa destinação. Em 1906, foi criado o Liceu de D. Maria Pia, em Lisboa - o primeiro liceu exclusivamente feminino do país.
 
Os liceus públicos eram genericamente designados "liceus nacionais". Os liceus onde era ministrado o curso complementar eram designados "liceus centrais". Os liceus anexos às escolas normais superiores, para estágio dos professores do ensino liceal, eram chamados "liceus normais".
 
Antigo Liceu D.Manuel II no Porto
A Lei de Bases do Sistema Educativo de 1973 previu a unificação do ensino secundário liceal e técnico que deveria ser ministrado em estabelecimentos designados "escolas secundárias polivalentes", ainda que as mesmas pudessem manter as designações tradicionais.
 
Na sequência do 25 de abril de 1974, é contestada a separação entre o ensino técnico e o liceal, sendo este considerado demasiado elitista. O fundamentalismo esquerdista dos "iluminados" do Abril considerou que os Liceus era para os ricos e as Escolas Técnicas e as Comerciais para os "pobres" para os filhos dos operários. Assim acabaram com os Liceus que passaram a chamar-se Escolas Secundárias. 

Como prova da "idiotice" dos iluminados Abrilistas o ACTUAL PRESIDENTE DA REPÚBLICA Professor Cavaco Silva, estudou em Faro o Ciclo Preparatório na Escola Técnica Elementar Serpa Pinto e depois o Curso Geral do  Comércio na Escola Comercial e Industrial de Faro. Em 1956 veio para Lisboa, onde tirou o Curso de Contabilidade do Instituto Comercial de Lisboa (hoje ISCAL), em 1959. Em paralelo, frequentou as disciplinas exigidas para admissão ao Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG). Nunca andou no Liceu.
 
Morse - O pai da Telegrafia com fios (1843)
O Homem que pôs o Mundo a comunicar
 
Samuel Finley Breese Morse (Charlestown, 27 de abril de 1791 — Nova Iorque, 2 de abril de 1872 ) foi um inventor, físico e pintor de retratos e cenas históricas estadunidense. Tornou-se mundialmente célebre pela suas invenções: o código Morse e o telégrafo com fios, em 1843.
 
Começou os seus estudos na Academia Phillips, de Adover e terminou os em 1810, na Universidade de Yale e, mais tarde, interessou-se pelo estudo de física e de química, embora a pintura o tenha atraído desde a adolescência. Mais tarde, aos catorze anos, começou a interessar-se pela electricidade. Esta última atrai-o muito, mas apenas como forma de estudo.
 
 
No início da década de 1830 cria o telégrafo elétrico com fios e em 183521 constroi o primeiro aparelho ao qual designou "Recording Electric Telegraph", com o qual transmitiu sinais a um quilómetro de distância, mas não os recebia pela mesma linha, efeito que só conseguiu dois anos depois. 
 
Em 1839 conclui o trabalho de elaboração do código Morse. O sistema utiliza uma combinação de pontos, traços e pausas para transmitir informações por meio de impulsos telegráficos ou visuais. Em 1843 utiliza o sistema para construir a primeira linha telegráfica, que liga Baltimore a Washington.
 
No ano seguinte transmite a primeira mensagem: "What hath God wrougth!" (Que obra fez Deus!)
 
Pelas suas descobertas, foi premiado com numerosas distinções provenientes da maior parte do planeta.
Morre rico em Nova York. Sua fortuna deve-se à proliferação de linhas telegráficas nos Estados Unidos. 
 
Telegrafo em Portugal
 
Portugal foi um dos países pioneiros na instalação da telegrafia, dentro das medidas modernizadoras de Fontes Pereira de Melo, em1855, quando foi lançado o primeiro cabo submarino entre Lisboa e os Açores. As primeiras linhas a serem inauguradas foram entre oTerreiro do Paço e as Cortes e entre o Palácio das Necessidades e Sintra (onde a Família Real Portuguesa passava férias) já em1856. No ano seguinte (1857), eram abertos ao público em geral os serviços telegráficos.
 
Na década de 1860, Lisboa já estava ligada por cabos submarinos a Londres, Gibraltar e Nova Iorque. A ligação por cabo submarino entre Lisboa e o Rio de Janeiro permitiu a Luís I de Portugal enviar uma mensagem de feliz Natal ao seu tio, o Imperador Pedro II do Brasil.
 
No final do século XIX já a extensão das linhas em Portugal ascendia a 8000 quilómetros, com estações em Lisboa, Sintra, Mafra,Caldas da Rainha, Alcobaça, Coimbra, Évora, Setúbal e outras.
 
Revolta da Maria da Fonte (1846)

Nome dado ao movimento de revolta popular que, em 1846, fez cair o governo de Costa Cabral, liderado pela jovem Maria da Fonte (natural de Fonte Arcada, Póvoa do Lanhoso). A rebelião, que foi prelúdio da guerra civil conhecida como guerra da Patuleia, teve início no Minho e em Trás-os-Montes, alastrando rapidamente às Beiras e região centro-sul.
 
O primeiro sinal de revolta ocorreu em Santo André dos Frades, no dia 22 de Março de 1846, a partir da proibição de enterros nas igrejas, em resposta à qual as mulheres organizaram o primeiro motim. Seguiram-se-lhes Travessões, Simães, Garfe e São Paio.
 
Revolta da Maria da Fonte
Posteriormente, deu-se a ocupação dos quartéis por parte dos populares e acções de vandalismo nas repartições públicas. Tal originou uma grave situação de crise política e descalabro económico, devido à paralisação de toda a actividade social, e conduziu à demissão do governo de Costa Cabral. 
 

No rescaldo, exigiu-se a demissão dos ministros responsáveis pela legislação que provocara o desagrado, reclamou-se a dissolução das cortes, a organização da Guarda Nacional, a revogação da Lei do Imposto e a controversa Lei da Saúde. No Porto, passou a governar uma junta, tal como na Estremadura. Perto de Lisboa, constituíra-se a junta de Sintra, tendo os cabralistas sido obrigados a fugir para Espanha. 

 
Na guerra aberta entre o povo e a rainha, acabaria por vencer D. Maria II, com o auxílio dos exércitos inglês e espanhol, pagos com verbas saídas da reforma dos impostos, firmando-se as negociações de paz na Convenção de Gramido (1847
 
Guerra da Patuleia

Desde Fevereiro de 1842 que a Carta Constitucional havia sido proclamada no Porto por Costa Cabral, então nomeado também ministro do reino, sendo o governo cartista presidido pelo duque da Terceira.
 
Costa Cabral desenvolveu inicialmente uma política de desenvolvimento interno, nas obras públicas, na administração e no ensino, porém, em breve as contribuições aumentaram, enquanto se instaurava também um regime ditatorial em todo o reino. O descontentamento popular começou a fazer-se sentir um pouco por todo o lado, e agravou-se ainda mais, quando, em 1846, a uma forte crise financeira, se aliou também uma crise de carestia. 
 
A Patuleia
A instabilidade política e a grave situação económica que se faziam sentir provocaram a revolta geral e, sobretudo, a insurreição popular (ver Maria da Fonte).
 
Organizaram-se, então, juntas no Minho, Trás-os-Montes, Beiras, Alentejo e Algarve, verdadeiras milícias de camponeses, operários e artesãos armados que provocaram revoltas de descontentamento. A Guerra da Patuleia deve ser entendida dentro deste envolvimento político-social. Foi, com efeito, um levantamento popular, que se deu no Porto em 1847, instigado pelo então presidente da câmara, José Passos.
 
Os patuleias, ou setembristas, entre os quais se encontravam generais portugueses, e que contaram com o apoio dos miguelistas, mantiveram durante oito meses uma violenta guerra civil, e somente a intervenção de Inglaterra e de Espanha, solicitada pelo governo, impediu que vencessem, tendo sido obrigados a assinar a convenção de Gramido (a 29 de Junho de 1847), com a qual se acalmou o clima de revolta.
 
A Belenzada (1836)

Belenzada Golpe de estado contra-revolucionário ocorrido em Lisboa, no final do ano de 1836. A revolução de Setembro de 1836 (Setembrismo) pôs em vigor a Constituição de 1822, que limitava grandemente o papel do monarca. Alarmadas, as cortes europeias, fizeram avançar uma esquadra inglesa para o Tejo, a fim de proteger a família real. 
 
Depois da chegada dos ingleses, D. Maria II reuniu os ministros no palácio de Belém e demitiu o governo, levando a cabo um golpe de estado contra-revolucionário, designado por Belenzada. Os populares, comandados por Sá da Bandeira, vieram para a rua, mas o confronto com os ingleses desembarcados foi evitado, estabelecendo-se um acordo para a convocação de cortes constituintes, que reformariam, quer a constituição de 1822 (de tendência revolucionária), quer a Carta Constitucional (de tendência conservadora).
A Figura de D. Maria II
 
Nasceu em 1819 e morreu em 1853, era filha de D. Pedro IV de Portugal (I do Brasil) e da arquiduquesa Leopoldina de Áustria. Casou em 1835 com o príncipe Augusto de Leuchtenberg, que morreu pouco depois. Desposou em segundas núpcias o príncipe D. Fernando Saxe-Coburgo-Gotha, em 1836. 
 
Teve de se adaptar ao novo sistema da monarquia parlamentar e, durante o seu reinado, conheceu várias revoltas e golpes de Estado, tendo exercido com determinação a sua autoridade, demonstrando coragem e firmeza de espírito. Foi mãe dos reis D. Pedro V e D. Luís, dois dos seus 11 filhos.
 
 
D. Fernando II 

(N. a 29 de Outubro de 1816 - F. a 15 de Dezembro de 1885) 
 
Duque de Saxe-Coburgo-Gotha; rei de Portugal pelo seu casamento com a rainha D. Maria II. 0 seu nome completo era Fernando Augusto Francisco António. N. em Coburgo a 29 de Outubro de 1816, fal. em Lisboa, no paço das Necessidades, a 15 de Dezembro de 1885. Era filho do príncipe Fernando Jorge Augusto o duque de Saxe-Coburgo-Gotha, e de sua mulher, a princesa de Kohary, D. Maria Antónia Gabriela, filha e herdeira de Francisco José, príncipe de Koharv, senhor de Casabrag e doutras terras da Hungria.

D. Fernando II
Recebeu uma excelente educação, revelando logo o seu aprimorado talento artístico. Tendo D. Maria II enviuvado aos 16 anos, do seu primeiro marido, o príncipe Augusto de Leuchtemberg, foi D. Fernando o escolhido para novo esposo da soberana.
 
Neste contrato estipulava-se que o casamento seria em Lisboa, segundo o rito da religião católica, que logo depois do casamento receberia o príncipe uma pensão anual de reis 50.000$0000, que se lhe conservaria por morte da rainha, no caso de ficar em Portugal, tendo então direito a um palácio para sua habitação, e 25.000$000 de reis se retirasse para o estrangeiro; teria sempre a livre disposição dos seus bens, e os príncipes que nascessem deste casamento não poderiam sair do reino sem autorização das cortes, nem poderiam casar sem autorização da rainha ou do príncipe reinante. 
 
D. Maria II casou por procuração em 1 de Janeiro de 1836, e logo no dia seguinte assinou o decreto nomeando D. Fernando marechal general do exército, e coronel honorário do batalhão de caçadores 5.
A Fragata D. Fernando II e Glória

Quando, em plena marina da última exposição mundial do século, o visitante depara com a derradeira nau da carreira da índia, a D. Fernando II e Glória, dificilmente acredita que se trata de uma reconstrução a partir de um casco carcomido que permaneceu encalhado no Tejo entre 1963 e 1992. 
 
Inteiramente restaurado em Portugal (estaleiro Ria-Marine de Aveiro e Arsenal do Alfeite), o navio é hoje a quarta fragata armada mais antiga a nível internacional e ocupa o oitavo lugar entre os veleiros mais vetustos.
 
Convirá salientar que o nosso museu flutuante só tem equivalente em «sobreviventes» míticos da idade da vela como o americano Constitution ou o sueco Vasa, este último um primor de... navegabilidade.
 
Ora, de não ter dado o casco ao manifesto ninguém poderá acusar a D. Fernando, que cruzou os oceanos em serviço activo durante mais de três décadas, percorrendo o correspondente a cinco voltas ao mundo. 
 
O navio foi construído em Damão e lançado à água em 22 de Outubro de 1843. Reinava D. Maria II (1819-1853) e foi dado à fragata o nome do segundo marido da soberana, Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha (1816-1885), rei-consorte com o nome de Fernando II. O «e Glória» fica a dever-se a Nossa Senhora da Glória, santa muito venerada nas possessões portuguesas da índia. 
 
A viagem inaugural iniciou-se em 2 de Fevereiro de 1845 e a chegada a Lisboa verificou-se em 4 de Julho. Com uma tripulação variável entre os 145 e os 379 homens, o navio podia receber seis dezenas de canhões. Cedo se levantaram dúvidas sobre a sua utilidade, pois estava-se no advento do vapor, e ele era inteiramente à vela. 
 
 
Depressa se verificou, porém, que se tratava de uma fragata com belíssimas características de navegabilidade, chegando a transportar 650 pessoas (membros da guarnição e passageiros). Além de viagens infatigáveis na carreira da índia, teve outras missões de igual merecimento.
 
A D. Fernando, comandada por um capitão-de-mar-e-guerra, tem um comprimento de 86,75 metros e desloca 1 849,16 toneladas. Serve temporariamente de pavilhão das Comunidades Portuguesas e ostenta a bandeira da República e a do último período da Monarquia, sendo de notar que o patrono foi uma figura merecedora de respeito pela sua acção como homem de cultura, comandante-chefe do Exército em algumas ocasiões e pai de dois reis que deixaram boa memória - D. Pedro V e D. Luís.
 
D. Pedro V ( 1853 - 1861 )

Nasceu em Lisboa a 16 de Setembro de 1837, filho primogénito de D. Maria II e de D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota. Reconhecido príncipe real e sucessor da coroa de Portugal pelas Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes, em sessão de 26 de Janeiro de 1838; sucede a sua mãe em Novembro de 1853; até à sua maioridade governa seu pai como regente. 
 
E aclamado rei aos 18 anos e presta juramento perante as cortes Gerais. Os dois anos antes de começar a governar passou-os em viagens pelo estrangeiro, completando assim a educação primorosa cuidada que sua mãe na história conhecida pela «A Educadora» lhe fez ministrar. Ela própria dirigiu o ensino dos primeiros anos. 
 
D.Pedro V
Desde novo manifestou uma inteligência e vontade de saber fora do vulgar, a que uma poderosa memória contribuiu para um brilho excepcional de personalidade. Das suas viagens deixou-nos um relato em dois volumes - Diário - publicados pela Academia das Ciências e integrados na obra Escritos de El-Rei D. Pedro V.
 
O Diário tem um grande interesse para o estudo da figura humana do rei e para o conhecimento da Europa sua contemporânea.

Dedicou a sua vida ao progresso e ao bem-estar do país, apesar de atormentado pelos contínuos flagelos de ordem pública e particular – as epidemias, as grandes inundações, a morte da esposa, a sombra militante de Saldanha.


Mesmo assim consegue dar novo ritmo à vida portuguesa mercê do seu espírito liberal e progressista que tem de lutar com o tradicional reaccioarismo nacional. 
 
Dedica grande parte do tempo aos problemas da educação, que considera fundamental para que se note a mínima parcela de progresso; os assuntos relacionados com a indústria, a agricultura, os melhoramentos públicos, a política internacional, etc., preocupam-no a todo o instante. 
 
Pode considerar-se o jovem rei como o primeiro homem moderno que em Portugal testemunhou em escritos do seu punho o significado da sua época, o conhecimento do seu país e dos seus homens. Morto prematuramente, apenas com 24 anos, a sua morte enlutou verdadeiramente o reino. Bulhão Pato diz: «Foi a primeira vez que vi A. Herculano chorar como uma criança». (Memórias, vol. II.)
 
Ficha genealógica:
 
D. Pedro V nasceu no Palácio das Necessidades, a 16 de Setembro de 1837, recebendo o nome de Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Vítor Francisco de Assis Júlio Amélio; morrendo no mesmo local, a 11 de Novembro de 1861.
 
Casou em 18 de Maio de 1858 com a princesa Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen (nasceu em Dresda, a 15 de Julho de 1837, e morreu em 17 de Julho de 1859; sepultada no Panteão Real de S. Vivente de Fora), filha de Carlos António, príncipe de Hohenzollern-Sigmaringen, e de sua mulher Josefina Frederica Luísa, filha do grão-duque de Baden. O consórcio não teve descendência

Rainha D. Estefânia

Estefânia Josefa Frederica Guilhermina Antónia de Hohenzollern-Sigmaringen GCNSC (Krauchenwies, 15 de julho de 1837 — Lisboa, 17 de julho de 1859) foi a rainha consorte de Pedro V de Portugal
 
O casamento foi feito por procuração em 29 de abril de 1858, na Igreja de Santa Hedwig em Berlim. O conde de Lavradio foi responsável pelo contrato do matrimónio. A 3 de maio, D. Estefânia partiu de Düsseldorf, chegando de comboio a Ostende, onde embarcou no barco a vapor "Mindelo" rumo a Plymouth, Inglaterra. A corveta "Bartolomeu Dias" estava à sua espera para a levar para a sua nova pátria.
A princesa D. Estefânia chegou à barra do Tejo no dia 17 de maio de 1858, a bordo da corveta "Bartolomeu Dias". O pintor João Pedroso retratou a sua chegada, e hoje o quadro está presente no Palácio Nacional da Ajuda. No dia seguinte, em 18 de maio, na Igreja de São Domingos, em Lisboa, a princesa D. Estefânia casou-se com o rei D. Pedro V, tornando-se assim rainha consorte de Portugal.
 
Bela e instruída, D. Estefânia escreveu cartas íntimas à sua mãe, em francês. Numa delas, ela critica a alta sociedade portuguesa: "Os portugueses têm o sentido do luxo e da pompa, mas não o da dignidade". Embora tivesse sentido saudades das margens do Reno e não tivesse gostado do calor e daaridez de Lisboa, D. Estefânia escreveu que apreciara Sintra e Mafra. A companhia do sogro, D. Fernando II, não lhe agradava.
 
Juntamente com o marido, D. Estefânia fundou diversos hospitais e instituições de caridade, o que lhe granjeou uma grande aura de popularidade entre os portugueses de todos os quadrantes políticos e sociais. O Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, foi assim nomeado em sua honra.
 
Decorrido pouco tempo depois do seu casamento, a rainha faleceu aos vinte e dois anos de idade, vítima de difteria. A doença teria sido contraída durante uma visita a Vendas Novas. A morte de D. Estefânia deixou grandemente consternado não só o rei, como também o povo em geral, que por ela desenvolvera um grande afeto. Devido à sua morte precoce, o casal não teve quaisquer filhos. .
 
D. Estefânia jaz no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. O rei viúvo faleceu dois anos mais tarde, de febre tifoide.
 
Caminhos de ferro em Portugal (1853)
 
A história dos caminhos de ferro em Portugal reveste-se de uma elevada importância para o conhecimento da evolução histórica deste país, a partir de meados do Século XIX.

As primeiras tentativas para a implementação deste meio de transporte iniciaram-se da Década de 1840 , embora as obras da primeira ligação ferroviária só se tenham iniciado em 1853 ; o primeiro troço, entre Lisboa e o Carregado, foi aberto 3 anos depois, e o caminho de ferro chegou à fronteira com Espanha em 1863 e ao Porto em 1877. 

 
Em 1882 e 1887, foram concluídas, respectivamente, as Linhas da Beira Alta, e do Douro; em 1891, terminou-se a Linha do Oeste, e, em 1904, a Linha da Beira Baixa e o Ramal de Vendas Novas.3 A Sul, as cidades de Setúbal, Évora e Beja foram ligadas ao Barreiro, respectivamente, em 1861, 1863, e 18644 , tendo o caminho de ferro chegado a Faro em 18895 , e a Vila Real de Santo António em 1909.
 
D. Luís I ( 1861 - 1889 )

D. Luís I de Portugal (nome completo: Luís Filipe Maria Fernando Pedro de Alcântara António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança) GCNSC (Lisboa, 31 de Outubro de 1838 —Cascais, 19 de Outubro de 1889) foi o segundo filho da rainha D. Maria II e do rei D. Fernando II. Luís herdou o trono depois da morte do seu irmão mais velho, D. Pedro Vem 1861. Ficou conhecido como O Popular, devido à adoração pelo seu povo; Eça de Queirós chamou-lhe O Bom.
D. Luis I

Parecia ter herdado um país que estava recuperado das invasões napoleónicas e da guerra civil, levantamentos políticos, e pronunciamentos.Mas ainda que os partidos principais eram agora definidos como Históricos (radicais) e Regeneradores (moderados), o alternar de governos deixou de reflectir o sentimento popular, e nos últimos anos do reinado de Luís I o republicanismo começou a ganhar terreno.

No seu tempo surgiu a Questão Coimbrã (1865-1866) e ocorreu a iniciativa das Conferências do Casino (1871), a que andavam ligados os nomes de Antero de Quental e Eça de Queiroz, os expoentes de uma geração que se notabilizou na vida intelectual portuguesa. 
 
De temperamento calmo e conciliador, foi um modelo de monarca constitucional, respeitador escrupuloso das liberdades públicas. 
 
Do seu reinado merecem especial destaque o início das obras dos portos de Lisboa e de Leixões, o alargamento da rede de estradas e dos caminhos-de-ferro, a construção do Palácio de Cristal, no Porto, a abolição da pena de morte para os crimes civis, a abolição da escravatura no Reino de Portugal, e a publicação do primeiro Código Civil.
 
D. Luís seguiu os passos de sua mãe - D. Maria II, mandando construir e fundar associações culturais. Em 1 de Junho de 1871, D. Luís esteve no Seixal (uma vila fundada pela sua mãe), para testemunhar a fundação da Sociedade Filarmónica União Seixalense. Neste mesmo dia terminava a Guerra Franco-Prussiana.
 
Morre subitamente no seu palácio de verão, na cidadela de Cascais, a 19 de Outubro de 1889. Sucede-lhe o seu filho Carlos, sob o nome de Carlos I de Portugal. Jaz no Panteão dos Braganças, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Sousa Martins - A tuberculose e o médico dos pobres
 

José Tomás de Sousa Martins (Alhandra, 7 de Março de 1843 — Alhandra, 18 de Agosto de 1897) foi um médico e professor catedrático da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, antecessora da Faculdade de Medicina de Lisboa. Formado em Farmácia e Medicina, trabalhou intensa e, na maioria dos casos, gratuitamente, sobretudo no combate à tuberculose. 

 
Orador brilhante, dotado de humor e inteligência, homem de actividade inesgotável e praticante incansável da caridade junto aos mais desfavorecidos, exerceu uma forte influência sobre os colegas de profissão, os alunos e os pacientes que tratou. 
 
Esta influência metamorfoseou-se e perpetuou-se no tempo, tendo a figura de Sousa Martins assumido contornos de santo laico, num culto actual, bem visível nos ex-votos colocados em torno da sua estátua no Campo de Santana, em Lisboa, e no cemitério de Alhandra, onde está sepultado. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa.
 
Sousa Martins, Campo de Santana, Lisboa.
 
Doente, a sua doença agravou-se e aos 54 anos, tuberculoso terminal e sofrendo de lesão cardíaca, Sousa Martins cometeu suicídio, com uma injecção de morfina. Pouco antes, havia confidenciado a um amigo: "A morte não é mais forte do que eu" e "Um médico ameaçado de morte por duas doenças, ambas fatais, deve eliminar-se por si mesmo".
 
Na mensagem que enviou ao saber da morte de Sousa Martins, o rei D. Carlos I de Portugal afirmou: "Ao deixar o mundo, chorou-o toda a terra que o conheceu. Foi uma perda irreparável, uma perda nacional, apagando-se com ele a maior luz do meu reino."
 
Também sobre ele, António Egas Moniz, Prémio Nobel da Medicina, disse: "Notável professor que deixou, atrás de si, um nome aureolado de prelector admirável, de clínico, de orador consagrado, sempre alerta nas justas da Sociedade das Ciências Médicas."
 
Por sua vez Guerra Junqueiro considerou-o "Eminente homem que radiou amor, encanto, esperança, alegria e generosidade. Foi amigo, carinhoso e dedicado dos pobres e dos poetas. A sua mão guiou. O seu coração perdoou. A sua boca ensinou. Honrou a medicina portuguesa e todos os que nele procuraram cura para os seus males."
 
O principal hospital da cidade da Guarda tem o nome de Hospital Sousa Martins, em homenagem ao trabalho pioneiro de Sousa Martins sobre a tuberculose e climoterapia que conduziu à promoção da Serra da Estrela como área propícia à instalação desanatórios para o tratamento de tuberculosos.
 
Edison - O Mago de Menlo Park (1879)
O Homem que iluminou o Mundo
 
Thomas Alva Edison (Milan, Ohio, 11 de Fevereiro de 1847 — West Orange, Nova Jérsei, 18 de Outubro de 1931)1 foi um inventor, cientista e empresário dos Estados Unidos que desenvolveu muitos dispositivos importantes de grande interesse industrial. O Feiticeiro de Menlo Park (The Wizard of Menlo Park), como era conhecido, foi um dos primeiros inventores a aplicar os princípios da produção maciça ao processo da invenção.2
 
Na sua vida, Thomas Edison registrou 2.332 patentes. O fonógrafo foi uma de suas principais invenções. Outra foi o cinetógrafo, a primeira câmera cinematográfica bem-sucedida, com o equipamento para mostrar os filmes que fazia. Edison também aperfeiçoou o telefone, inventado por Antonio Meucci, em um aparelho que funcionava muito melhor. 
 
Fez o mesmo com a máquina de escrever. Trabalhou em projetos variados, como alimentos empacotados a vácuo, um aparelho de raios X e um sistema de construções mais baratas feitas de concreto.
 
Entre as suas contribuições mais universais para o desenvolvimento tecnológico e científico encontra-se a lâmpada elétrica incandescente, o gramofone, o cinescópio ou cinetoscópio, o ditafone e o microfone de grânulos de carvão para o telefone. Edison é um dos precursores da revolução tecnológica do século XX. Teve também um papel determinante na indústria do cinema.
 
Em 1969 foi incluído no Automotive Hall of Fame.
 
A iluminação Eléctrica em Portugal: Já em 1904 se pode documentar em Lisboa a existência de consumidores particulares, que no entanto são excepções. Só a partir da segunda guerra ( 1914 - 1918 ) a luz eléctrica destrona o gás e começa a penetrar nos lares lisboetas. A inauguração da luz eléctrica em Aveiro é só em 1920. 
 
Em 1866 o Teatro São Carlos já dispõe de central eléctrica privativa para a sua iluminação eléctrica. Em 1889 a Companhia do Gás fornece energia eléctrica para a iluminação da Avenida da Liberdade. A partir de 1902 as Companhias Reunidas de Gás e Electricidade - CRGE começam a alargar a rede de iluminação eléctrica a toda a cidade de Lisboa. 
 
Obras de Gustave Eiffel em Portugal

A Ponte de D. Maria Pia, também designada por Ponte Maria Pia, é uma infra-estrutura ferroviária sobre o Rio Douro, junto à cidade do Porto, em Portugal. Esta ponte, de metal, apresenta um tabuleiro com 352 metros de extensão; o arco sob o tabuleiro, de forma biarticulada, tem 160 metros de corda e 42,60 metros de flecha. A altura, a partir do nível das águas, é de 61 metros.
 
História

Esta ponte, assim chamada em honra de Maria Pia de Saboia, é uma obra de grande beleza arquitectónica, projectada pelo Eng.º Théophile Seyrig e edificada, entre 5 de Janeiro de 1876 e 4 de Novembro de 1877, pela empresa Eiffel Constructions Métalliques. Foi a primeira ponte ferroviária a unir as duas margens do rio Douro.

 
Ponte Maria Pia - gravura de 1877.
Estiveram em permanência 150 operários a trabalhar, tendo-se utilizado 1.600.000 quilos de ferro. Tendo em consideração as dimensões da largura do rio e das escarpas envolventes, foi o maior vão construído até essa data, aplicando-se métodos revolucionários para a época.
 
A inauguração deu-se a 4 de Novembro de 1877 por D. Luís I e D. Maria Pia; a cerimónia teve a presença da Banda de Música da Cidade de Espinho.
 
No último quartel do século XX tornou-se evidente que a velha ponte já não respondia de forma satisfatória às necessidades. Dotada de uma só linha, obrigava à passagem de uma composição de cada vez, a uma velocidade que não podia ultrapassar os 20 km/h e com cargas limitadas. No entanto, a ponte esteve em serviço durante 114 anos, como parte da Linha do Norte, até à entrada em serviço da Ponte de S. João em 1991.
 
A construção da ponte em tempo recorde, aliada à dificuldade da transposição do enorme vão, concedeu a Eiffel a fama que procurava desde 1866, altura em que fundou a sua empresa com o engenheiro Théophile Seyrig. Eiffel, para acompanhar os trabalhos de construção da ponte, instalou-se em Barcelos entre 1875 e 1877.
 
Gustave Eiffel publicou na "Revista de Obras Públicas e Minas" uma análise pormenorizada da construção, onde incluiu quer os projectos, quer o cálculo dos vários componentes da ponte. Adoptando o mesmo modelo, realizou o Viaduto de Garabit (1880-1884) com 165 metros de vão, a estrutura da Estátua da Liberdade (1884-1886) e a Torre Eiffel (1889).
 
Outras obras de Eiffel em Portugal

A Ponte Eiffel  sobre o rio Lima, próximo à sua foz, e liga a freguesia de Santa Maria Maior, na cidade de Viana do Castelo, a Darque, no sítio do Cais Novo, no concelho e distrito de Viana do Castelo, em Portugal.
 
O Palácio do Ferro em Luanda

O Palácio de Ferro é um edifício histórico de Luanda, em Angola, que se crê ser da autoria de Gustave Eiffel .O edifício possuiu uma original decoração em filigrana metálica e tem um soberbo avarandado envolvente, sendo sem sombra de duvida, o melhor exemplar da arquitectura do ferro em Angola  .
 
A história do edifício está envolta em mistério, já que não existem registos da sua origem. Acredita-se que a estrutura em ferro forjado tenha sido construída na década de 1880 ou 90 em França, como pavilhão para uma exposição, e posteriormente desmontado e transportado de barco com destino provável a Madagáscar  .
 
Pasteur e a Pasteurização
 
Louis Pasteur
Louis Pasteur (Dole, 27 de dezembro de 1822 — Marnes-la-Coquette, 28 de setembrode 1895) foi um cientista francês. Suas descobertas tiveram enorme importância na história da química e da medicina.
 
É lembrado por suas notáveis descobertas das causas e prevenções de doenças. Entre seus feitos mais notáveis pode-se citar a redução da mortalidade por febre puerperal, e a criação da primeira vacina contra a raiva. 
 
As suas experiências deram fundamento para a teoria microbiológica da doença. Foi mais conhecido do público em geral por inventar um método para impedir que leite e vinho causem doenças, um processo que veio a ser chamado pasteurização. 
 
Ele é considerado um dos três principais fundadores da microbiologia, juntamente com Ferdinand Cohn e Robert Koch. Se Portugal tem hoje um dos mais baixos índices de mortalidade infantil do Mundo, devem-se em parte aos trabalhos de Pasteur.

O Ascensor da Glória (1885)

Popularmente referido como Elevador da Glória, localiza-se na cidade de Lisboa, em Portugal. É um dos funiculares operados pela Carris, e liga a Baixa (Praça dos Restauradores) ao Bairro Alto (Jardim de São Pedro de Alcântara). Destes é o mais movimentado1 , chegando a transportar anualmente mais de 3 milhões de passageiros.


Construído pelo engenheiro português Raoul Mesnier du Ponsard , foi inaugurado em 24 de outubro de 1885, constituindo-se no segundo ...do género implantado na cidade por iniciativa da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa. O sistema de tração original era de cremalheira e cabo equilibrado por contrapeso de água, passando mais tarde a ser a vapor. Em setembro de 1915 passou a ser movido por eletricidade.

Até finais do século XIX, durante as viagens noturnas a iluminação dentro da cabine era feita com velas.

Entre 1913 e 1926 organizou-se uma prova de ciclismo, a Subida à Glória, recuperada a partir de 2013. Consiste na subida em contra-relógio de todo o trajeto, aberta a participantes profissionais e amadores.3 O recorde anterior, de 55 s, foi alcançado em 19263 e quebrado em 2013.

Desde fevereiro de 2002 encontra-se classificado como Monumento Nacional.

Karl Benz - O construtor do primeiro automóvel (1886)

O precursor de centenas de milhões de automóveis
 
Karl Friedrich Benz (Karlsruhe, 25 de novembro de 1844 — Ladenburg, 4 de abril de1929) foi um engenheiro de automóveis alemão. É o inventor (com Gottlieb Daimler) do automóvel movido a gasolina como o conhecemos atualmente. Em 29 de Janeiro de 1886, registou esta patente (DRP 37435) e em Julho apresentou o primeiro automóvel, o Benz Patent-Motorwagen.
 
Em 1984 foi incluído no Automotive Hall of Fame. Em julho de 1886 Karl Benz apresentou o primeiro carro do mundo. O carro era basicamente formado por três pneus cujo tamanho era de um pneu de bicicleta, um motor na traseira, uma tábua de madeira que era um chassi - cuja madeira era muito forte, para sustentar o peso de uma pessoa -, um banco e um volante, que era uma manivela.
 
Réplica do 1º automóvel . 1886
 
O carro só chegava a 8 quilômetros por hora. Embora réplicas estejam expostas em museus, o carro original não pode ser visto, depois de haver sofrido um acidente automobilístico (colisão com um poste).
 
Em 1890 uniram-se dois sócios: Friedrich von Fischer, que se encargou da administração, e Julius Ganss, responsável de vendas. Assim, Benz tinha as manos livres para entregar-se ao desenvolvimento da parte técnica dos automóveis, o que favoreceu a rápida progressão neste campo.
 
O primeiro veículo Benz de quatro rodas foi fabricado en 1893, o Benz Victoria, e no ano seguinte o Benz Velo, que foi o modelo de base dos primeiros camiões de 1895.
 
A produção em 1899 era de 572 veículos, e Benz converteu-se num dos fabricantes de automóveis mais importantes. Nesse ano apareceu o primeiro carro de corridas, que foi a origem de numerosos êxitos. Em 1910, Benz funda a Süddeutsche Automobil-Fabrik de Gaggenau. Em 1924, Benz e Daimler começam o processo de fusión que terminará em 1926, formando a companhia Daimler-Benz.
 
O Elevador da Bica (1892)
 
O Elevador da Bica, ou Ascensor da Bica, é um funicular localizado na Rua da Bica de Duarte Belo, na Bica, em Lisboa. É propriedade da Companhia de Carris de Ferro de Lisboa, e estabelece a ligação entre o Largo do Calhariz e a Rua de São Paulo, defrontando uma das encostas mais íngremes da cidade.
 
A concepção do Elevador da Bica foi do engenheiro português Raoul Mesnier du Ponsard, responsável também por numerosos projetos similares , e a inauguração deu-se a 28 de Junho de 1892.
 
Era inicialmente movido pelo sistema de contrapeso de água (o carro que ia iniciar a descida enchia um reservatório de água, situado no tejadilho; com a força resultante deste peso suplementar, aliada à força gravitacional do plano inclinado, rebocava o carro da subida) e pelo sistema de tramway-cab. Em 1896 passou a mover-se a vapor e, posteriormente, em 1914 procedeu-se à sua electrificação. 
 
Nesse mesmo ano sofreu um acidente e esteve parado durante nove anos.
 
Com mais de um século de existência, é o ascensor mais típico da cidade de Lisboa e, embora não tenha a mesma afluência do Elevador da Glória, constitui nos dias de hoje uma das principais atracções turísticas da capital portuguesa.
 
Devido à sua enorme importância histórica e cultural, o elevador foi classificado de Monumento Nacional em Fevereiro de 2002 (Decreto 5/2002, Diário da República 42, 1.ª série-B, de 19/02/2002).
 
Pena de morte em Portugal
 
A Lei de 1 de Julho de 1867 aboliu em Portugal, a pena de morte para todos os crimes civis. Para crimes militares foi abolida em 16 de Março de 1911. Restabelecida durante a 1ª Grande Guerra em 28 de Setembro de 1916 . Foi completamente abolida pela Constituição de 1976. 
 
A última execução de pena de morte por motivo de delitos civis ocorreu em Lagos, em Abril de 1846. Remonta a 1 de Julho de 1772 a data em que é executada pela última vez uma mulher. No que se refere a crimes militares, a última execução terá ocorrido em França, na pessoa de um soldado do Corpo Expedicionário Português, condenado por espionagem.

D. Carlos I ( 1889 - 1908 )

D. Carlos I (1863-1908) - O Mártir D. Carlos I, de seu nome completo Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gotha, (28 de Setembro de1863 — 1 de Fevereiro de 1908) foi o penúltimo Rei de Portugal.

Políticas coloniais. 

Com a ascensão de Carlos I ao trono (1889-1908), começou uma séria disputa com a Grã-Bretanha. As possessões de Portugal na África tinham sido reconhecidas pela Grã-Bretanha no tratado de 1815, mas recentemente a Bélgica e a Alemanha tinham entrado no campo colonial; e na Conferência de Berlim (1885), a ocupação efectiva foi adoptada como base para a possessão de territórios coloniais.

Em 1889 é licenciada a primeira mulher médica: Elisa Augusta da Conceição de Andrade - Faculdade de Medicina de Lisboa. Em 1890 é autorizado o acesso das raparigas aos liceus públicos.



Nascido em Lisboa, era filho do rei Luís I de Portugal e da princesa Maria Pia de Sabóia, tendo subido ao trono em 1889. Foi cognominado O Diplomata(devido às múltiplas visitas que fez a Madrid, Paris e Londres, retribuídas com as visitas a Lisboa dos reis Afonso XIII de Espanha, Eduardo VII do Reino Unido, do Kaiser Guilherme II da Alemanha e do presidente da República Francesa Émile Loubet), O Martirizado e O Mártir (em virtude de ter morrido assassinado), ou O Oceanógrafo (pela sua paixão pela oceanografia, partilhada com o pai e com o príncipe do Mónaco).

A trágica morte do penúltimo rei português num atentado no Terreiro do Paço, em 1 de Fevereiro de 1908, marcou o início do fim da monarquia portuguesa. O regicídio prenunciou a proclamação da República, consumada dois anos depois. Mas a vida do monarca que afrontou a progressão do republicanismo e o ultimato inglês de 1890 foi também marcada pelas artes e ciências.

O Elevador de Santa Justa
 
O Elevador de Santa Justa, também referido como Elevador do Carmo, localiza-se na cidade de Lisboa, no distrito de mesmo nome, em Portugal. Liga a rua do Ouro e a rua do Carmo ao largo do Carmo e constitui-se num dos monumentos mais interessantes da Baixa de Lisboa.
 
A estrutura, em estilo neogótico, foi construída na viragem do século XIX para o XX com projeto do engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard, que também se responsabilizou por outros similares no país. 
 
Contrariando a afirmação popular, não está comprovada a ligação deste engenheiro a Gustave Eiffel. O que se sabe é que tanto Ponsard quanto o arquitecto francês Louis Reynaud aplicaram nestes elevadores algumas das técnicas e materiais já utilizados em França.
 
As obras ter-se-ão iniciado em 1898 e a sua inauguração ocorreu a 10 de julho de 1902 tendo, à época, sido apelidado de Ascensor Ouro-Carmo. 
 
Nos primeiros anos do seu funcionamento era movido a vapor, passando, a 6 de novembro de 1907 a ser acionado por energia elétrica. A diferença de nível entre o piso da estação inferior (Rua de Santa Justa, na Baixa) e o da superior (Rua do Carmo) é de trinta metros.
 
Foi considerada uma obra arrojada à época, atendendo ao desnível vencido, aos materiais utilizados e viadutos construídos, que possibilitaram os acessos à estação superior no Carmo. Atualmente constitui-se numa das estruturas mais visitadas na cidade, não apenas por portugueses mas, essencialmente, por turistas estrangeiros que procuram conhecer ambientes do passado (madeira e latão), processos mecânicos de transporte, e as soberbas vistas do piso superior sobre a cidade de Lisboa.

Röntgen descobre os Raios X (1895)
 
Os raios X são emissões eletromagnéticas de natureza semelhante à luz visível. Seu comprimento de onda vai de 0,05 ångström (5 pm) até dezenas de ångström (1 nm). Os raios X foram descobertos em 8 de novembro de 1895, por um físico alemão chamado Wilhelm Conrad Röntgen.
 
Conrad Rontgen
A energia dos fótons é de ordem do keV (kilo elétron-volt), entre alguns keV e algumas centenas de keV. A geração desta energia eletromagnética se deve à transição de eletrões nos átomos, ou da desaceleração de partículas carregadas.
 
Como toda energia eletromagnética de natureza ondulatória, os raios X sofrem interferência, polarização, refração, difração, reflexão, entre outros efeitos. Embora de comprimento de onda muito menor, sua natureza eletromagnética é idêntica à da luz.
 
Utilização na Medicina
 
Na medicina os raios X são utilizados nas análises das condições dos órgãos internos, pesquisas de fraturas, tratamento de tumores, cancro), doenças ósseas, etc.
 
Com finalidades terapêuticas os raios X são utilizados com uma irradiação aproximada de cinco mil a sete mil Rads, sobre pequenas áreas do corpo, por pequeno período de tempo.
 
Marconi o Pai da TSF (1899) - Nobel em 1909.
Marquês Guglielmo Marconi (Bolonha, 25 de abril de 1874 — Roma, 20 de julhode 1937), por vezes Guilherme Marconi , foi um físico e inventor italiano . Inventor do primeiro sistema prático de telegrafia sem fios (TSF), em 1896. Marconi se baseou em estudos apresentados em 1897 por Nikola Tesla para em 1899 realizar a primeira transmissão pelo canal da mancha. A teoria de que as ondas electromagnéticas poderiam propagar-se no espaço, formulada por James Clerk Maxwell, e comprovada pelas experiências de Heinrich Hertz, em 1888, foi utilizada por Marconi entre 1894 e 1895.

Marconi
Tinha apenas vinte anos, em 1894, quando transformou o celeiro da casa onde morava em laboratório e estudou os princípios elementares de uma transmissão radiotelegráfica, uma bateria para fornecer eletricidade, uma bobina de indução para aumentar a força, uma faísca elétrica emitida entre duas bolas de metal gerando uma oscilação semelhante as estudadas por Heinrich Hertz, um Coesor, como o inventado por Édouard Branly, situado a alguns metros de distância, ao ser atingido pelas ondas, acionava uma bateria e fazia uma campainha tocar.

Em 1896, foi para a Inglaterra, depois de verificar que não havia nenhum interesse por suas experiências na Itália. Em 1899, teve sucesso na transmissão sem fiosdo código Morse através do canal da Mancha. 
 
Dois anos mais tarde, conseguiu que sinais radiotelegráficos (a letra S do código Morse) emitidos de Inglaterra, fossem escutados claramente em St. Johns, no Labrador, atravessando o Atlântico Norte. A partir daí, fez muitas descobertas básicas na técnica rádio.

A antena Marconi
Antena Marconi
O grande feito ou inovação de Marconi foi dar-se conta que seria necessário um dispositivo, uma antena, com dimensões apropriadas ao comprimento de onda a transmitir, para transformar na emissão, uma corrente alterna de determinada frequência numa radiação eletro-magnética da mesma frequência, e na receção transformar essa energia eletro-magnética  numa corrente alterna, que poderia ser detetada e acionar o dispositivo impressor.
 
Em 1909, 1,7 mil pessoas são salvas de um naufrágio graças ao sistema de radiotelegrafia de Marconi. Em 1912 a companhia de marconi já produzia aparelhos de rádio em larga escala, particularmente para navios. 

Em 1915, durante e depois da primeira guerra mundial assumiu várias missões diplomáticas em nome da Itália, em 1919 foi o delegado italiano na Conferência de paz de Paris .

Prémio Nobel de Física em 1909

Em 1902 inauguravam-se em Portugal, as primeiras estações de telegrafia sem fios.
 

O Iate D. Amélia - D. Carlos I grande oceanógrafo

 
O Amélia IV foi um navio comprado pelo Rei D. Carlos I de Portugal, em 1901, para servir de iate Real, de navio de guerra e de navio hidrográfico.
 
Originalmente chamado Banshee, o Amélia IV foi o quarto iate, baptizado com este nome, adquirido pelo Rei D. Carlos I, para ser usado nas suas campanhas oceanográficas. Tal com os três primeiros iates, este foi também rebaptizado em homenagem à sua mulher, a rainha D. Amélia de Orleães. O navio chegou a Cascais a 2 de novembro de 1901.
 
Como os anteriores, o Amélia IV foi projetado para servir não só de iate, mas para ser multifunções. 
 
No entanto, a multifuncionalidade no Amélia IV ia bastante mais além do que nos antecessores já que projeto do navio era o de um cruzador de 2ª classe que, além de poder servir de navio de guerra para a Marinha Portuguesa, tinha instalações para ser utilizado como iate Real e como navio de investigação ocenográfica.
 
O navio foi construído com o casco em aço. Tinha seis embarcações miúdas uma das quais era movida a eletricidade e, a outra, a vapor. Dispunha de todos os equipamentos necessários para trabalhos oceanográficos.
 
Com este navio, D. Carlos I continuou as campanhas de investigação no mar, que o tornaram num dos maiores oceanógrafos e cientistas marítimos portugueses.
 
Na sequência do golpe militar que implantou a república em Portugal, em 5 de outubro de 1910, foi no iate Amélia IV que o último Rei de Portugal, D. Manuel II e a sua família embarcaram, a partir da Ericeira, para se dirigirem para o exílio, sendo conduzidos a Gibraltar.
 
Em 1911, o regime republicano decidiu rebatizar o navio em honra da data em que tomou o poder.
 
O navio passou assim a designar-seNRP Cinco de Outubro, sendo considerado, permanentemente, como cruzador.
 
Em 1912 o Cinco de Outubro foi reclassificado com aviso, sendo, essencialmente empregue como navio hidrográfico. Até 1937participou nas missões hidrográficas na costa de Portugal Continental e no arquipélago da Madeira. De observar que, também em 1901, foi incorporado na Marinha Portuguesa um navio quase homónimo, o cruzador Rainha D. Amélia. Este navio passou a ser designado NRP República, depois de 5 de outubro de 1910.

Serviço de Informações - Espionagem
 
Em 30 de Agosto de 1893, João Franco, ministro de D. Carlos, remodelou a Polícia, criando o lugar de juiz de instrução criminal. Para juiz de instrução criminal foi designado Francisco Maria da Veiga.
 
Cinco anos mais tarde, pelo Decreto de 20 de Janeiro de 1898, foi novamente reformada a Polícia, criando-se a Polícia Preventiva, encarregada de tomar conhecimento de todos os factos que pudessem ter influência na ordem e tranquilidade públicas e na administração e segurança do Estado, ainda que não constituíssem crime, dando conhecimento desses factos ao Governo, através do Governo Civil. 
 
Em 7 de Setembro de 1899, reorganizou-se o Exército, tendo sido criado o Estado-Maior General e o serviço de estado-maior. No Estado-Maior funcionavam as 2ª e 3ª Repartições, encarregadas de proceder à recolha de informações militares. A Polícia Preventiva foi chefiada pelo juiz Francisco Maria da Veiga e os republicanos sempre se lhe referiram como sendo uma "polícia secreta", encarregada de actividades de espionagem.
 
Em 12 de Dezembro de 1907, Francisco Maria da Veiga renunciou ao cargo de juiz de instrução criminal, sendo substituído por Augusto Alves Ferreira. A Lei de 19 de Setembro de 1902 veio decretar providências especiais, preventivas e repressivas, quanto aos crimes contra a segurança do Estado, atentatórios da ordem social estabelecida e de moeda falsa.
 
O Regicídio - Assassinando, os Republicanos chegam ao Poder
 
Regícidio
 
Como era habitual no início de cada ano, D. Carlos partiu com toda a família para Vila Viçosa, a morada ancestral dos Bragança e o seu palácio preferido. Aí reuniu pela última vez os seus amigos íntimos (raramente levava convidados oficiais para a vila alentejana), promovendo as suas célebres caçadas.
 
Entretanto, a situação política agravava-se em Lisboa, com a oposição ao franquismo, estalando uma revolta, abortada em 28 de Janeiro. João Franco decidiu ir mais longe e preparou um decreto prevendo o degredo sumário para as colónias asiáticas dos revoltosos republicanos.
 
O rei assinou o decreto ainda em Vila Viçosa (consta que terá então dito: acabei de assinar a minha sentença de morte. A 1 de Fevereiro de 1908, a família real regressou a Lisboa depois de uma temporada no Palácio Ducal de Vila Viçosa. 
 
Viajaram de comboio até ao Barreiro, onde apanharam um vapor para o Terreiro do Paço. Esperavam-nos o governo e vários dignitários da corte. Após os cumprimentos, a família real subiu para uma carruagem aberta em direcção ao Palácio das Necessidades.
Praia de Cascais - Aguar, de D.Carlos

A carruagem com a família real atravessou o Terreiro do Paço, onde foi atingida por disparos vindos da multidão que se juntara para saudar o rei. D. Carlos I morreu imediatamente, o herdeiro D. Luís Filipe foi ferido mortalmente e o infante D. Manuel ferido num braço.

Os autores do atentado foram Alfredo Costa e Manuel Buíça, embora avaliações recentes das evidências balísticas sugiram a existência de mais regicidas desconhecidos.

 
Os assassinos foram mortos no local por membros da guarda real e reconhecidos posteriormente como membros do movimento republicano.

A sua morte indignou toda a Europa, especialmente a Inglaterra, onde o Rei Eduardo VII lamentou veementemente a impunidade dos chefes do atentado.


Pintor reconhecido, o soberano foi ainda uma importante figura no campo da ciência. Incentivado pelo príncipe Alberto do Mónaco, foi pioneiro da oceanografia, vindo a realizar a primeira campanha oceanográfica nacional a bordo do iate «Amélia», em 1896. 
 
Dois anos mais tarde inaugurou o Aquário Vasco da Gama, na sequência das celebrações do IV Centenário da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia.

Ver Pintores portugueses
http://historia-portugal.blogspot.pt/2013/11/pintores-portugueses.html

Tecnologia na Dinastia de Bragança
http://historia-portugal.blogspot.pt/2013/11/tecnologia-na-dinastia-de-braganca.html

 
O Ultimatum Inglês

Este incidente causou um profundo ressentimento em Portugal, não só contra o seu antigo aliado mas também contra a monarquia, que esteve ameaçada por uma tentativa de revolta no Porto ( 31 de Janeiro de 1891).

Durante os anos seguintes as colónias portuguesas de África foram definidas como resultado do tratado de Julho de 1891, mas as condições financeiras do país eram tão más que os esforços de Portugal para consolidar as colónias na África pareciam impossíveis.


Em 1897 tornou-se evidente que Portugal necessitaria de um grande empréstimo , e a Alemanha pediu para participar em qualquer assistência que lhe fosse oferecida. Em 30 de Agosto de 1898, A.J. Balfour, temporariamente no chefia do Ministério de Negócios Estrangeiros Inglês, concluiu um pacto secreto Anglo-Alemão repartindo a esfera de influência nas colónias portuguesas para a Grã Bretanha e a Alemanha no caso de realizar-se tal empréstimo.

No entanto, este pacto foi denunciado em Londres pelo primeiro ministro Lord Salisbury, e em 1899, quando os alemães tentaram convencer os portugueses a aceitar a oferta, a acção de Salisbury e o perigo eminente de conflito no Transval, causou uma aproximação Anglo-Portuguesa.

Batalha na CAMPANHA do BARUÉ (1902)

Durante esta Segunda Campanha do Barué (Moçambique), dirigida por João de Azevedo Coutinho, empregaram-se importantes meios navais. Foram utilizados transportes estranhos à Marinha para conduzir, por mar, parte do pessoal que era necessário concentrar para as operações. 

 
Foram ainda fretadas embarcações para reforçar a Esquadrilha do Zambeze, como os navios Chire, Zambeze e Cameron. 
 
Nos transportes por mar foi também utilizada a canhoneira Chaimite que embarcou em Quelimane e em Inhambane, para o Chinde, dois pelotões indígenas e praças dos navios da Estação Naval para integrar a coluna militar. 
 
Outros dois pelotões foram deslocados de Moçambique para Quelimane, pela canhoneira Liberal, enquanto os cruzadores São Gabriel e São Rafael transportaram de Lourenço Marques para Quelimane a artilharia do exército, os dois pelotões de infantaria 9 e cinco pelotões indígenas.
Aviação - Wright ou Santos Dumont ? (1903-1906)
1º Voo do mais pesado que o Ar
 
A controvérsia sobre a autoria do primeiro voo é grande. Geralmente é creditada a Alberto Santos Dumont ou aos Irmãos Wright (mais exatamente, Orville Wright). Foi o voo do 14-Bis, em Paris, o primeiro de um avião na história da aviação registrado publicado e sem artifícios externos. Especialistas argumentam sobre o uso de trilhos e catapultas nas operações de decolagem das aeronaves dos irmãos Wright, e sobre o voo do 14-Bis em Paris testemunhado pelo público e autoridades da aviação.
 
Os irmãos Wright não fizeram voos públicos, buscando realizar seus voos sozinhos ou com a presença de poucas testemunhas - embora tenham tentado realizar demonstrações para as forças armadas dos Estados Unidos, da França, do Reino Unido e da Alemanha, sem sucesso, buscando evitar o "roubo de informações" por parte de outros aviadores, e em busca de aperfeiçoar a aeronave o suficiente para obter a patente de seu avião (ironicamente, Santos Dumont colocava todas as suas invenções no domínio público)
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1º Voo do Flyer em 1903
Apesar da falta de testemunho de aviadores e de organizações de aviação, estes especialistas também apontam para o fato de que - através de notícias publicadas em jornais do Ohio, o testemunho de habitantes da região onde estes voos foram realizados e fotos - de que estes voos foram de fato cumpridos, mas as aeronaves, por não possuírem rodas, necessitavam de catapultas ou de vento em condições favoráveis para decolar (embora a decolagem do Flyer de 17 de dezembro de 1903 tenha sido realizada sem o uso de catapulta), fato este que é usado como argumento pelos brasileiros para desacreditar a autoria do voo dos irmãos Wright, já que o 14-Bis era capaz de decolar por conta própria e em condições variáveis de vento.
 
De fato, aos Irmãos Wright é creditada pela Fédération Aéronautique Internationale (FAI) a autoria do primeiro voo com um "mais pesado que o ar".
 
Em 14 de Outubro de 1899, os antigos tratados de aliança foram reafirmados numa declaração secreta, mais tarde tornada pública. ( o chamado Tratado de Winsor).
 
Entretanto a situação financeira mostrava pouca melhoria, e os republicanos continuavam a progredir. Em 1906 João Franco, antes um Regenerador, chegou ao poder como defensor da falhada causa monárquica. Incapaz de obter apoio dos outros monarquistas, começou a governar por decreto. 
 
Apesar de Franco ter enfrentado com bravura a reforma das finanças e da administração foi acusado de adiantar ilegalmente dinheiro ao rei.Estes escândalos foram seguidos por rumores de golpes, e em 1 de Fevereiro de 1908, Carlos I e o seu filho herdeiro Luís Filipe, foram assassinados quando viajavam numa carruagem descoberta em Lisboa.
 
Não se sabe ao certo se os regicídios foram ou não organizados por fanáticos desconhecidos de sociedades secretas republicanas, como a Carbonária, mas foram vivamente aplaudidos pelos republicanos, que imediatamente começaram o ataque final contra a monarquia.
 
A Figura de Eça de Queiroz
http://historia-portugal.blogspot.pt/2013/10/eca-de-queiroz-o-maior-novelista.html

D. Manuel II ( 1908 - 1910 )


D. Manuel II de Portugal (nome completo: Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gotha) (15 de novembro de 1889 – 2 de julho de 1932).

 
Foi o trigésimo-quinto e último Rei de Portugal. D. Manuel II sucedeu ao seu pai, o Rei D. Carlos I, depois do assassinato deste e do seu irmão mais velho, o Príncipe Real D. Luís Filipe, a 1 de Fevereiro de 1908.
 
Antes da sua ascensão ao trono, D. Manuel foi duque de Beja e Infante de Portugal.
O atentado do Terreiro do Paço (1908)
 
O infante havia regressado a Lisboa (depois de ter estado alguns dias em Vila Viçosa, com toda a família) para se preparar para os exames da escola naval, tendo ido esperar os pais e o irmão ao Terreiro do Paço. Minutos depois deu-se o atentado que vitimou o Rei e o Príncipe Real, sendo D. Manuel atingido no braço.
 
D.Manuel II - General do Exército
O infante tornou-se assim Rei de Portugal. A sua primeira decisão consistiu em reunir o Conselho de Estado, a conselho do qual demitiu o Primeiro-Ministro João Franco, cuja política de força foi considerada responsável pela tragédia.

Nomeou então um governo de aclamação partidária, presidido pelo Almirante Francisco Joaquim Ferreira do Amaral. Esta atitude acalmou momentaneamente os ânimos mas, em retrospectiva, acabou por enfraquecer a posição monárquica pois foi vista como fraqueza por parte dos republicanos.

 
Foi solenemente aclamado Rei na Assembleia de Cortes em 6 de Maio de 1908, perante os deputados da Nação, jurando cumprir a Carta Constitucional. D. Manuel manteve-se sempre fiel a este juramento mesmo quando, já no exílio, foi pressionado a apoiar outras formas de governo para uma possível restauração.

O Rei auferiu, no início, uma simpatia generalizada devido à sua tenra idade (18 anos) e à forma trágica e sangrenta como alcançou o trono. Foi então fortemente protegido pela sua mãe, D. Amélia, e procurou o apoio do experiente José Luciano de Castro.



O rei Manuel II não encontrou unidade entre os políticos monárquicos. A eleição geral de Agosto de 1910 mostrou maioria republicana em Lisboa e Porto, e em 3 de Outubro o assassínio do distinto médico Miguel Bombarda por um louco, oficial do exército internado no Hospital de Rilhafoles, ofereceu o pretexto de um levantamento que já estava organizado.

Civis armados, soldados, e homens embarcados em alguns barcos no Tejo começaram a revolução em 4 de Outubro, vacilaram um pouco no seu movimento, mas a intervenção decisiva de Machado Santos fez suceder esse movimento.

 
Manuel escapou para a Ericeira e daí por mar para Gibraltar e Inglaterra. Na sua morte em 1932 o seu corpo foi trazido para Portugal.

D. Manuel II recebe a Ordem da Jarreteira

Insignia da Ordem
No dia 16 de Fevereiro de 1909, pelas 07.30, no Castelo de Windsor, Inglaterra, D. Manuel II de Portugal torna-se o 838.º Cavaleiro da Ordem da Jarreteira a ser agraciado por um Soberano inglês. 
 
Numa cerimónia de impressionante pompa e ritual, a Ordem e as suas insígnias foram impostas pelo primo, o Rei Eduardo VII. D. Manuel II, foi simultaneamente o último português – de um selecto e estrito clube – a receber esta honraria e, também, até hoje, o mais jovem cavaleiro de sempre da mais distinta das Ordens Honoríficas britânica e mundiais.
 
A Mais Nobre Ordem da Jarreteira (Order of the Garter), também conhecida, é uma ordem de cavalaria britânica, a mais antiga de Inglaterra e do sistema de honras britânico, agraciada, exclusivamente, ‘por desejo do Soberano’
 
Fundada, em 1348, para destacar os esforços do reino e aliados, é uma ordem militar, criada pelo Rei Eduardo III de Inglaterra e baseada nos nobres ideais das demandas ao gosto do espírito medieval: “uma sociedade, uma companhia e uma escola de cavaleiros“, e o conceito foi seguido durante séculos por outros monarcas europeus, que constituíram as suas próprias e prestigiadas ordens de cavalaria.
 
Na História de Portugal, só 15 portugueses e uma portuguesa, a Rainha D. Filipa de Lencastre receberam essa honraria, D. Manuel II foi o último. 
 
Casamento (1913)

D, Augusta Vitória
Em 4 de Setembro de 1913 D. Manuel casou-se com D. Augusta Vitória, princesa de Hohenzollern-Sigmaringen (1890-1966), sua prima (por ser neta da Infanta Antónia de Portugal), e filha do Príncipe Guilherme de Hohenzollern-Sigmaringen. 
 
Durante a missa na manhã do enlace, que teve lugar na capela do castelo de Sigmaringen, D. Manuel assistiu de pé, ostentando a ordem da Jarreteira e o Grande cordão das Três Ordens Portuguesas, sobre um caixote cheio de terra portuguesa. 
 
A cerimónia foi presidida por D. José Neto, cardeal-patriarca de Lisboa, à altura exilado em Sevilha, e que já havia baptizado D. Manuel, e assistiram o príncipe de Gales, (futuro Eduardo VIII), bem como representantes das casas reinantes ou reais da Espanha, Alemanha, Itália, França, Roménia e de vários principados e reinos alemães próximos. 
 
O casamento, uma união calma e serena, durou até à morte súbita do rei, mas não teve descendência, fonte de grande descontentamento para os monárquicos portugueses. Nunca se ouviram falar em gravidezes de Augusta Vitória, pelo que se julga que os dois eram geneticamente incompatíveis.
 
Exílio na Inglaterra
 

D. Manuel fixou residência em Fulwell Park, Twickenham, nos arredores de Londres, local para onde seguiram os seus bens particulares, e onde já sua mãe havia nascido, também no exílio. Ali procurou recriar um ambiente português, à medida que fracassavam as tentativas de restauração monárquica (em 1911, 1912 e 1919). 

 
Manteve-se sempre activo na comunidade, frequentando a igreja católica de Saint James, e sendo o padrinho de baptismo de várias dezenas de crianças. A sua passagem no lugar ainda se vê hoje em topónimos como "Manuel Road", "Lisbon Avenue" e "Portugal Gardens".
 
Continuou a seguir de perto a política portuguesa, gozando de alguma influência junto de alguns círculos políticos, nomeadamente das organizações monárquicas. Se preocupava de que a anarquia da Primeira República provocasse uma eventual intervenção espanhola e o seu perigo para a independência nacional.
 
D. Manuel na Inglaterra
Pelo menos um caso é conhecido em que a intervenção directa do rei teve efeito. Depois do afastamento de Gomes da Costa pelo general Fragoso Carmona, foi nomeado novo embaixador de Portugal em Londres, substituindo o anteriormente designado. 
 
Dada a aparente instabilidade e rápida sucessão de embaixadores designados o governo britânico recusou-se a reconhecer as credenciais do novo enviado. Ora acontece que na altura estava a ser negociada a liquidação da dívida de Portugal à Inglaterra, pelo que o assunto se revestia de grande importância. 
 
Nesta conjuntura, o ministro dos negócios estrangeiros da república pediu a D. Manuel que exercesse a sua influência para desbloquear a situação. O rei ficou encantado com esta oportunidade para ajudar o seu país e levou a cabo vários contactos (incluindo provavelmente o seu amigo, o rei Jorge V), o que teve de imediato os efeitos desejados.
 
Apesar de deposto e exilado, D. Manuel teve sempre um elevado grau de patriotismo, o que o levou, em 1915, a declarar no seu testamento a intenção de legar os seus bens pessoais ao Estado Português, para a fundação de um Museu, manifestando também a sua vontade de ser sepultado em Portugal.

Henry Ford - O pai da linha de montagem (1908)
 
Henry Ford (Springwells, 30 de julho de 1863 — Dearborn, 7 de abril de 1947) foi umempreendedor estadunidense, fundador da Ford Motor Company e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo1 e a um menor custo. A introdução de seu modelo Ford T revolucionou ostransportes e a indústria dos Estados Unidos. Ford foi um inventor prolífico e registrou 161 patentes nos Estados Unidos. 
 
Como único dono da Ford Company, ele se tornou um dos homens mais ricos e conhecidos do mundo. No dia 16 de junho de 1903, dia da fundação da Ford Motor Company, foi investido um capital de US$150 000 (em valores da época), de doze sócios, sendo que US$28.000 foram investidos pelo próprio Ford, com então 40 anos na época.
Henry Ford
 
A ele é atribuído o "fordismo", isto é, a produção em grande quantidade de automóveis a baixo custo por meio da utilização do artifício conhecido como "linha de montagem", o qual tinha condições de fabricar um carro a cada 98 minutos, além dos altos salários oferecidos a seus operários — notavelmente o valor de 5 dólares por dia, adotado em 1914.
 
Ford via no consumismo uma chave para a paz, o que o levou certa vez a dizer: "o dinheiro é a coisa mais inútil do mundo; não estou interessado nele, mas sim no que posso fazer pelo mundo com ele". Ele não confiava em contabilistas, tendo reunido uma das maiores fortunas do mundo sem ao menos possuir auditoria em sua companhia. 
 
A companhia teve sua primeira auditoria depois que Henry Ford II se tornou seu diretor. O intenso empenho de Henry Ford para baixar os custos resultou em muitas inovações técnicas e de negócios, incluindo um sistema de franquias que instalou uma concessionária em cada cidade da América do Norte, e nas maiores cidades em seis continentes. Ford deixou a maior parte de sua grande riqueza para a Fundação Ford, mas providenciou para que sua família pudesse controlar a companhia permanentemente.
 
O Ford modelo T - "De qualquer cor desde que seja preto"
 
O Ford Model T foi apresentado em 1 de outubro de 1908. Ele tinha muitas inovações importantes, como o volante no lado esquerdo, o que foi logo copiado por todas as outras companhias. O motor e o câmbio eram totalmente fechados. Os 4 cilindros eram fundidos em um bloco sólido, e a suspensão usava duas molas semi-elípticas. 
 
O carro era muito simples de se dirigir e, o mais importante, sua manutenção era barata. O veículo era tão barato em 1908, custando 8250,00 dólares (o preço caía todo ano) que na década de 1920 a maioria dos motoristas norte-americanos aprenderam a dirigir o Modelo T, o que deixou boas memórias para milhões de pessoas.
For modelo T - 1908
Ford criou um sólido sistema de publicidade Detroit para garantir que cada jornal transmitisse notícias e anúncios sobre o novo produto. A rede de concessionários locais de Ford tornou o carro omnipresente em praticamente todas as cidades da América do Norte. Como revendedores independentes, as franquias enriqueceram e fizeram a propaganda não apenas de Ford, mas também do próprio conceito de automobilismo; clubes locais de automóveis surgiram para ajudar novos motoristas e para explorar o campo. 
 
Sempre na busca de maior eficiência e menores custos, em 1913 Ford introduziu a montagem em esteiras em movimento nas suas instalações, o que permitiu um enorme aumento da produção. As vendas ultrapassaram 250.000 unidades em 1914. Por volta de 1916, tendo o preço baixado para US$ 360,00 para os carros de passeio básicos, as vendas atingiram 472.000 unidades.
 
Economia

Declínio: do Século XVII ao XIX
 
Durante os Séculos XV e XVI, com o seu império global que incluía possessões na África, Ásia e América do Sul, Portugal manteve-se entre os grandes poderes económicos, políticos e culturais. Interesses ingleses, holandeses, franceses e omanis em torno dos bens estabelecidos possessões ultramarinas de Portugal e postos comerciais testados a hegemonia comercial e colonizador português na Ásia, África e no Novo Mundo
 
 

No Século XVII, a longa Guerra da Restauração Portuguesa (1640-1668) entre Portugal e Espanha terminou o período de sessenta anos da União Ibérica (1580-1640).
 
O Terramoto de Lisboa em 1755 e no Século XIX, os conflictos armados com forças invasoras francesas e espanholas e a perda de sua maior posse territorial no exterior, Brasil, interromperam a estabilidade política e o crescimento económico potencial.
 

Na gravura - Palácio da Ribeira onde a Casa da Índia era localizada, primeira metade do Século XVIII, em Lisboa.

A partilha da África durante o Século XIX pressionou o país para desviar a maiores investimentos para o continente para garantir seus interesses lá. No final do Século XIX, os recursos do país estavam exaustos pelo seu império sobrecarregados, que estava enfrentando uma concorrência sem precedentes. Portugal tinha uma das maiores taxas de analfabetismo na Europa Ocidental, a falta de industrialização e sistemas de transporte subdesenvolvidos.

 
A Revolução Industrial, que tinha espalhadas por vários outros países europeus, a criação de mais avançadas e mais ricas sociedades, foi quase esquecida em Portugal. Sob o governo de Carlos I, penúltimo Rei de Portugal, o país foi declarado falido por duas vezes, em 14 de Junho de 1892 e 10 de Maio de 1902, a causar perturbações socioeconómicas, o antagonismo socialista e republicana, críticas da imprensa da monarquia.
 
No entanto, foi nesse período que o antecessor da Bolsa de Valores de Lisboa foi criado em 1769 como a Assembleia dos Homens de Negócio na Praça do Comércio, no centro da cidade de Lisboa. Em 1891, a Bolsa de Valores do Porto na cidade do mesmo nome foi fundada. As colónias portuguesas na África iniciou um período de grande desenvolvimento econômico alimentado pelo ambicioso Chartered Companies e uma nova onda de colonização.
 
Com o início do revolução e guerras napoleónicas francesas, Portugal entrou num período superior a cinco décadas durante as quais as principais questões foram decididas em grande parte pela influência e pressões de potências estrangeiras. Portugal continuou fiel à sua aliança com a Inglaterra durante as guerras francesas e protegida pela geografia, foi capaz de um tempo para ficar em grande parte independente do imperialismo francês. Em 1801, uma invasão de fronteira mesquinha por forças espanholas aliadas à França apoderavam o distrito fronteiriço português de Olivença, em que foi chamado a Guerra das Laranjas.
 
Os primeiros efeitos do desenvolvimento económico moderno começou a ser sentidos no início do Século XIX, não tanto em termos de expansão nacional de Portugal, mas como uma consequência da concorrência externa e de importações. A industrialização da Grã-Bretanha começaram a produzir tantos produtos têxteis, principalmente, tão barato que cortaram profundamente o mercado doméstico em Portugal e em exportações portuguesas para sua colónia do Brasil.
 
Assim como duras em seus efeitos como a concorrência britânica foi o fechamento dos mercados pela guerra e pela independência do Brasil em 1822, que durante 1796-1806 tinha representaram três quartos de todo o comércio português, re-exportações do Brasil, totalizando 60-80% de todas as exportações portuguesas; a maior parte deste comércio valioso foi perdida. Ao todo, as exportações fabricadas em Portugal, embora nunca muito extenso, diminuiu para 66% do seu volume de 1.810 em 1805 e 10% em 1810 e recuperou apenas 27% em 1820.
 
O período de 1808 a 1826 foi um período de deflação geral dos preços, com declínio particularmente acentuado nos preços e do comércio entre 1817 e 1820. Estas pressões económicas foram de grande importância no incentivo a costeira burguesia para apoiar a revolta por um governo representativo que possa fornecer mais estímulo para o desenvolvimento económico.
 
Similarmente, a perda do Brasil, juntamente com o problema geral do comércio de refrigério em um deflacionado mercado, incentivou o primeiro esforço real para aumentar a fabricação portuguesa desde o Marquês de Pombal.
 
As duas primeiras ondas de pré-industrialização portuguesa foram o programa Ericeira de 1675-1690 e os esforços Pombalinos de 1769-1778. O terceiro ocorreu nos dois anos após o triunfo do liberalismo em 1820. 177 estabelecimentos de novas fábricas foram criados, um aumento de 15 por cento, a perfazer um total de 1.031 lojas, a maioria deles muito pequenos.
 
Nos dezoito meses seguintes, a partir de meados de 1822 até o final de 1823, o número subiu 20 por cento, o principal beneficiário é o distrito do Porto. Durante a década seguinte, de tumulto interno houve pouco avanço no comércio, mas uma nova onda de industrialização desenvolvida após 1835. O movimento Setembrada de 1836 foi de certa forma um movimento de industrialistas, como alguns de seus líderes foram industriais e pequenos comerciantes, teve o apoio de artesãos e trabalhadores.
 
Certos líderes da Setembrada, especialmente Sá da Bandeira, foram os primeiros a conceber o desenvolvimento económico da África Portuguesa para complementar a ampliação do comércio e da indústria metropolitana de Portugal. Em geral, a mecanização da indústria portuguesa começou por volta de 1835, mas sua dependência da importação de máquinas a vapor e outras máquinas tornaram o processo muito lento. Em 1845, apenas 30 das 634 fábricas (apenas alguns dos que poderiam ser chamadas fábricas) possuía o poder de vapor. Na pós-1835 da fase de mecanização, a região de Lisboa progredia mais rapidamente que o Porto.
 
A base da economia portuguesa, a agricultura, começou a mudar, mas também muito lentamente. No início do Século XIX, apenas cerca de um sexto da massa terrestre de Portugal foi cultivada, é duvidoso que a proporção havia sido mais elevada. As reformas económicas do regime liberal, da igreja e algumas terras reais, a partir da cisão da aristocracia Usufruto e abolição de muitas obrigações senhoriais, extremamente ampliados de mercado da terra e as oportunidades para a agricultura. Embora muitos dos direitos foreiros e foram varridos, as reformas reuniu a maioria dos elementos mais ricos para o regime liberal.
 
A extensão de terra cultivada aumentou, embora não tão dramática como em Espanha durante o mesmo período. Entre os camponeses, o cultivo de subsistência de milho e batatas também aumentou. A produção de mercado aumentou um pouco, entre 1839 e 1855, Portugal exportou grãos, pela primeira vez em séculos. Não está inteiramente claro, no entanto, se este era devido ao grande aumento de produção ou devido a uma mudança nos padrões comerciais e de transporte, por considerável de grãos também foi importado da Espanha.
 
Não houve melhora significativa na técnica agrícola, que mal foi tão avançado como Espanha. Assim, as mudanças na fundiária portuguesa e da agricultura entre 1834 e 1855 não foram em todas as reformas drásticas produtivo, mas apenas na consolidação de uma nova classe de proprietários média e grande porte, provenientes da classe média alta e da aristocracia, que agora controlam as principais fontes de riqueza. Essa classe foi capaz, em conjunto com grandes interesses comerciais e financeiros, a maior parte de controle de governança portuguesa por quase 70 anos após o retorno da Carta em 1842.
 
Fontes Pereira de Melo.
Fontes Pereira de Melo foi o principal defensor de uma política de desenvolvimento econômico que ficou conhecido como Fontismo, o equivalente da expansão económica portuguesa da Espanha e de construção da estrada de ferro de 1855-1865. Fontes consolidou a dívida nacional em 3% e criado um novo ministério das obras públicas, construção de mais estradas, início da construção do telégrafo, e encorajar a expansão da estrada de ferro.
 
 
Novo crédito foi obtido, os investimentos estrangeiros foram estimulados, os impostos foram aumentados e reorganizados, enquanto os direitos de tarifas foram reduzidos. Em geral, o programa visava que algumas das fundações, em particular na comunicação e transporte, para uma economia mais moderna.

Houve poucas tentativas de industrialização direta, porém, e os custos foram apoiados na sua maioria pelas classes mais baixas, em forma de impostos especiais de consumo. 

 
Os impostos de propriedade, como em Espanha, tendeu a ser manipulado em favor dos detentores de grandes em detrimento dos pequenos proprietários. Esta orientação geral caracteriza a política económica do Governo Português para a próxima geração. As más condições económicas em 1855-1856, entretanto, juntamente com a crítica de concessões demasiado generosa para os investidores estrangeiros, desempenharam um papel importante na erosão do apoio político do Governo Português, levando à renúncia de Fontes em 1856. Fontismo era praticada nas décadas de 1850 e 1860 destacaram comércio, finanças e transporte.
Primeiro banco português (1821)

O primeiro banco de boa-fé português, o Banco de Lisboa, foi fundado em 1821. O número de bancos aumentou para três em 1858, treze em 1867 e 52 em 1875. Depósitos aumentaram oito vezes entre 1858 e 1875. Os primeiros banqueiros portugueses vieram principalmente do comércio por grosso, uma vez que esta foi à maior fonte de lucro e formação de capital na economia tradicional portuguesa. Alguns grandes proprietários de terras também se envolveram, mas no Século XIX os bancários portugueses mostraram pouco interesse na tentativa de financiar o desenvolvimento industrial.
 
Seus recursos eram limitados e que preferiram lucro fácil, juros elevados, através de empréstimos de curto prazo, títulos do governo, projectos de transporte e de hipotecas imobiliárias. A construção de ferrovias portuguesas foi iniciada logo após da Espanha e em grande parte as mesmas condições financeiras, mas o ritmo de seu desenvolvimento foi consideravelmente mais lento. O capital estrangeiro, tecnologia e favoritismo político desempenharam um papel importante. A primeira curta ferroviária de Lisboa foi construída em 1856 e os quilómetros de trilhos aumentados.
 
Por volta de 1860, o centro das atenções nos assuntos públicos foi tomada pela situação financeira, que atormentou Governo Português para o fim da monarquia em 1910 e ao longo da história da república parlamentar que se seguiu. A dívida pública cresceu rapidamente, quase duplicando entre 1854 e 1869, quando atingiu um nível de quase 50 dólares per capita, um peso esmagador de um país tão pobre.
 
As joias reais foram vendidas e as reais propriedades hipotecadas, mas o principal problema era pobre governo de gestão de resíduos, a corrupção, acima de tudo, a receita extremamente baixa de uma economia improdutiva. Toda a vinculação de propriedades foi abolida em 1863, a abertura do mercado para a produção agrícola, mas os efeitos desta foram lentos em chegar; Fontismo baseou-se essencialmente aos investimentos estrangeiros e à contracção de empréstimos, ao incentivar o livre comércio (em detrimento da casa cresceu de produção) e a manutenção de elevados impostos especiais de consumo.
 
Um novo movimento de oposição entre os intelectuais radicais começaram depois de 1865. Em 1867, um pequeno elemento de progressistas da classe média se juntou com o mais liberal dos livros históricos para formar uma forma pouco organizada agrupamento conhecido como o popular ou um partido reformista.
 
Protestos entre as classes mais baixas e mais impostos sobre o consumo entre os empresários sobre a concorrência externa e impostos montado de forma constante. Uma tentativa do governo de aumentar impostos sobre o consumo ainda estava bloqueada por uma revolta dos comerciantes no Porto e em várias outras cidades no primeiro dia de 1868 (e, portanto, denominado Janeirinha). O gabinete Fusionista foi forçado a demitir-se e foi substituído por um ministério reformista que pretendia reduzir o orçamento e equilibrar a estrutura de impostos. Falta de apoio organizado, a unidade interna e um programa de corte raso, de ter conseguido pouco.
 
O grande desenvolvimento da economia portuguesa do final do Século XIX foi a expansão da agricultura, que teve início em meados do século, mas aumentou somente na Década de 1890. Havia pelo menos três factores principais envolvidos. A população aumentou de forma constante apesar da emigração e a demanda por alimentos cada vez montada. Em segundo lugar, todos os morgados (vinculação de propriedades) foram finalmente abolidos em 1863, completando a abertura do mercado de terras.
 
Em terceiro lugar, a tarifa primeira metade do século, que forneceu a proteção real de grãos foi aprovada em 1889. Ao todo, entre 1874 e 1934 a extensão da área cultivada em Portugal aumentaram 70 por cento. O direito de nova sucessório na terra após 1863 previsto divisão igualitária dos bens entre os herdeiros e o tamanho médio das unidades de cultivo português permaneceu sem viabilidade econômica de pequeno porte.
Extinção dos morgadios (1868)

Em 1868, cinco anos após a extinção definitiva dos morgados, havia 5.678.385 propriedades agrárias média de 1,55 hectares. Em grande parte do Minho, minifúndios eram ainda mais a regra do que em espanhol na Galiza. Alguns proprietários de propriedade muitas pequenas propriedades e arrendamento ainda eram comuns, mas pode ter havido um percentual ligeiramente maior de pequenos proprietários de terra do que em Espanha em geral.
 
Muitos inquilinos mantinham direitos ao longo prazo emphyteutic. Expansão da agricultura camponesa foi incentivada pela queda nas despesas fixas com a inflação lento do final do Século XIX. O cultivo de milho foi prorrogado e alguma melhoria na técnica foi possibilitada pelo aumento do uso de fertilizantes, principalmente estrume e novas fontes de água.
 
A maior extensão de cultivo não ocorreu na densamente povoadas, cultivadas Minho, mas no sul de dois terços de Portugal, onde o Alentejo foi finalmente repovoada pelo fim do século. Em parte por causa da expansão agrícola da Década de 1890 foi uma década de rápido crescimento no comércio. Isso ocorreu apesar de a tarifa de 1892, que marcou swing de Portugal, embora em menor grau, em direcção a tendéncia geral de mais pesado do proteccionismo na Europa durante o Século XIX. Houve também uma nova onda de industrialização no virar do Século XX, ainda era modesto e mal serviu para compensar o crescimento extremamente lento na fábrica de violência doméstica.
 
Portugal ainda sofreu com as principais deficiências dos países subdesenvolvidos: a falta de capital para investimentos produtivos, mão de obra qualificada, know-how tecnológico (havia apenas 150 engenheiros qualificados em Portugal em 1870) e matérias-primas industriais. Houve um aumento significativo do investimento empresarial durante a segunda metade do século, mas era muito pequeno em comparação com os países industrializados. Mesmo durante a primeira década do Século XX, o investimento empresarial no comércio superou a da indústria.
 
Até o final do Século XVIII, o peso da sociedade portuguesa começou a mudar pela primeira vez desde a Idade Média. Embora a estrutura camponesa tradicional permanecesse quase inalterada, uma nova classe média superior de riqueza e potencial de influência estava a começar emergir. Era composta por elementos da burguesia comercial das cidades costeiras, uma elite de burocratas educados e cargos, alguns dos proprietários de terras não-aristocrática e pequena nobreza no centro e do centro-sul de Portugal. A aristocracia tradicional já estava em declínio.
 
No entanto, a mudança incipiente no peso das elites portuguesas, não teve consequências políticas imediatas, para a preeminência da monarquia absolutista portuguesa praticamente permaneceu inquestionável. As reformas do despotismo esclarecido elitista cumprido quase todas as ambições da classe alta média nova. A revolta republicana foi mais um sinal da mudança dos tempos, ao invés de uma ameaça imediata. O verdadeiro problema foi à crise financeira nacional precipitada pela humilhação diplomática e incerteza política.
 
Uma moratória bancária teve de ser declarada e se aproximou do estado de faléncia em 1891-1892. Os credores estrangeiros exigiram o controlo internacional das alfândegas portuguesas e o governo alemão pediu uma demonstração naval fora de Lisboa semelhante à que recentemente esgrimidos contra a Venezuela. O eminente historiador cultural e crítico político Oliveira Martins tornou-se Ministro das Finanças em um novo governo sem partido em 1892, mas não conseguiu ganhar passagem nas eficazes reformas financeiras.
 
 

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